Extratos e Anedotas da Vida de Madame Campan – e Madame Voisin, sua companheira por mais de 40 anos.
EDMOND GENEST VAI PARA A AMÉRICA

A Assemblée Nationale teve a ideia de que M. Genest havia retornado à sua terra natal e estava escondido em Brest. Aconteceu que Madame Campan estava passando o dia em Paris com sua companheira, Madame Voisin, quando ouviu dois jornaleiros gritando:
“A chegada a Brest do Sr. Genest, Ministro da República nos Estados Unidos; este Ministro subirá imediatamente a perigosa plataforma da guilhotina!”
Essa notícia foi um grande choque para Madame Campan, que acreditava — e com razão — que seu irmão estava a caminho da América. Ela desmaiou.
Madame Voisin, com a ajuda de dois ou três transeuntes compassivos, carregou-a para dentro de uma loja, onde foram aplicados restaurativos, e ela logo recuperou a consciência.
Na primavera de 1793, Madame Campan fez uma breve visita a Beauplan e depois mudou-se para o Château de Coubertin, a cerca de um quilômetro de distância, que ela e a família Auguié alugaram.
Foi enquanto estava lá que ela soube que Maria Antonieta havia sido privada de seu filho, um castigo muito mais cruel do que a sentença de morte imposta à Níobe da Revolução Francesa em outubro seguinte.
Biografia

Nascida Henriette Genet em 2 de outubro de 1752 em Paris. Faleceu em 16 de março de 1822 em Mantes. Foi uma escritora e ilustre educadora francesa.
Henriettte era filha de Edme Jacques Genet, Primeiro Oficial de relações exteriores, e Marie- Anne-Louise Cardon. Seu pai permitiu-lhe estudar o inglês, italiano além de canto e artes. Tendo sido muito bem-educada, em outubro de 1768 foi escolhida como leitora das filhas do rei Louis XV. Ela estava na época com quinze anos. Em 1770, passa a ser camareira da rainha Marie Antoinette. Em Julho de 1786 foi nomeada Primeira Camareira da rainha. Casou-se em 11 de maio de 1774 com Pierre Dominique François Campan os dois tiveram um filho chamado Henri Campan em outubro de 1784.

Madame Campan continuou servindo a rainha mesmo depois da fuga de Versalhes e continuou ao seu lado até a tomada das Tuleries em 10 de agosto de 1792, data em que Madame Campan foi violentamente separada da rainha. Após a tomada das Tuleries a casa de madame Campan foi queimada e ela, como estava sendo fortemente perseguida, fugiu junto com a irmã que também era camareira da rainha para se refugiar no castelo de Coubertin.
A irmã de Madame Campan, temendo ser presa e morta, suicidou-se deixando sua três filhas aos seus cuidados. Sem grandes recursos e tendo entre dependentes sua mãe com deficiência, um marido doente, um filho de dez anos e três sobrinhas órfãs, ela mudou-se em 31 de julho de 1794 para Saint-Germain-en-Laye onde, graças ao seu elevado nível de educação, abriu um pequeno pensionato para jovens senhoras sob o nome de “Institution Nationale de Saint-Germain.”

Seu pensionato logo se tornou um sucesso, lugar onde foram criadas as filhas da alta burguesia como as irmãs e as filhas adotivas do general Napoleão Bonaparte, Caroline e Pauline Bonaparte. Elas foram acompanhadas por Hortense e Stéphanie de Beauharnais, netas de Madame de Genlis e estrangeiros como Elisa Monroe, filha do futuro presidente dos Estados Unidos e as cinco filhas do embaixador dos EUA, Prinkey.
Madame Campan foi uma das mais notáveis educadoras da França pós-Revolução, e muitas de suas alunas se tornaram figuras importantes durante o Consulado e o Império Napoleônico. Aqui estão algumas de suas principais alunas:
Família Bonaparte e Beauharnais
- Hortense de Beauharnais – filha de Joséphine e depois rainha da Holanda, mãe de Napoleão III. Foi uma das alunas mais queridas de Madame Campan.
- Stéphanie de Beauharnais – adotada por Napoleão, tornou-se grã-duquesa de Baden.
- Caroline Bonaparte – irmã de Napoleão, tornou-se rainha de Nápoles como esposa de Joachim Murat.
- Pauline Bonaparte – irmã de Napoleão, casada com o general Leclerc.
