De acordo com o Readers Guide to The Mahatma Letters to A. P. Sinnett:

John King

King, John, uma materialização bem conhecida nos círculos espíritas na década de 1870. De caráter um tanto misterioso e geralmente afirmando ser o espírito do pirata Henry Morgan. Existem várias referências na literatura oculta ao emprego por Adeptos e outros proficientes nas artes ocultas de elementais e elementares para realizar o trabalho que desejam que seja feito. HPB aparentemente usou John King dessa maneira por algum tempo nos EUA. Uma foto dele produzida em conjunto por ele e HPB está na Sede. ML, pág. 277; HPB VI: 270-71; HPB fala I: 83 e segs.[1]

Em referência à identidade de John King, Mme. Blavatsky escreve:

Eu disse ao Coronel Olcott e muitos outros que a forma de um homem, com um rosto pálido e escuro, barba preta e roupas brancas esvoaçantes e fettah, que alguns deles haviam visto pela casa e em meus aposentos, era a de “John King”. Eu lhe dera esse nome por razões que serão explicadas em detalhes muito em breve, e ri com vontade da maneira fácil como o corpo astral de um homem vivo pode ser confundido e aceito como um espírito. E eu lhes disse que conhecia aquele “John King” desde 1860; pois era a forma de um adepto oriental, que desde então foi para sua iniciação final, passando e visitando-nos em seu corpo vivo em seu caminho, em Bombaim. (…) Eu conheci e conversei com muitos “Johns Kings” em minha vida – um nome genérico para mais de um caça-feitiço – mas, graças a Deus, eu nunca fui “controlada” por um![2]

Com base nessas palavras, surgem especulações de que o “adepto do Oriente” poderia ser o Mestre K.H. Mas depois ela o identificou com um Adepto Grego, provavelmente se referindo ao Mestre Hillarion:

Todo teosofista na sede sabe que me refiro a um cavalheiro grego, que conheço desde 1860, ao passo que nunca tinha visto o correspondente do Sr. Sinnett antes de 1868.[3]

Recursos Online

Artigos e Panfletos

Notas

  1. George E. Linton and Virginia Hanson, eds., Readers Guide to The Mahatma Letters to A. P. Sinnett (Adyar, Chennai, India: Theosophical Publishing House, 1972), 237.
  2. Helena Petrovna Blavatsky, Collected Writings vol. VI (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1989), 271.
  3. Helena Petrovna Blavatsky, Collected Writings vol. VI (Wheaton, IL: Theosophical Publishing House, 1989), 291.

Fonte: Theosophy.wiki


O Autorretrato de John King (março de 1875)

            No início de março de 1875, HPB escreve ao general Lippitt que iria lhe mandar um autorretrato de John King, no qual ele aparece em sua sacada no Summer-Land”. (HPB Speaks I, 57) Elaborada em cores sobre um pedaço de cetim branco, essa pintura mostra no centro a cabeça e parte do tronco de um homem, com barba preta cerrada, vestindo um turbante e vestes brancas.

            Ele está de pé numa sacada, rodeado por folhagens e uma grande grinalda de flores. Ao fundo, à direita, há pálidas figuras humanas e, à esquerda, uma construção que lembra um castelo à beira de um lago. Na pintura John King está segurando um grande livro com símbolos

(p. 76)

Autorretrato de John King.

(p. 77)

em sua capa. Na pilastra da sacada aparecem os símbolos do selo de Salomão e da suástica. Diz Gomes que:

“Esta pintura está preservada na sede da ST em Adyar, Índia. As cores ainda são extraordinariamente brilhantes para sua idade; o cetim desbotou apenas em um lugar. Ela foi levada para Londres em junho de 1893 por W.Q. Judge, então presidente da Seção Americana da Sociedade, como um presente do general Lippitt para Annie Besant.” (Gomes 1987, 211)

            Olcott descreve numa carta para o general Lippitt como o retrato foi feito. (HPB Speaks I, 78) HPB comprou um pedaço de um fino cetim branco do tamanho requerido (0,91 m²), que foi colocado numa prancheta, junto com pincéis, tintas e água. Todo esse material foi coberto com um pano e deixado por toda a noite na sala especialmente dedicada aos “espíritos”.

