NAMASTÊ! *

Escritos Compilados de Blavatsky, Volume II, p. 84

The Theosophist, Vol. I, no 1, outubro de 1879, pp. 1-2

A fundação desta revista deve-se a causas que, tendo sido enumeradas no Prospecto, só precisam ser rapidamente mencionadas neste contexto. São elas – a rápida expansão da Sociedade Teosófica dos Estados Unidos da América para vários países europeus e asiáticos; a crescente dificuldade e custos em manter correspondência por carta com membros tão amplamente dispersos; a necessidade de um órgão através do qual os sábios nativos do Oriente pudessem comunicar seu saber ao mundo ocidental e, especialmente, por meio do qual a sublimidade das religiões ariana, budista, parse e outras possa ser exposta por seus próprios sacerdotes ou pânditas, os únicos intérpretes competentes; e, finalmente, a necessidade de um repositório para os fatos – sobretudo, aqueles que se relacionam com o Ocultismo – reunidos pelos membros da Sociedade de diferentes nações. Alhures explicamos claramente a natureza da Teosofia e a plataforma da Sociedade; resta-nos proferir algumas palavras sobre a política de nossa revista.

Foi demonstrado que os membros de nossa Sociedade têm suas próprias opiniões particulares sobre todos os assuntos de natureza religiosa, como de todos os outros. Eles estão protegidos no gozo e expressão das mesmas; e, como indivíduos, têm o mesmo direito de declará-las no The Theosophist, sob suas próprias assinaturas. Alguns de nós preferimos ser conhecidos como arianos samajistas, alguns como budistas, outros como idólatras, outros ainda como outra coisa. O que cada um é, aparecerá a partir de suas comunicações assinadas. Mas nem ariano, budista, nem qualquer outro representante de uma religião particular, seja um editor ou colaborador, pode, pelas regras da Sociedade, usar essas colunas editoriais exclusivamente no interesse da mesma, ou usar sem reservas a revista para sua propaganda. Está projetado que uma imparcialidade estrita deve ser observada nas declarações editoriais; a revista representa toda a Sociedade Teosófica, ou Fraternidade Universal, e não uma única seção. Não sendo a Sociedade uma igreja, nem uma seita em nenhum sentido, queremos dar as mesmas boas-vindas cordiais às comunicações de uma classe de religiosos quanto às de outra; insistindo apenas que a cortesia da linguagem deve ser usada com os oponentes. E a política da Sociedade é também um compromisso total e garantia de que não haverá supressão de fatos nem adulteração de escritos, para servir aos fins de qualquer igreja estabelecida ou dissidente de qualquer país.

Artigos e correspondência sobre qualquer um dos tópicos incluídos no plano do The Theosophist são bem-vindos; e embora, é claro, nós prefiramos que eles estejam em inglês, ainda que sejam enviados em hindi, marata, bengali ou gujarati, ou em francês, italiano, espanhol ou russo, serão cuidadosamente traduzidos e editados para publicação. Quando for necessário imprimir nomes e palavras em hebraico, grego e outros caracteres (exceto o sânscrito e os vernáculos indianos) ao contrário do romano, os autores escreverão também seus equivalentes fonéticos em inglês, pois os recursos do escritório de nossa editora não são bons nesse sentido. Os manuscritos devem ser escritos de forma legível, apenas em um lado da folha, e os autores devem sempre manter cópias em casa, pois não seremos responsáveis por sua perda, nem podemos nos obrigar a devolver os artigos rejeitados. De fato, não serão aceitas declarações de partes desconhecidas sem a devida autenticação.

Está projetado que nossa revista será lida com tanto interesse por aqueles que não são filósofos profundos como por aqueles que o são. Alguns se deliciarão em seguir os pânditas através dos labirintos de sutilezas metafísicas e das traduções de manuscritos antigos, outros em serem instruídos por meio de lendas e contos de importância mística. Nossas páginas serão como as muitas iguarias em uma festa, onde cada apetite pode ser satisfeito e ninguém é mandado embora com fome. Os desejos práticos da vida são mais urgentes para muitos leitores que os espirituais, e nossas páginas mostrarão amplamente que não é nosso propósito negligenciá-los.

Mais uma palavra na soleira antes de pedirmos a nossos convidados que entrem. O primeiro exemplar de The Theosophist foi trazido à lume sob dificuldades operacionais que não teriam sido encontradas em Nova York ou Londres, das quais esperamos escapar em edições futuras. Por exemplo: primeiro tentamos usar o excelente design do Sr. Edward Wimbridge para a capa gravada em madeira, mas não havia madeira nos tamanhos certos para compor o bloco, nem braçadeiras para prendê-los; nem havia um gravador competente para fazer justiça ao tema. Na litografia, não nos saímos melhor; não havia um litógrafo a quem pudéssemos confiar para imprimir trabalhos artísticos em cores, e o proprietário de um dos melhores escritórios na Índia nos aconselhou a enviar a encomenda para Londres. Como último recurso, decidimos imprimir o desenho em relevo, e depois vasculhamos os mercados de metal de Bombaim e Calcutá em busca de chapas de metal laminadas. Tendo finalmente conseguido uma peça antiga, o artista foi forçado a inventar um processo totalmente novo para gravar sobre ela e teve que executar o trabalho ele mesmo. Mencionamos esses fatos na esperança de que nossos jovens irmãos indianos sem ocupação possam lembrar do velho ditado, “onde há vontade, há um caminho”† e possam aplicar a lição ao seu próprio caso. E agora, amigos e inimigos, a todos – Namastê!

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* Tradução de Marly Winckler
†  Shakespeare (N. da T.)