- Charlotte Bonaparte – filha de Lucien Bonaparte.
Outras alunas notáveis
- Églé Auguié – sobrinha de Madame Campan, casou-se com o marechal Michel Ney.
- Antoinette Auguié – também sobrinha, casou-se com Charles Gamot e depois com o general de Laville.
- Adèle Auguié – irmã de Églé e Antoinette, amiga íntima de Hortense, casou-se com o barão de Broc.
- Annette de Mackau – depois dama de companhia de Joséphine e esposa do general Watier de Saint-Alphonse.
- Adèle Gruau – leitora de Stéphanie de Beauharnais.
- Louise Cochelet – leitora de Hortense de Beauharnais, depois casada com o comandante Parquin.
- Baronesa Lambert (Alexandrine Pannelier d’Arsonval) – tornou-se dama de companhia de Caroline Bonaparte.
- Éléonore Denuelle de la Plaigne – ex-aluna que teve um filho com Napoleão (o conde Léon).
- Elisa de Courtin – casada com o poeta Casimir Delavigne.
- Louise Pujol – casada com o pintor Horace Vernet.
- Amélie Roques – Madame de Tauriac.
- Aimée Leclerc – Madame Davout.
- Hortense Perrégaux – Madame Marmont.
- Félicité de Fandoas – Madame Savary.
- Anne (Nancy) e Adèle Macdonald – respectivamente duquesa de Massa e condessa Perregaux.
- Clotilde e Marie-Antoinette Murat – respectivamente duquesa de Corigliano e princesa de Hohenzollern-Sigmaringen.
- Elisa Monroe – filha de James Monroe, futuro presidente dos EUA.
- Filhas do embaixador americano Pinckney – cinco delas foram alunas de Campan.
Madame Campan dirigiu duas instituições:
- A Escola de Saint-Germain-en-Laye (1795–1807), voltada para filhas da elite pós-Revolução.
- A Maison d’Éducation de la Légion d’Honneur em Écouen (1807–1814), fundada por Napoleão para as filhas de militares condecorados.
Essas instituições formaram uma geração de mulheres educadas com refinamento, espírito prático e, muitas vezes, com funções políticas ou sociais de destaque nos círculos imperiais europeus.
Alunas Francesas da Elite Imperial
Família Bonaparte
- Caroline Bonaparte – irmã de Napoleão, depois rainha de Nápoles (esposa de Murat).
- Pauline Bonaparte – irmã de Napoleão, casada com o general Leclerc.
- Charlotte Bonaparte – filha de Lucien Bonaparte.
Família Beauharnais
- Hortense de Beauharnais – filha de Joséphine, rainha da Holanda, mãe de Napoleão III.
- Stéphanie de Beauharnais – adotada por Napoleão, tornou-se grã-duquesa de Baden.
Família Auguié (sobrinhas de Madame Campan)
- Antoinette Auguié – casada com Charles Gamot, depois com o general de Laville.
- Églé Auguié – esposa do marechal Ney.
- Adèle Auguié – casada com o barão de Broc, dama de Hortense
Famílias nobres e políticas francesas
- Adèle Gruau – leitora de Stéphanie de Beauharnais.
- Annette de Mackau – dama de companhia de Joséphine, casada com o general Watier de Saint-Alphonse.
- Louise Cochelet – leitora de Hortense de Beauharnais.
- Baronesa Lambert (Alexandrine Pannelier d’Arsonval) – dama de companhia de Caroline Bonaparte.
- Amélie Roques – Madame de Tauriac.
- Aimée Leclerc – Madame Davout.
- Félicité de Fandoas – Madame Savary.
- Hortense Perrégaux – Madame Marmont.
- Anne (Nancy) Macdonald – duquesa de Massa.
- Adèle Macdonald – condessa Perregaux.
- Clotilde Murat – duquesa de Corigliano.
- Marie-Antoinette Murat – princesa de Hohenzollern-Sigmaringen.
- Elisa de Courtin – esposa do poeta Casimir Delavigne.
- Louise Pujol – esposa do pintor Horace Vernet.
Casos de destaque
- Éléonore Denuelle de la Plaigne – teve um filho com Napoleão (o conde Léon); mais tarde casou-se com o conde de Luxbourg.
Alunas Estrangeiras
Estados Unidos
- Elisa Monroe – filha de James Monroe, futuro presidente dos EUA.