            Pela manhã toda a parte superior da pintura e a face de John estavam esboçados e havia um colorido à volta das figuras humanas, no fundo. John, então, pediu a HPB que começasse a grinalda de flores que fica à volta, como uma moldura. Porém, como Madame Blavatsky trabalhava “muito devagar quando ele não me ajuda ou o faz ele mesmo” (HPB Speaks I, 57), John, insatisfeito com o trabalho dela, dispensou-a. Quando chamou-a de volta, toda a folhagem superior e a sacada de mármore estavam delineadas. HPB passou então a trabalhar nessa folhagem e, daí por diante, limitou-se exclusivamente a pintar esse pedaço. Olcott relata:

“John Fez todo o restante ele mesmo – por partes, algumas vezes de dia e algumas vezes à noite. Eu estava na casa durante a maior parte desse tempo e em mais de uma ocasião sentei-me próximo dela [HPB] enquanto pintava, e com ela saí da sala por alguns minutos enquanto o espírito artista desenhava alguma parte da pintura, embaixo do pano que cobria sua face. As palavras gregas e hebraicas e os símbolos cabalísticos foram as últimas coisas a serem colocadas.” (HPB Speaks I, 78)

            Escrevendo para Lippitt, Betanelly refere-se à produção da pintura que John King estava fazendo no cetim:

“Eu ainda não a vi, pois ele não quer que ninguém a veja antes que ele a termine completamente. (…) John levou embora seu próprio retrato da moldura por duas vezes, ficou com ele por alguns dias e trouxe-o de volta – e tudo tão rápido como um raio.” (HPB Speaks I, 59)

(p. 78)

            No início de abril a pintura foi enviada para o general Lippitt, com o pedido de que ele nunca se separasse dela, e que não “deixasse que muitas pessoas a tocassem, ou até mesmo se aproximassem muito dela.” (HPB Speaks I, 65) Madame Blavatsky comenta a reação de Lippitt à pintura:

“Eu estou contente que você tenha gostado da pintura de Johny, mas você não deve chamá-Io de turco, pois ele é um nobre e querido espírito, e gosta muito de você. Não é culpa de ninguém se você ainda não o viu, até agora, como ele é na realidade, e sempre o imaginou parecido com o velho médico judeu meio materializado que geralmente lhe era apresentado nos Holmes. Apenas em Londres ele aparece como ele é; mas ainda trazendo, em suas queridas feições, alguma semelhança com seus respectivos médiuns, pois é difícil para ele mudar completamente as partículas extraídas por ele de vários poderes vitais.” (HPB Speaks I, 65)

            Ao enviar a pintura para Lippitt, Madame Blavatsky também lhe escreveu:

“John pede que você dê atenção à figura do espírito que paira acima – ‘a mãe e filho’. Diz que você vai reconhecê-la. Eu não a reconheci. Johny quer que você tente e compreenda todos os símbolos e sinais maçônicos colocados.” (HPB Speaks I, 64).

            Lippitt não reconheceu o espírito e, posteriormente, Madame Blavatsky identificou-o como sendo a imagem de Katie King, que havia aparecido em várias sessões ao general. (HPB Speaks I, 66) Mas, quanto aos símbolos que ele devia tentar compreender, HPB comenta:

“Até que todo o significado dos símbolos na pintura de John seja descoberto, John não pode ensinar às pessoas – e declina de torná-las mais sábias. ‘Tente’ e descubra-o, se puder.” (HPB Speaks I, 73)

            O uso da palavra ‘tente’ – característico nas cartas do Mestre Serapis – e a referência a John King como alguém apto a tornar as pessoas mais sábias, são mais um reforço à hipótese de que ele era um membro da Hierarquia Oculta e, como vimos, hierarquicamente superior a HPB.

            Olcott numa carta para Lippitt explica que as palavras gregas e hebraicas e os símbolos cabalísticos da pintura “eram conhecidos de todos os estudantes da Cabala” e que as palavras:

(p. 79)

“… e os símbolos e a joia que John King usa sobre seu peito são todos símbolos Rosacruzes, tendo sido ele um irmão da Ordem, e sendo esse o laço que o liga à nossa dotada amiga Madame de B.” (HPB Speaks I, 79)

            É importante notar que Olcott refere-se a John King como sendo “um irmão da Ordem” e que esse é o “laço que o liga” à Madame Blavatsky.

