Neste artigo publicado na revista Lucifer (Vol. I, No. 5, janeiro de 1888), Helena Blavatsky aborda a exclusão sofrida pelo Reverendo T.G. Headley da Igreja da Inglaterra. Ele foi boicotado durante 17 anos por não aceitar a doutrina da Penitência e teve suas tentativas de divulgar sua visão impedidas pelo jornal Times. Blavatsky comenta que é curioso como certos pregadores, como o Reverendo H.R. Haweis, têm permissão para pregar ideias ainda mais controversas sem serem censurados.

Haweis apresenta uma visão histórica da evolução da figura de Satã, explicando como inicialmente os atributos de Satã eram atribuídos a Jeová e como essas características negativas foram transferidas ao longo do tempo para o diabo, à medida que o conceito espiritual judaico evoluiu. Ele argumenta que a transformação do Satã bíblico de um anjo acusatório para o “Rei Diabo” é gradual, o que teria implicações profundas na teologia cristã.

Blavatsky reflete que a destruição do conceito de um diabo personificado por pregadores como Haweis ameaça a base da teologia cristã tradicional. Sem um Satã para justificar a redenção, a necessidade de Jesus e do sacrifício na cruz seria anulada, como argumentaram teólogos como o cardeal Ventura di Raulica e Gougenot des Mousseaux. Para eles, a existência do diabo é essencial para a lógica da redenção cristã e a validade da cruz.

O artigo, portanto, não apenas questiona a coerência doutrinária da Igreja, mas também destaca as contradições e inconsistências na forma como certas ideias teológicas são tratadas dentro do cristianismo institucional.