- Cinco filhas do embaixador americano Charles Cotesworth Pinckney – pagavam a pensão em dólares (facilitando a gestão financeira da escola).
Filhas adotivas educadas por Madame Campan
- Anne M. Chérie de la Chaise de Martigny (1780–1849)
- Adélaïde Victoire Sophie Crouzet (1793–1825) – também sua secretária; casou-se com o Dr. Maigne.
- Adélaïde Louise Clémence Gamot (1799–1848) – filha de Antoinette Auguié.
- Athénaïs M. Françoise Sanegon (1806–1883)

Em 1807 Napoleão coloca Madame Campan a frente da Maison Impériale d’Écouen, uma instituição educacional da Legion d’honneur onde deveriam ser criadas as filhas dos altos oficiais da legião. Ela ali permanece durante o período que durou o Império. Com a restauração e a tomada do poder pelo rei Louis XVIII começa um período terrível na vida de Madame Campan; o pior deles foi o ostracismo sofrido após a monarquia ser restaurada. Madame Campan esperava de muito boa fé receber quaisquer sinais de gratidão pelo seu comportamento durante o período em que viveu com o rei Louis XVI e com Marie-Antoinette, ela os serviu com dedicação incansável de 1770 a 1792, não os tendo abandonado nem no momento em que ambos foram perseguidos. Ela foi mal tratada, assim como suas sobrinhas, principalmente pela duquesa d’Angoulème que, com seu sectarismo e sua destreza, desprezara todos aqueles que de alguma forma pactuaram com o regime imperial.

Depois de uma breve parada em uma pequena casa, ela se instala, no final de março, perto da casa do Dr. Maigne, que havia se casado com sua ex-aluna Adelaide Crouzet. Porém, durante os cinco anos que havia deixado para viver, ela viajou extensivamente. Em 1818 ela ficou com a sobrinha Agathe Bourboulon St. Elmo. Em setembro de 1820 ela foi para Coudreaux na casa da Madame Ney, onde ela viu seu velho amigo, o pintor Isabey. Ela encontra sua querida Hortense em Balê enquanto retorna para casa. Provavelmente esse não foi o último contato com a ex-rainha da Holanda e sim alguns anos antes em que Hortense convidou Madame Campan para criar na Suíça um internato para moças no modelo do Saint-Germain. Madame Campan recusou a proposta, pois já se considerava muito velha e cansada para tamanha responsabilidade. Por quase dois anos Madame Campan sabia estar sofrendo de câncer de mama, entretanto aceitou se operar tardiamente pelo Dr. Voisin, famoso cirurgião de Versalhes, e irmão de uma amiga. Dr. Maigne operou Madame Campan no dia 03 de fevereiro de 1822. A cirurgia não foi suficiente para a remoção do tumor e Madame Campan deu seu último suspiro em 16 de Março. Seu corpo foi sepultado na segunda parte da 1a Divisão do antigo cemitério de Mantes. Seu epitáfio diz: “ Elle fut utile à la jeunesse et consola les malheureux”.
Antologia de Escritoras Francesas do Século XVIII
Um Fim de Vida na Desgraça
Considerada próxima demais de Napoleão, Madame Campan caiu definitivamente em desgraça.
Ela retirou-se para Mantes em março de 1816, acompanhada de Madame Voisin, sua fiel companheira por 40 anos, estabelecendo-se no número 9 da rue Tellerie, perto do doutor Maigne e de sua esposa, Mademoiselle Crouzet, sua ex-aluna e secretária em Écouen.
Durante esse período, passou temporadas na casa de amigos, como o conde Christian de Nicolaï, Hortense de Beauharnais, a marechala Ney, Aglaé Auguié, suas sobrinhas Agathe Bourboulon de Saint-Elme e a baronesa Lambert.
Ela também reencontrou seu amigo Jean-Baptiste Isabey, antigo professor de desenho na Instituição de Saint-Germain.
Seu filho, Henri Campan, faleceu de um resfriado em 26 de janeiro de 1821.
Em maio do mesmo ano, Madame Campan recebeu o diagnóstico de câncer.
Entre 18 de junho e 3 de outubro de 1821, viajou para a Suíça com Hortense de Beauharnais e, em seguida, foi para Arenenberg.
Em outubro de 1821, passou seis semanas em Draveil.
