MARÇO
“Não digais: ‘Sou’, ‘fui’ ou ‘serei’.
Não penseis que passais de uma habitação de carne à outra como viajantes que recordam ou esquecem que estiveram bem ou mal alojados. A soma das existências anteriores, que constitui a última, volta novamente ao universo; ela constrói a sua morada como o bicho da seda tece o casulo que o encerra.”
– EDWIN ARNOLD, A Luz da Ásia, Livro 8. Editora Pensamento.
MARÇO
1
Quatro coisas aumentam com o uso: – Saúde, riqueza, perseverança e credulidade.
2
Para aproveitar os dias de abundância, deves ser paciente nos dias de penúria.
3
Expulse a avareza do coração e afrouxarás as correntes em torno do pescoço.
4
Que um homem supere a raiva pelo amor, o mal pelo bem, a ganância pela generosidade, a mentira pela verdade.
5
Não fales duramente com ninguém; aqueles com quem falas assim responder-te-ão da mesma maneira.
6
Esta vida está no mundo do trabalho e da justiça retributiva; a vida que se segue está no mundo da grande recompensa.
7
A desculpa é melhor do que a disputa; o atraso é melhor do que a precipitação; a relutância em brigar é melhor do que a ânsia em procurar a contenda.
8
Cortes toda a floresta da luxúria, não a árvore. Quando tiveres cortado toda árvore e todo arbusto, estarás livre.
9
O avarento não vai para o mundo dos deuses (Devas), pois o tolo não conhece a caridade.
10
Aquele que contém a raiva crescente como uma carruagem rolante, é chamado de cocheiro real; os outros somente seguram as rédeas.
11
O tolo cheio de raiva que pensa triunfar usando linguagem ofensiva, é sempre derrotado por aquele cujas palavras são pacientes.
12
O melhor dos medicamentos é a morte; a pior das doenças é a vã antecipação.
13
Um temperamento afável é um bom conselheiro e uma língua agradável pode ser um excelente líder.
14
Uma palavra boa no momento certo é melhor do que uma torta doce depois das refeições.
15
O orgulho tolo é uma doença incurável; uma má esposa é uma doença crônica; e uma disposição irascível é um fardo para toda a vida.
16
A verdade brilha mais que o sol; a verdade é o dia ensolarado da razão, e a falsidade, a noite escura da mente.
17
Tudo tem um fim e desaparecerá. Só a verdade é imortal, e vive para sempre.
18
O sol é a luz para todos; a luz da alma é a verdade eterna.
19
O caminho para o pecado é uma estrada larga; a saída dele, uma colina íngreme e escarpada.
20
O erro dos outros é facilmente percebido, mas o próprio erro é difícil de perceber.
21
Pessoas boas brilham de longe como montanhas nevadas; pessoas más não são vistas, são como flechas disparadas à noite.
22
Onde duas mulheres se encontram, ali nasce um mercado; onde três se reúnem, um bazar é aberto; e onde sete conversam, começa uma feira.
23
Amplo conhecimento e ciência, disciplina e discurso ponderado, eis as maiores bênçãos.
24
O eu sutil (self) é conhecido pelo pensamento tão somente; pois todo pensamento está entrelaçado com os sentidos, e quando o pensamento é purificado, o eu se apresenta.
25
Conduza-me do irreal para o real! Da escuridão para a luz! Da morte para a imortalidade!
26
O Sábio que conhece Brahma segue em frente; no estreito e velho caminho que se estende para longe, repousa em lugares celestiais, e daí se move para o mais alto.
27
Nem pelos olhos, nem pelo espírito, nem pelos órgãos sensuais, nem pela austeridade, nem por sacrifícios, podemos ver Brahma. Só os puros, pela luz da sabedoria e da meditação, podem ver a Deidade pura.
28
Pela perfeição no estudo e meditação o Espírito Supremo se manifesta; o estudo é um olho para contemplá-lo, e meditação é o outro.
29
Ai ai! Colhemos o que plantamos; as mãos que nos sufocam são as nossas próprias.
30
Só os pensamentos fazem girar a roda de renascimentos neste mundo; devemos nos esforçar para purificar os pensamentos. Aquilo que pensamos, isto somos: eis o velho segredo.
31
“Meus filhos são meus; essa riqueza é minha”: com tais pensamentos o tolo é atormentado. Ele próprio não pertence a si mesmo, muito menos os filhos e seus bens.
