
O texto “É Isto um Erro?”, publicado na revista Lucifer em agosto de 1888, aborda uma crítica ao artigo anterior “A Crucificação do Homem”. A crítica foi enviada por um leitor identificado como “Eufrates”, que contesta a interpretação de uma passagem bíblica e a resposta dada pelo autor do livro Key to a Hebrew-Egyptian Mystery in the Source of Measures. A discussão foca na tradução e interpretação das palavras “Eli, Eli, lama sabachthani” pronunciadas por Jesus na cruz.
Principais Pontos da Crítica de Eufrates:
- Contestação da Tradução:
- Eufrates argumenta que a frase “Eli, Eli, lama sabachthani” é uma tradução caldaica do Salmo 22:1 e que a interpretação correta deve ser “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Ele critica a tradução apresentada pelo autor do artigo anterior, que sugere “Meu Deus, meu Deus, como me glorificaste!”.
- Erro de Substituição:
- Ele aponta que o autor do artigo anterior comete um erro ao substituir a palavra caldaica שבקתני por שבהתני, alterando o significado da passagem. Eufrates afirma que não há evidências de que a fórmula hebraica mencionada tenha sido usada no sentido de “como me glorificaste!”.
Resposta do Autor de Key to a Hebrew-Egyptian Mystery in the Source of Measures:
- Defesa da Tradução:
- O autor defende sua tradução argumentando que o Novo Testamento deve ser interpretado com base em sua própria autoridade. Ele sugere que a palavra grega σαβαχ deve ser convertida em hebraico como שבת (shâbãch), significando “glorificar”, e não como שבק (shâbãk), que significa “desamparar”.
- Crítica às Traduções Tradicionais:
- O autor argumenta que a tradução tradicional é uma distorção destinada a corrigir o texto do Novo Testamento e sugere que as palavras de Jesus na cruz eram parte de um drama simbólico tirado dos Mistérios antigos, sem realidade histórica.
- Exemplos de Interpretações Errôneas:
- Ele apresenta exemplos de outras interpretações errôneas e simbólicas nos textos sagrados, sugerindo que muitos relatos bíblicos são adaptações simbólicas de práticas e crenças antigas, muitas vezes mal interpretadas pelo público geral.
Comentário Geral:
A discussão entre Eufrates e o autor da Key to a Hebrew-Egyptian Mystery in the Source of Measures destaca a complexidade da interpretação de textos religiosos antigos. A crítica de Eufrates foca na precisão filológica e na fidelidade ao texto original, enquanto o autor defende uma abordagem mais esotérica e simbólica, argumentando que muitos textos bíblicos são adaptações de mistérios antigos.
Reflexão:
A troca de argumentos ilustra a tensão entre interpretações literalistas e esotéricas das escrituras. Eufrates representa a visão tradicional, que busca manter a integridade do texto bíblico conforme conhecido, enquanto o autor do livro e as editoras de Lucifer propõem uma leitura que busca significados mais profundos e ocultos, muitas vezes em desacordo com a ortodoxia religiosa.
A discussão também ressalta a importância de considerar o contexto cultural e histórico das escrituras. A abordagem esotérica sugere que muitos textos religiosos contêm camadas de significado que podem ser reveladas através do estudo comparativo de mitologias e mistérios antigos. Essa perspectiva oferece uma riqueza de interpretação, mas também desafia as crenças estabelecidas, convidando a uma reflexão mais ampla sobre a natureza da fé e do conhecimento espiritual.
A resposta final das editoras de Lucifer reafirma a validade da interpretação esotérica e a dificuldade de fornecer provas concretas devido à natureza secreta dos ritos de iniciação. Isso sugere que o entendimento completo dos textos sagrados pode exigir uma combinação de conhecimento histórico, filológico e esotérico, além de um reconhecimento das limitações inerentes a qualquer abordagem única.
Em Uma Visão Esotérica dos Evangelhos – Volume III de Coletânea de Textos de Helena Petrovna Blavatsky, Editora Teosófica