Fonte: Wiki
Veja mais: DRAMAS AND TRAGEDIES OF CHIVALRIC FRANCE
Restauração


O rei Luís XVIII assinou uma ordem real restituindo o castelo de Écouen ao príncipe de Condé em 24 de maio de 1814. Madame Campan deixou Écouen depois de 10 de agosto. Estava arruinada, mas, em julho de 1815, graças ao apoio do marechal Macdonald, obteve uma pensão como superintendente honorária. Viveu provisoriamente na casa de seu filho Henri Campan, que havia se refugiado em Montpellier durante os Cem Dias; preso, foi libertado em janeiro de 1816 graças à intervenção de Gérard de Lally-Tollendal, cujas filhas haviam sido alunas de Madame Campan na instituição de Saint-Germain. Nos anos de 1815 e 1816, morou no número 58 da rua Saint-Lazare.
Ainda assim, desejava rever Maria Teresa da França, filha de Maria Antonieta da Áustria, e obteve uma audiência no Palácio das Tulherias. A primeira pergunta feita pela filha da falecida rainha foi um choque para ela: — O que a senhora fez sob Bonaparte? — perguntou Maria Teresa. Madame Campan explicou que precisava sobreviver e, por isso, fundara o pensionato de Écouen, onde foram educadas as irmãs do “Usurpador”… Madame Royale a interrompeu bruscamente: — Teria sido melhor ter ficado em casa! Um aceno seco foi o bastante para dispensar a antiga confidente de Maria Antonieta.

Considerada próxima demais de Napoleão, caiu em desgraça e retirou-se para Mantes, em março de 1816, com Madame Voisin, sua fiel companheira havia 40 anos, na rua Tellerie, nº 9, perto do doutor Maigne e de sua ex-aluna e secretária em Écouen, Mademoiselle Crouzet, que havia se casado com o médico.
Ela passou temporadas na casa de amigos: o conde e a condessa Christian de Nicolaï, Hortense de Beauharnais, duquesa de Saint-Leu, Aglaé Auguié, o marechal Ney, suas sobrinhas Agathe Bourboulon de Saint-Elme e a baronesa Lambert. Reencontrou também seu amigo Jean-Baptiste Isabey, que havia sido professor de desenho na Instituição de Saint-Germain.
Seu filho, Henri Campan, morreu de um resfriado em 26 de janeiro de 1821. Em maio de 1821, soube que estava com câncer. Viajou para a Suíça entre 18 de junho e 3 de outubro de 1821, hospedando-se com a duquesa de Saint-Leu; em seguida, foram para Arenenberg. Passou seis semanas em Draveil em outubro de 1821.
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Jeanne Henriette GENET, Madame Campan
(Jeanne Louise Henriette GENET
Jeanne Henriette GENET)
Madame Campan
Camareira da Rainha Maria Antonieta (segunda camareira, 1770 – ao tempo em que era a jovem Delfina), depois primeira camareira da Rainha Maria Antonieta (1786), mulher de letras – publicou Memórias, filantropa.
Nascida em 2 de outubro de 1752 (segunda-feira) – PARIS
Batizada em 6 de outubro de 1752 (sexta-feira)
Falecida em 1822 – MANTES, aos 70 anos de idade
Criou a Escola de Saint-Germain-en-Laye para moças (hoje Instituto Notre-Dame).
Pais
-
Edmé Jacques GENET (1726–1781), homem de letras,
Primeiro Comissário para os Assuntos Estrangeiros -
Anne Louise CARDON (c. 1724–após 1782)
Cônjuge e filho
Casou-se em 11 de maio de 1774 (quarta-feira), em Versailles, com
Pierre Dominique François BERTHOLLET CAMPAN (1749–1797),
Mestre da Guarda-Roupa de Madame a Condessa d’Artois
(Filho de Pierre Dominique BERTHOLLET CAMPAN [1722–1791],
Mestre da Guarda-Roupa de Madame Adélaïde de France,
e de Antoinette GONET DE LONGUEVAL [c. 1730–])
— Separaram-se posteriormente —
Filho:
Henri BERTHOLLET CAMPAN (1784–1821)
Irmãos e irmãs
-
Jeanne Henriette GENET, conhecida como Madame Campan (1752–1822), filantropa.