            HPB também menciona a ligação de John King com uma Ordem, ou Fraternidade, ao escrever para Lippitt que as cartas ditadas por espíritos que ele recebera, que aparentemente não significavam nada, eram instruções para os espíritas dos Estados Unidos, escritas num alfabeto cifrado, isto é:

“… o cabalístico, empregado por Rosacruzes e outras Fraternidades das Ciências Ocultas. Eu não estou em liberdade para lê-las para você, até ter a permissão. Não considere essas palavras como uma artimanha. Eu lhe dou minha palavra de honra de que é assim. É claro que John sabe escrever dessa maneira, pois ele pertenceu, como você soube, a uma das ordens. Preserve tudo que você possa receber desse modo muito cuidadosamente.” (HPB Speaks I, 97)

            Observe-se que em 1874 HPB se declarava uma “rosacrusiana” (CW I, 100), mas num artigo em junho de 1875 escrevia que “estritamente falando, os Rosacruzes agora nem mesmo existem, tendo o último daquela Fraternidade partido com a pessoa de Cagliostro.” (CW I, 103)

            Ora, se ela se declarava uma Rosacruz, mas dizia que o último dessa Fraternidade havia partido com Cagliostro, ela devia estar se referindo a uma Fraternidade – ou Ordem – num sentido mais elevado, ou seja, ligada à Hierarquia Oculta. Portanto, se essa Fraternidade era o laço que ligava HPB a John King, então, ele também seria um membro da Hierarquia Oculta.

            Essa hipótese é reforçada por Olcott quando revela que em 1874 HPB usava sobre seu peito, em forma de joia, um emblema místico de uma Fraternidade Oriental à qual pertencia. Essa joia que HPB usava é descrita como sendo a misteriosa jóia do 18° Grau Rosacruz, que teria pertencido ao próprio Cagliostro (Taylor, 79). Escreve Olcott:

“Se Madame de B. foi admitida para dentro do véu ou não [nos ramos superiores da Magia Branca], pode-se apenas conjeturar, pois ela é muito reticente sobre

(p. 80)

esse assunto, mas seus dons surpreendentes parecem impossíveis de serem explicados com qualquer outra hipótese. Ela usa sobre seu peito um emblema místico em forma de jóia, de uma Fraternidade Oriental e é, provavelmente, a única representante nesse país dessa irmandade, a qual (como Bulwer observa) ‘numa época mais antiga, era a possuidora de segredos dos quias a Pedra Filosofal era o menor; que se considerava a herdeira de tudo que os Caldeus, os Magi, os Gimnosofistas e os Platônicos haviam ensinado; e que diferiam de todos os filhos sinistros da Magia, pela virtude de suas vidas, pela pureza de suas doutrinas e pela sua insistência, como o fundamento de toda Sabedoria, na subjugação dos sentidos e na intensidade de Fé Religiosa’.(Olcott 1875, 453)

John King Cura a Perna de HPB (abril de 1875)

            Em janeiro de 1875, Madame Blavatsky havia caído no chão ao tentar mover a armação de uma cama pesada, machucando seriamente o joelho e quase quebrando a perna, obrigando-a a permanecer em repouso (HPB Speaks II, 163). Em meados de abril, HPB relata que John King havia curado sua perna, mas que, como ela não cumpriu com o repouso, a perna piorou novamente:

“Minha perna está pior que nunca. John a curou completamente, e me ordenou repousar por três dias. Eu negligenciei isso e desde aquele dia sinto que ela está ficando cada vez pior.” (HPB Speaks I, 75)

            Betanelly escreve para Lippitt, preocupado, pois não havia meios de HPB melhorar:

“Dr. Pancoast, que estava atendendo-a desistiu, dizendo que dificilmente poderia fazer qualquer coisa, uma vez que a paralisia estava se     aproximando ou talvez ainda pior, a amputação da perna poderia ser necessária. Eu não sei o que fazer. E imagine que nesse exato momento em que ela está tão doente, ela continua escrevendo, trabalhando e se correspondendo todo o tempo, quando, pelo conselho do doutor, ela precisa ficar quieta e não preocupar seu cérebro. Eu acredito que a doença dela é parcialmente causada pela falta de cuidado consigo mesma e pelo

