Escritos Compilados de Blavatsky, Volume II, p. 426

NOSSO SEGUNDO ANO

[The Theosophist, Vol. I, no 11, agosto de 1880, pp. 261-262]

Como todas as outras coisas agradáveis, o relacionamento de nosso primeiro ano com os assinantes do The Theosophist está prestes a terminar. O presente exemplar é o décimo primeiro, emitido de acordo com o contrato, e o de setembro será o décimo segundo e último. Assim, todo compromisso assumido pelos proprietários da revista foi honrosa e literalmente cumprido. Parece que eles tinham o direito de reconhecer isso até mesmo daqueles queixosos que profetizavam o colapso total, provavelmente rápido, do empreendimento, tanto antes como depois do aparecimento do primeiro exemplar.

O caso de The Theosophist pede uma ou duas palavras de comentários específicos. Mesmo em qualquer grande cidade da Europa ou dos Estados Unidos, é muito raro que um periódico desta natureza sobreviva à indiferença ou hostilidade natural do público durante um ano inteiro. Das dezenas de tentativas feitas, segundo nossa própria lembrança, os sucessos são tão poucos que mal merecem ser mencionados. Via de regra, o prazo de existência deles está em proporção exata com a quantia que seus editores estão dispostos a gastar com eles. Na Índia, a perspectiva era muito pior; porque o povo é pobre, dividido em inúmeras castas, não acostumado a receber periódicos, e certamente não a patrocinar os oferecidos por estrangeiros. Além disso, e especialmente, o costume sempre foi dar crédito de dois, três e até mais anos aos assinantes, e todas as publicações indianas publicarem seus respectivos termos de assinatura de dinheiro e crédito. Tudo isso nós sabíamos, e os jornalistas anglo-indianos e nativos da maior experiência nos alertaram para antecipar o fracasso; sob nenhuma circunstância, eles pensavam, seria possível para nós termos sucesso com uma revista tão estranha junto a um público tão apático, mesmo que devêssemos dar crédito ilimitado. Mas como o nosso objetivo não era lucro, e como a sociedade precisava muito de tal órgão, decidimos partir para a aventura. Uma quantia grande o suficiente para pagar o custo total da revista por um ano foi reservada, e o primeiro exemplar apareceu prontamente no dia anunciado – 1o de outubro de 1879. Acreditando que o sistema de crédito era absolutamente pernicioso e tendo visto a adoção universal nos Estados Unidos da América do plano de pagamento antecipado em dinheiro e suas vantagens, anunciamos que esta última seria a regra deste escritório. Os resultados já são conhecidos dos nossos leitores: no quarto mês em que a revista chegou, e antes do fim do semestre, passou aquele ponto delicado em que as receitas e as despesas se equilibram mutuamente, e seu sucesso era um fato consumado. Muitos assinantes têm estado tão ansiosos para nos ver tendo sucesso que nos enviaram dinheiro para pagar a revista com dois anos de antecedência, e outros nos disseram que podemos contar com seu patrocínio, enquanto eles estiverem vivos.

Escusado será dizer que os editores do The Theosophist ficaram inexprimivelmente satisfeitos com a resposta afetuosa ao seu apelo ao povo asiático por apoio, numa tentativa de arrancar do pó do esquecimento os tesouros da sabedoria ariana. Que coração que não seja feito de pedra poderia permanecer intocado por tanta devoção como nos foi mostrado e à nossa sagrada causa da fraternidade humana? E é nosso orgulho e alegria perceber que todos esses amigos se agruparam ao nosso redor, mesmo quando estávamos sob o pesado fardo das suspeitas do governo indiano, porque eles acreditavam que somos sinceros e verdadeiros, amigos e irmãos dos ardentes filhos da Ásia. Se nosso primeiro ano começou com incertezas, ele encerra todo brilhante e cheio de promessas. Onde nossa revista tinha um simpatizante então, agora tem vinte e no começo do terceiro ano terá cinquenta. Ela se tornou uma necessidade para centenas de jovens patriotas arianos, que adoram saber o que foram seus ancestrais, para que possam pelo menos sonhar em imitá-los. Ganhou um lugar na consideração até mesmo de anglo-indianos, de cuja classe muitos em posições influentes a assinam. Seus méritos como revista oriental foram reconhecidos por alguns dos primeiros orientalistas da Europa, que foram por ela apresentados pela primeira vez a alguns dos sacerdotes, pandits e Shastris asiáticos mais eruditos. Em outro lugar, neste exemplar, serão encontradas algumas das gentis palavras que foram ditas para e sobre nós, neste e no outro lado do mundo. Quanto à nossa posição atual com o Governo da Índia, a carta do ex-vice-rei, Lorde Lytton, e o artigo principal do The Pioneer (impressos respectivamente nos exemplares de fevereiro e junho), bem como o apelo do Diretor de Agricultura , N.-WP por ajuda, que apareceu em junho, deixa tudo claro. Em suma, a Sociedade Teosófica e seu órgão, The Theosophist, estão agora tão firmemente estabelecidos que – totalmente aparte dos esplêndidos resultados da missão no Ceilão, tratados em outro lugar, em um artigo separado – todo amante da verdade pode se alegrar.

Se fôssemos inclinados a ostentar, poderíamos oferecer incentivos muito atraentes aos assinantes do segundo volume. Preferimos deixar que nosso desempenho passado seja garantia do que faremos no futuro. Atraímos tantos artigos valiosos dos melhores escritores da Ásia, Europa e América que não hesitamos em prometer que The Theosophist de 1880-81 será ainda mais interessante e instrutivo do que o foi para 1879-80. Naturalmente, a viagem do Ceilão, e a entrada na Sociedade Teosófica de todo sacerdote budista na ilha com alguma reputação de habilidade ou erudição, levarão a uma exposição tão completa do budismo nessas colunas, pelos homens mais qualificados para falar, que deve prender a atenção do mundo todo. Nenhuma revista oriental no mundo todo poderia apontar para uma tal série de colaboradores de que o The Theosophist já pode se orgulhar.

Não haverá alteração nos termos de assinatura, pois desejamos que até mesmo o mais pobre funcionário receba a revista. Nossos amigos não devem esquecer que o plano americano abrange duas características, a saber, o dinheiro da assinatura deve estar nas mãos do diretor antes que qualquer cópia seja enviada; e a revista é descontinuada no vencimento do termo da assinatura. Essas duas regras são invariáveis e foram anunciadas na primeira página de cada edição, como pode ser visto ao se reportar aos avisos do editor. O exemplar de setembro é, portanto, o último que será enviado aos nossos atuais assinantes, exceto para aqueles que pagaram por um novo período. E como é necessário tempo para remeter dinheiro e abrir um novo conjunto de livros, aconselhamos a todos que desejarem receber o exemplar de novembro no tempo habitual, a encaminhar suas assinaturas desde logo. Devemos solicitar novamente que todos os cheques, notas promissórias, ordens de pagamento, cartas registradas e outras remessas por conta da revista sejam feitas aos “Proprietários do The Theosophist” e a mais ninguém.

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* Tradução de Marly Winckler