
Com a partida, para outros campos de trabalho, de uma das mais queridas amigas de nossa amada instrutora, Madame Blavatsky, é justo recordar o bom trabalho que ela realizou no jardim do Mestre. A Condessa Constance Wachtmeister faleceu há poucos dias em Los Angeles, na avançada idade de 73 anos.
Desde o momento em que veio a Würzburg, na Alemanha, para cuidar de Madame Blavatsky — que naquele tempo se ocupava em escrever A Doutrina Secreta — até o falecimento desta última, manteve-se entre ambas uma amizade muito calorosa.
Seu coração e sua mente, repletos até a borda com a verdade e a beleza da Teosofia, fazem com que não seja de admirar que a Condessa tenha se tornado uma propagandista tão zelosa. Visitou todas as Seções da S.T. e trabalhou em diversas Lojas espalhando as boas-novas.
Seu tempo, sua energia e seus recursos estavam sempre à disposição da Causa, e a muitos buscadores da verdade deu o primeiro impulso para estudar nossa filosofia ou unir-se às nossas fileiras.
Sua profunda seriedade, aliada a seus modos maternais, impressionava a todos que a encontravam.
Talvez não fosse tão eloquente quanto nosso presidente, mas era muito convincente em sua linguagem simples nas conferências, conversas e palestras domésticas.
Não esquecerei facilmente a primeira vez em que a encontrei. Foi em 1894, em Portland, Oregon, na casa da família Reed (que mais tarde originaria a Loja de Akron, Ohio), onde ela se hospedava. Reuniu-se no salão um grupo de membros para conhecê-la. Depois de algum tempo, expressou o desejo
de permanecer a sós por um instante com o autor, e tivemos um interessante tête-à-tête.

Ela havia sido médium espiritualista e ainda possuía poderes psíquicos. Superara sua mediunidade seguindo as instruções de Madame Blavatsky. Trocamos experiências nesse campo de nossas investigações e discutimos os problemas que então pairavam sobre a Sociedade
por causa de W. Q. Judge.
Por fim, fez-me a proposta de realizar uma viagem pelos Estados Unidos e Canadá com seu filho, o Barão Axel, para difundir a Teosofia, ela arcando com todas as despesas.
Eu me vi em um dilema. É verdade que, desde que entrei para a Sociedade, em outubro de 1878, a Teosofia, tal como ensinada então, gradualmente crescera dentro de mim; mas, como holandês de nascimento, eu sabia que meu sotaque seria um obstáculo para as audiências; além disso, minha experiência de tribuna era, naquele tempo, bastante limitada. Sabia também que o público poderia ser alcançado muito melhor por seus próprios filhos e filhas do que por um estrangeiro adotado. Por essa razão, disse-lhe que me via obrigado a recusar sua proposta. Percebi claramente que ela não gostou da recusa, mas, de qualquer forma, deu-me seu retrato, tendo inscrito seu nome no verso como lembrança
de nosso encontro — algo que guardarei até o fim de minha vida.
Ela era vegetariana estrita e vivia, de fato, “a vida simples”. À mesa dos Reed, durante sua estada em Portland, sentava-se ao meu lado, e os alimentos mais simples lhe bastavam plenamente. Chegara até mesmo a abandonar o uso de manteiga.
Devemos lamentar porque ela nos deixou? Creio que não! Ela deixou o mundo mais bem informado do que o encontrou, e sua contribuição para isso vai para o lado correto do livro kármico; de modo que, ao retornar, encontrará ampla oportunidade de servir novamente ao Mestre e à Sua obra.
A seu filho, o Barão Axel, estendemos nossa consolação; a ela, nosso contínuo amor e boa-vontade; ao Mestre, nossa mais profunda gratidão por nos ter concedido tão capaz e zelosa colaboradora.
— C. H. van der Linden
Santa Rosa, 24 de setembro de 1910.
Fonte: The American Theosophist
