Com a partida de H. P. B. da Índia, em 1885, o centro espiritual do Movimento transferiu-se, necessariamente, para o Ocidente.

O Coronel Olcott era um organizador, mas não era profundamente filosófico nem capaz de ministrar ensinamentos de ocultismo. Limitou-se a desenvolver a Sociedade organizando Lojas. Assumiu também a edição do Theosophist após a partida de H. P. B.

Mas a parte mais vital do Movimento — as forças espirituais que, contínua embora invisivelmente, atraíam novos trabalhadores a se dedicarem à grande causa da Teosofia — estava centrada em torno de H. P. B.; e a Índia, por algum tempo, perdeu essa contribuição inestimável.

Foi durante a permanência de H. P. B. em Würzburg e Ostende que surgiu para o Movimento uma trabalhadora muito devotada: a Condessa Constance Wachtmeister (Fig. 112).

Ela tornou-se totalmente dedicada a H. P. B. e, após a morte desta, a Mrs. Besant e ao seu trabalho. Nos últimos anos, porém, afastou-se da associação com o Movimento. Mas, nos primeiros anos de sua atuação, foi uma trabalhadora incansável, dedicando todo o seu tempo e seus recursos à causa da Teosofia.

Também se tornaram dedicados seguidores de H. P. B. dois jovens: Bertram Keightley (Fig. 113) e seu primo Dr. Archibald Keightley (Fig. 114).

Com eles — e alguns outros — formou-se ao redor de H. P. B. um grupo que não apenas lhe era leal, mas fazia todo o possível, contribuindo para seu conforto físico, para tornar sua vida um pouco mais fácil do que havia sido por muitos anos.

A saúde de H. P. B. era precária, e ela encontrava-se continuamente sob cuidados médicos. Contudo, continuou seu trabalho na Doutrina Secreta.

Em 1887, H. P. B., com seu pequeno mas devotado grupo, estabeleceu-se em Londres — primeiro em Norwood, e depois no nº 17 da Lansdowne Road, W.

Foi nesse local que ela recebeu a visita de alguém que, após sua morte, desempenharia o papel principal seguinte no Movimento: Mrs. Annie Besant (Figs. 115 e 116), então célebre como líder do Livre-Pensamento ao lado de Charles Bradlaugh e como socialista, sendo uma das membros fundadoras da Fabian Society.

Ela foi formalmente admitida como membro da Sociedade Teosófica em 21 de maio de 1889.

Outros vieram juntar-se ao grupo — entre eles G. R. S. Mead (Fig. 117), Laura Cooper, Claude F. Wright, W. R. Old e Herbert Burrows (Fig. 119).

Com a presença de H. P. B. na Europa, a Sociedade Teosófica passou então a desenvolver-se muito rapidamente no Ocidente.

Naquela época havia em Londres apenas a “London Lodge of the Theosophical Society”, tendo A. P. Sinnett como presidente.

O Sr. Sinnett divergia profundamente de H. P. B. em alguns pontos. As opiniões de ambos não eram as mesmas quanto ao propósito do Movimento Teosófico; ele se opunha especialmente a trazer para a Sociedade, na Inglaterra, pessoas que não pertencessem às chamadas classes superiores.

Sinnett acreditava sinceramente que o maior bem para a Sociedade viria apenas se ela se iniciasse entre as camadas altas e cultas e, em seguida, filtrasse para as massas; e que, caso grandes números de pessoas sem posição “na sociedade” ingressassem, pouco poderiam fazer para promover a causa da Teosofia — apesar de toda a sua dedicação.

H. P. B., porém, via mais profundamente as necessidades do Movimento e, pouco depois de se estabelecer em Londres, organizou a Blavatsky Lodge. Essa Loja rapidamente atraiu os teosofistas mais ativos de Londres, que empreenderam uma vigorosa propaganda por todo o país.

Eles procuraram “tornar a Teosofia prática”, organizando atividades não apenas para as classes cultas, mas também para os pobres e ignorantes do East End de Londres.

É desnecessário dizer que a chegada de Mrs. Besant foi, nesse momento, uma ajuda extraordinária.

Uma nova revista — Lucifer — foi lançada por H. P. B., que associou Mabel Collins a ela como editora assistente. Pouco tempo depois, surgiram divergências entre H. P. B. e Mabel Collins (Fig. 120), e esta se retirou da Sociedade.

Ainda assim, o Movimento deve a Mabel Collins — ou melhor, ao Mestre que transmitiu sua contribuição por meio de “M. C.” — a joia teosófica Luz no Caminho e o belíssimo romance A Flor de Lótus Branca.

Os quartéis-generais de H. P. B. foram transferidos, em 1890, para o nº 19 da Avenue Road, N. W.; e, como o trabalho cresceu rapidamente, a casa vizinha, nº 17, também foi adquirida.

Essas duas casas tornaram-se a Sede de Londres, um centro muito poderoso de inspiração enquanto H. P. B. viveu — e também depois, enquanto Mrs. Besant as manteve como centro de atividades.

Fonte: Jinarajadasa – THE GOLDEN BOOK OF THE T.S.