Casou-se em 11 de maio de 1774 (quarta-feira), em Versailles, com Pierre Dominique François BERTHOLLET CAMPAN (1749–1797), Mestre da Guarda-Roupa de Madame, Condessa d’Artois. -
Julie Françoise GENET (1753–1828)
-
Adélaïde Henriette GENET, conhecida como Madame Auguié (1758–1794)
Casou-se em 11 de julho de 1779 (domingo) com Pierre César AUGUIÉ (1738–1815) -
Anne Glafire Sophie GENET (1761–1856), Camareira de Madame Elisabeth
Casou-se em 26 de maio de 1781 (sábado), em Versailles, com Antoine Lucien PANNELIER (c. 1757–) -
Edmé Charles Edmond GENET (1763–1834), Embaixador da França
Casou-se em 16 de Brumário do Ano III (6 de novembro de 1794), em Nova York (EUA), com Cornelia TAPPEN-CLINTON (1774–1810)
Casou-se novamente em 31 de julho de 1814 (domingo) com Martha BRANDON-OSGOOD (1787–)
Avós paternos, tios e tias
- Edmé Jean GENET (1690–1761), oficial de justiça (huissier), casado em 1721 com
- Jeanne DU ROCH DE BÉARN (c. 1686–1766)
Relações
- Filha adotiva: Anne M. Chérie de La Chaise de Martigny (1780–1849)
- Filha adotiva: Adélaïde Victoire Sophie Crouzet (1793–1825), secretária de Madame Campan
- Filha adotiva: Adélaïde Louise Clémence Gamot (1799–1848)
- Filha adotiva: Athénaïs M. Françoise Sanegon (1806–1883)
Notas Individuais
Madame Campan, camareira da rainha Maria Antonieta, permaneceu na posteridade graças às suas Memórias, um testemunho histórico da vida na Corte na época de Luís XVI.
Próxima da soberana, ela nos permite adentrar na intimidade da rainha e oferece uma nova luz sobre sua personalidade. Contudo, a veracidade de seus escritos é discutida por historiadores contemporâneos.
Leitora das filhas do rei, primeira camareira da rainha, escapou por pouco do Terror Revolucionário. Arruinada, fundou um pequeno pensionato que teve entre suas alunas Hortense de Beauharnais. À frente da casa de Écouen (1807–1814), adaptou o programa de Saint-Cyr para um sentido mais prático.
Obras principais:
- Mémoires sur la vie privée de Marie-Antoinette
- De l’éducation des femmes
- Conseils aux jeunes filles
- Théâtre à l’usage des jeunes personnes
Nascida em Paris em 1752, filha de um burguês, Madame Campan entrou para a Corte aos quinze anos como leitora das filhas caçulas de Luís XV. De temperamento vivo e determinado, foi nomeada, em 1784, primeira camareira de Maria Antonieta, a quem serviu até 1792.
Atenta, observadora e inteligente, compartilhou não apenas a intimidade da rainha, mas também inúmeros segredos de Estado. Dos esplendores de Versalhes à fuga de Varennes, esteve na linha de frente de eventos que marcariam a França e a História.
Madame Campan criou a Escola de Saint-Germain-en-Laye para moças (hoje Instituto Notre-Dame). Em sua lápide está escrito:
“Ela foi útil à juventude e consolou os infelizes.”
Um verdadeiro programa de vida — ao qual a Société des Amis de Madame Campan deseja dar continuidade.

Apesar de tudo, Madame Campan não foi mais perturbada durante o Terror. Retirou-se para o campo e passou, em condição obscura, o período mais sombrio da Revolução. O 9 de Termidor lhe devolveu a segurança, mas ela estava sem recursos. Para sobreviver, teve a ideia de abrir um pensionato para meninas em Saint-Germain-en-Laye. Era um tempo em que o gosto pela boa educação, pela elegância e pelas boas maneiras começava a renascer. A presença de uma mulher que havia vivido na antiga corte e conservado suas tradições foi recebida com entusiasmo.
Logo, entre suas alunas estavam a filha e a sobrinha de Madame de Beauharnais, além das duas irmãs mais novas de Bonaparte. O primeiro cônsul colocou o novo estabelecimento sob sua proteção, e cada passo de sua meteórica ascensão fortaleceu o sucesso da instituição.
