JULHO

 “A mente, iluminada, descarta sua dor!” —

“Ela não é entendida pelo conhecimento! O homem

Não a tentes compreender pela sabedoria! Mesmo aprendendo muito

Fica aquém disso! Só pela própria alma

A alma é percebida — quando a alma o quer deveras!

Não brilha nenhuma luz, salvo a sua própria luz para se mostrar

A si para si mesma!”

— O SEGREDO DA MORTE.

(Da Katha Upanishad, Seção I, Pt. ii, 23.)

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JULHO

1

Não se pode preencher um vácuo desde dentro de si mesmo.

2

Quando certo ponto é alcançado, a dor se converte no seu próprio anódino.

3

Muitos são os que seguem um falso líder. Poucos reconhecem a verdade de imediato.

4

Estima aquilo que é eminentemente bom, que, quando comunicado a outro, será aumentado para ti mesmo.

5

Perceba que as tuas riquezas são aquelas que se encontram no recesso de tua mente.

6

Tantas são as paixões da alma, tantos são os déspotas ferozes e selvagens.

7

Não é livre quem não tenha obtido o domínio de si mesmo.

8

A ocupação de um músico é afinar todos os instrumentos, a de um homem educado, é adaptar-se harmoniosamente a cada situação.

9

É excelente impedir um homem injusto; mas se isso não for possível, é excelente não agir em cumplicidade com ele.

10

Devemos nos abster do pecado, não pelo medo, mas por afinidade com o que é certo.

11

O desejo veemente por uma coisa qualquer cega a alma em relação a outras coisas.

12

Há muitos que não aprenderam a argumentar racionalmente, e ainda assim vivem de acordo com a razão.

13

O equilíbrio é belo em tudo, mas não se pode dizer o mesmo sobre o excesso e a imperfeição.

14

É propriedade de um intelecto divino estar sempre pensando atentamente no que é belo.

15

Como dois pedaços de madeira podem se juntar no oceano, e tendo se encontrado, podem separar-se novamente; assim são os encontros dos seres mortais.

16

A juventude é como um riacho de montanha; a riqueza é como a poeira debaixo dos pés; a virilidade é fugidia como uma gota d’água; a vida é semelhante à espuma.

17

Quem não cumpre o dever com a mente firme, dever este que abre os portais da felicidade, ao ser surpreendido pela velhice e o remorso, queimará pelo fogo do pesar.

18

Mesmo em um eremitério florestal, o pecado se abate sobre o profano; a contenção dos sentidos na nossa própria casa, eis o que é o ascetismo.

19

A casa de alguém cujas ações são corretas, livres de impurezas, é como um eremitério na floresta.

20

Tal como a corrente de um rio flui e não retorna, assim passam os dias e as noites, levando consigo a vida dos homens.

21

A juventude, a beleza, a vida, a riqueza, as propriedades, a companhia dos entes queridos, tudo isso é impermanente; que o sábio não se iluda com nada disso.

22

Neste mundo, fugidio como ondas que trazem a tempestade, morrer pelo outro é um prêmio valioso obtido pela virtude em um nascimento anterior.

23

A sombra de uma nuvem, o favor do vulgar, uma flor, tudo isso dura pouco; tal como a juventude e as riquezas.

24

Que o sábio pense na sabedoria como permanente e imortal; ele deve cumprir seu dever como se a morte o puxasse pelos cabelos.

25

Se coisas más são ditas de ti, e se forem verdade, corrija-te; se forem mentira, ria-te delas.

26

Os pagodes são medidos por sua sombra, e grandes homens por aqueles que o invejam.

27

O sábio não diz o que faz; mas ele não faz nada que não possa ser dito.

28

O homem que encontra prazer no vício e dor na virtude, ainda é um novato em ambas as coisas.

29

O sábio faz o bem tão naturalmente quanto respira.

30

Um homem não desdiz o que disse.

31

O coração do tolo está em sua língua; a língua do sábio está em seu coração.