SETEMBRO
“Não deverá haver um ‘Depois’ tão bom como o ‘Agora’?
Felizmente, muito melhor . . . Por isso estou sem temor
e por este motivo, Santo Personagem, é feliz minha vida,
se bem que não me esqueça das outras vidas
dolorosas, pobres, débeis e miseráveis,
para as quais voltam os deuses a sua piedade! Porém, quanto a mim, procuro fazer o que me parece bom
e vivo obediente à lei, com a esperança
que o que chegará e deve chegar será bom”.
— EDWIN ARNOLD, A Luz da Ásia, Livro Sexto. Ed. Pensamento.
SETEMBRO
1
Para quem dominou o eu pelo Eu, seu eu é um amigo; mas para aquele que não dominou os sentidos pela mente, o eu é um inimigo.
2
Os olhos são janelas através das quais se vê o coração. O cérebro é uma porta pela qual o coração pode escapar.
3
A devoção e a visão clara não são próprias dos que comem em excesso; nem dos que dormem em demasia, tampouco de quem fica muito tempo acordado.
4
Ao final de uma vida de estudo, o homem em posse de conhecimento se aproxima da Deidade; e ao final de muitas vidas, o sábio torna-se uno com o Todo.
5
Tristeza e ira, avareza e desejo, ilusão e preguiça, vingança e vaidade, inveja e ódio, censura e calúnia – são os doze pecados que destroem a felicidade do homem.
6
O lobo e a serpente mudam sua pele, mas não sua natureza.
7
Ao corvo seu filhote parece um rouxinol.
8
O cachorro late para a lua, mas a lua não lhe dá atenção; seja como a lua.
9
Que tua alma opere em harmonia com a inteligência universal, como a tua respiração faz com o ar.
10
Que a amargura nunca encontre morada no coração de uma mãe.
11
Não perverta o coração de um homem puro, pois ele se tornará teu pior inimigo.
12
Não torne um homem mau teu companheiro, nem aja a conselho de um tolo.
13
Não salve tua vida às custas da de outro, pois ele irá tirar duas vidas tuas em nascimentos futuros.
14
Não zombes dos defeitos alheios; não tenhas um comportamento orgulhoso para com teus inferiores; não firas os sentimentos dos pobres; sejas gentil com os mais fracos, e caridoso com todos os seres.
15
Não sacrifiques teu filho mais fraco ao mais forte, porém proteja-o.
16
Não te divirtas às custas daqueles que dependem de ti. Não zombes de um homem venerável, pois ele é superior a ti.
17
A morte é um camelo negro que se ajoelha à porta de todos. A morte é um amigo e um libertador.
18
Uma pequena colina em um lugar baixo acha que é uma grande montanha.
19
Os homens são gnomos condenados a trabalhos forçados no reino das trevas (ou ignorância).
20
Nós somos os verdadeiros trogloditas, habitantes das cavernas, embora chamemos nossa caverna de mundo.
21
Vivendo por anos no reino da noite, sonhamos que a escuridão é o dia inteiro.
22
Toda a vida é apenas uma promessa perpétua; um compromisso renovado, mas nunca realizado.
23
O homem é um rei destronado e expulso de seu reino; acorrentado numa masmorra.
24
O coração de um mendigo não se contentará com metade do universo; ele não nasceu para uma parte, mas para o todo.
25
Nossa vida é a antessala do palácio onde está o verdadeiro tesouro – a imortalidade.
26
É inútil tentar ouvir o eco do oceano agarrando a concha na qual ele está escondido; assim como é inútil tentar captar essa essência agarrando a forma na qual por um momento ela brilhou.
27
Quando nuvens escuras se chocam, o claro vislumbre do céu não pode ser visto.
28
Quando o silêncio desce sobre nós, podemos ouvir as vozes dos deuses, apontando sob a silenciosa luz da lei divina o verdadeiro caminho a seguir.
29
Todo o ar ressoa com a presença do espírito e das leis espirituais.
30
Sob as miríades de ilusões da vida, o espírito trabalha constantemente em direção ao seu objetivo; silenciosa, imperceptível e irresistivelmente, rumo à divindade.
OUTUBRO