(p. 81)

excesso de trabalho. Embora ela ajude aos outros, ela não pode, ou não quer ajudar a si mesma, nem mesmo para curar sua perna.” (Gomes 1987, 76)

            Em 26 de maio Betanelly escreve para Olcott dizendo que a perna de HPB “está ficando paralisada e pode ser necessário amputá-la”. (CW I, lvi) Ocorre então uma mensagem precipitada por John King na carta, dizendo que ele a curaria. (CW I, lvi). Nessa data, HPB manda Betanelly embora, pois ela estava se sentindo muito mal e queria ficar sozinha. Em 12 de junho ela escreve para o general Lippitt:

“Você precisa agradecer a “John King” se sua última carta teve qualquer resposta, pois o Sr. Betanelly foi para o Oeste. Eu o mandei embora pelo dia 26 de maio, quando supunham que eu estava tão doente, e os doutores começaram a pensar em me privar da minha melhor perna. Pois eu pensei, nessa hora, que estava indo “para o andar de cima” pour de bon [para melhor] e, como detesto ver caras tristes, lamentações, choradeira e coisas desse tipo quando estou doente, mandei-o embora. (…) eu lhe disse que estivesse pronto para voltar quando lhe escrever que estou melhor, ou quando alguma outra pessoa lhe escrever que eu fui para casa, ou “chutei o balde” como “John” muito bondosamente me ensinou a dizer. Bem, eu ainda não morri (…) mas ainda estou na cama, muito fraca, irritada, e geralmente me sinto enlouquecida das 12h às 24h. Então ainda mantenho o camarada longe, para benefício dele e meu próprio conforto.” (HPB Speaks I, 80)

            No início de junho, além da perna, HPB passa novamente por uma estranha doença, às vezes parecendo estar morta, sendo um quebra-cabeça para os médicos. O máximo da crise foi alcançado à meia noite de 3 de junho. Seus acompanhantes chegam a pensar que ela estava morta, pois jazia fria, sem pulso e rígida. Sua perna machucada dobrou de tamanho, ficou preta e seu médico desistiu de fazer qualquer coisa, dizendo que ou amputavam a perna imediatamente ou ela não sobreviveria. Entretanto, dentro de algumas horas, o inchaço passou e ela reviveu (CW I, lvi). Em meio de junho, quando Betanelly retornou, escreve para Lippitt que HPB ainda estava muito doente:

“Todos estes dias Madame estava sempre na mesma: três ou quatro vezes ao dia, perdendo energia e deitada como se estivesse morta, por duas ou três horas a cada vez, quando o pulso e o coração

(p. 82)

paravam, e ficava fria e pálida como uma morta. John King disse a verdade imediatamente, em tudo. Ela estava num tal transe segunda-feira de manhã e à tarde, das três às seis, que nós pensamos que ela estava morta. As pessoas dizem que, nessas ocasiões, o espírito dela viaja, mas eu não sei nada disso, e simplesmente pensei muitas vezes que tudo estava acabado. (…) John fez coisas estranhas, materializou sua cabeça e a beijou, mas como ela não gosta de ser beijada, quando ela melhorou, o xingou e eles ficavam sempre brigando, como você lembra; pois ela detesta quando ele beija nos lábios.” (HPB Speaks I, 93-94)

            Essa também é a época aproximada em que, nas palavras de Olcott, “uma certa maravilhosa transformação psíquico-fisiológica ocorreu em HPB, sobre a qual eu não estou em liberdade para falar e de que ninguém, até agora, suspeitou”. (ODL I, 18)

            O fato é que, sem dúvida, foi uma época do treinamento oculto de HPB em que seus poderes psíquicos passaram por transformações. Há pouco tempo ela havia adquirido dons de clarividência: “Atualmente, por exemplo, a natureza me dotou muito generosamente com a segunda visão, ou dons clarividentes”. (HPB Speaks I, 87) Outras transformações em suas capacidades psíquicas também estavam ocorrendo nesse período.

Fonte: A Esfinge HPB