Em 1807, Napoleão nomeou Madame Campan diretora da Casa da Legião de Honra em Écouen. Durante todo o Império, esse prestígio se manteve inabalável. Porém, com a restauração de Luís XVIII, veio a completa desgraça.
Ao ser afastada de seu posto, Madame Campan decidiu registrar os ensinamentos que havia transmitido às suas alunas e os princípios pedagógicos aplicados em Saint-Germain e Écouen. Seu tratado De l’éducation não pretende ser literário, mas é original e fértil em ideias. Para compreender sua influência, é preciso lembrar como a educação feminina era negligenciada antes dela.
http://www.france-pittoresque.com/spip.php?article1015
A Obra de Madame Campan
A obra de Madame Campan (Jeanne-Louise-Henriette Genet Campan, 1752–1822) é de grande relevância histórica e pedagógica. Ela foi uma mulher notável de seu tempo, conhecida por sua atuação como primeira camareira da rainha Maria Antonieta, além de sua importante contribuição à educação feminina na França pós-revolucionária.
1. Memórias sobre a vida privada de Maria Antonieta
(Mémoires sur la vie privée de Marie-Antoinette) – Publicada em 1822, logo após sua morte, essa é sua obra mais conhecida. Trata-se de um testemunho direto da vida na corte de Luís XVI, repleto de detalhes sobre a intimidade da rainha, o cotidiano de Versalhes e os eventos que levaram à Revolução Francesa. Apesar de valiosa, a obra gerou polêmicas sobre sua veracidade e fidelidade histórica, sendo questionada por alguns historiadores. Ainda assim, é uma fonte insubstituível para compreender o clima da época.
2. De l’Éducation (Da Educação) – 1824
Obra pedagógica na qual Madame Campan expõe os princípios que norteavam seu método de ensino nas instituições que fundou e dirigiu (como o colégio de Saint-Germain-en-Laye e, mais tarde, a Maison d’Écouen). Ela defendia uma educação sólida, intelectual e moral, para formar mulheres cultas, disciplinadas e preparadas para os deveres familiares e sociais. Sua abordagem era inovadora para a época, ao valorizar a instrução das meninas com igual seriedade à dos meninos.
3. Théâtre à l’usage des jeunes personnes (Teatro para uso das jovens) – 1826
Uma coletânea de peças teatrais educativas escritas para serem encenadas por suas alunas. O teatro era usado como ferramenta pedagógica para desenvolver expressão verbal, memória, comportamento social e valores morais.
4. Conseils aux jeunes filles (Conselhos às jovens) – 1825
Obra que reúne orientações práticas e morais destinadas a jovens mulheres, tratando de temas como comportamento, virtude, modéstia, leitura, religião e papel da mulher na sociedade. Reflete seu ideal de educação feminina como base para o bom funcionamento da sociedade e da família.
5. Manuel de la jeune mère (Manual da jovem mãe) – 1828
Guia para a educação física e moral das crianças, voltado às mães, principalmente as ex-alunas de suas instituições. Reforça a importância da maternidade consciente e da educação desde os primeiros anos de vida.
6. Lettres de deux amies élèves d’Écouen (Cartas de duas amigas alunas de Écouen) – 1824
Romance epistolar que retrata a vida cotidiana em uma instituição educacional fictícia (baseada em Écouen), através da troca de cartas entre duas amigas. Oferece um panorama do ensino, das amizades, da disciplina e da formação de caráter proporcionados pela escola.
7. Journal anecdotique (Diário anedótico) – publicado postumamente, reúne memórias e observações recolhidas pelo Dr. Maigne, médico e amigo próximo de Madame Campan. A obra preserva episódios da corte e da Revolução com sabor pessoal e humano.
Legado
Madame Campan foi uma das pioneiras na educação moderna das mulheres na França. Seu trabalho influenciou gerações e foi crucial para a valorização do papel educativo das mulheres na sociedade pós-revolucionária. Suas instituições formaram jovens mulheres de famílias aristocráticas e burguesas, incluindo:
- Hortense de Beauharnais (rainha da Holanda)
- Caroline Bonaparte (rainha de Nápoles)
- Pauline Bonaparte
- Stéphanie de Beauharnais (grã-duquesa de Baden)
Na lápide de Madame Campan está escrito:
“Elle fut utile à la jeunesse et consola les malheureux.”
(“Ela foi útil à juventude e consolou os infelizes.”)
Essa frase resume perfeitamente a missão de sua vida.
