MAIO

Estou cansado de conjecturas, – Isso deve pôr-lhes um fim. Assim estou duplamente armado: a minha morte e aminha vida, O meu veneno e o meu antídoto, estão ambos diante de mim:

Num instante isto conduzirá ao meu fim;

Mas isto informa-me de que nunca morrerei.

A alma, segura na sua existência, sorri

Ao desembainhar do punhal e desafia seu gume.

As estrelas empalidecerão, o próprio Sol

Enfraquecerá com a idade e a natureza perecerá com os anos;

Mas tu florescerás em imortal juventude,

Poupado à guerra de elementos,

Aos destroços da matéria, e ao choque dos mundos.

– ADDISON, Catão, Ato I, Cena I, linha 20-31.*

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* Addison, Joseph. Catão: Uma Tragédia. Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa. Tradução: Adelaide Meira Serras.

https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/8083/1/V5_joseph_addison_adelaide_meira_serras.pdf

MAIO

1

O Espírito eterno está por toda parte. Ele abrange o mundo inteiro.

2

Aquele que alimenta o faminto antes de aliviar a própria fome, prepara para si o alimento eterno. Aquele que renuncia a este alimento pelo bem de um irmão mais fraco é – um deus.

3

O altar no qual o sacrifício é oferecido é o Homem; o combustível é a própria fala, a fumaça, a respiração, a luz, a língua, as brasas, o olho, as faíscas, a orelha.

4

Um momento na eternidade é tão importante quanto qualquer outro momento, pois a eternidade não muda, nem uma parte é melhor do que outra.

5

É melhor um homem comer um pedaço de ferro em brasa do que quebrar seus votos.

6

Mesmo um homem bom tem dias maus, enquanto suas boas ações não tiverem amadurecido; mas quando elas amadurecerem, então o bom homem terá dias felizes.

7

O mal é feito por nós mesmos, por nós mesmos é que sofremos; por nós mesmos o mal deixa de ser feito, por nós mesmos ele é purificado.

8

A pureza e a impureza pertencem a cada um de nós; ninguém pode purificar o outro.

9

O Eu é o senhor de Si mesmo: quem mais poderia ser o senhor! Com o eu subjugado, um homem encontra um mestre como poucos podem encontrar.

10

Se um homem conquistar em batalha mil vezes mil homens, e se outro conquistar a si mesmo, este é o maior dos dois conquistadores.

11

Quem é um grande homem? Aquele que tem mais paciência. Aquele que suporta pacientemente o sofrimento e leva uma vida irrepreensível – este é verdadeiramente um homem!

12

Se já cometeste ou desejas cometer más ações, podes correr para onde quiser, não te livrarás do sofrimento.

13

Há um caminho que leva à Riqueza; há outro caminho que leva ao Nirvana.

14

Uma má ação não acontece de repente, como o leite em coalhada; ela é como fogo que arde nas cinzas, que queima o tolo.

15

Uma má ação não mata instantaneamente, como a espada, ela acompanha aquele que a praticou à sua próxima existência e ainda no renascimento seguinte.

16

O caluniador é como aquele que joga sujeira em outro quando o vento sopra ao contrário, a sujeira volta sobre quem a jogou.

17

O homem virtuoso não pode ser ferido, o mal que seu inimigo lhe infligiria volta para ele mesmo.

18

A natureza se sustenta pelo antagonismo. As paixões, a resistência, o perigo, são educadores. Nós adquirimos a força daquilo que superamos.

19

Se um homem entende o eu quando este diz “Eu sou Ele”, o que mais ele poderia almejar ou desejar que devesse obter por meio do corpo?

20

Aquela palavra que todos os Vedas registram, que proclamam todas as penitências, que os homens desejam quando vivem como discípulos religiosos, essa palavra, eu te digo brevemente, é OM.

21

Como uma pessoa que viu alguém em um sonho, a reconhece depois; assim aquele que alcançou a concentração adequada da mente percebe o EU.

22

É melhor cumprir o nosso próprio dever, mesmo que imperfeitamente, do que cumprir bem o dever de outro.

23

O sábio que conhece o Eu como algo sem corpo dentro dos corpos, como algo imutável em meio às coisas mutáveis e como algo grande e onipresente, este sábio não se lamenta.

24

O caminho da virtude está na renúncia da arrogância e do orgulho.

25

Aquele que prejudica outro injustamente se arrependerá, ainda que os homens o aplaudam; mas aquele que é injustiçado está a salvo do arrependimento, ainda que o mundo possa culpá-lo.

26

É preciso mais coragem para enfrentar o mundo de frente e sem distorções, do que para entrar no covil de um animal selvagem.

27

A verdadeira clemência está em desistir da vingança, quando ela está a seu alcance; a verdadeira paciência consiste em suportar decepções.

28

O homem feliz deve se preparar para quando os dias difíceis chegarem; e quando isso acontecer, que o console o pensamento de que todo bom e grande homem teve que sofrer em algum momento.

29

A riqueza nas mãos de quem não pensa em ajudar a humanidade com ela, com certeza em se converter um dia em folhas secas.

30

Tal como a noite segue o dia, o infortúnio é a sombra da alegria; o Carma distribui ambas as coisas.

31

A águia não caça moscas; porém até a águia é perturbada por elas.