Publicado na Lucifer (Vol. II, No. 9, maio de 1888), este artigo aborda o sofrimento dos animais e sugere que o amor altruísta, combinado com uma vontade forte, é uma forma de poder para aqueles que desejam aliviar esse sofrimento. A crítica do texto é voltada à cultura ocidental e suas religiões, que negligenciam a compaixão pelos animais, comparando-as desfavoravelmente com as tradições filosóficas e religiosas orientais, como o budismo, bramanismo e outras antigas religiões que enfatizam a proteção e bondade para com todas as criaturas vivas.

Blavatsky argumenta que a religião ocidental, ao interpretar que os animais foram criados para servir ao homem, legitima sua exploração e maus-tratos. Ela culpa esse egoísmo e a teologia ocidental pela crueldade e brutalidade com que os animais são tratados nas sociedades cristãs. A caça, por exemplo, é apresentada como um exemplo extremo dessa visão distorcida, sendo praticada como entretenimento, o que resulta na morte e tortura de milhões de animais anualmente.

O artigo relata que, segundo um ensinamento budista citado, a chegada de estrangeiros cristãos (Peling) ao Oriente trouxe consigo uma indiferença e crueldade inéditas para com os animais. Nos tempos antigos, próximo aos templos budistas, os animais eram respeitados e protegidos, mas com a influência ocidental, essa ética se perdeu.

Blavatsky também narra um caso em que um juiz budista, ao saber que um assassino de sua irmã tinha histórico de matar animais por prazer, considerou isso como prova suficiente de sua culpa, demonstrando a conexão entre a crueldade com animais e a violência com seres humanos.

O artigo conclui que não se pode culpar individualmente os cristãos leigos, mas sim o sistema teológico e a cultura ocidental por fomentar um egoísmo crescente. A reflexão final sugere que a única maneira de mudar essa realidade é repensar a educação e os valores culturais, para que a compaixão e o respeito pelos animais possam ser restaurados.