De Helena Petrovna Blavatsky
O livro Gemas do Oriente foi publicado em 1890 em Londres e Nova York. Desde então, foi republicado muitas vezes e traduzido em muitas línguas. Contém a sabedoria de diferentes nações e épocas. HPB usou amplamente Os Livros Sagrados do Oriente (SBE) – a prolífica série de cinquenta volumes que contém traduções de textos sagrados importantes, incluindo: hinduísmo, budismo, taoísmo, confucionismo, zoroastrismo, jainismo e islamismo. A série foi editada pelo famoso linguista e estudioso de religiões comparadas, Max Müller, que também é bem conhecido pelos estudiosos de A Doutrina Secreta. A SBE foi publicada pela Oxford University Press durante os anos 1879-1910.
Numa época em que as mentes ocidentais estão ocupadas com o estudo da literatura oriental, atraídas possivelmente por sua riqueza de expressão e imagens maravilhosas, mas não menos pela ampla e profunda filosofia de vida e pelas encantadoras doutrinas altruístas nela contidas, é oportuno apresentar ao público um livrinho útil e atraente como este.
Os Preceitos e Aforismos, compilados por “H.P.B.”, foram selecionados principalmente de escritos orientais considerados, em parte, ensinamentos, que agora atraem tanta atenção no Ocidente, e por cuja difusão a Sociedade Teosófica é a principal responsável.
Na medida do possível, nos esforçamos para tornar o livro atraente, útil e conveniente para todos.
Contém um Preceito ou um Axioma para cada dia do ano; temas de natureza teosófica, selecionados a partir de fontes não invariavelmente orientais, prefaciam cada mês; e o todo é embelezado com desenhos da pena de F.W., uma senhora teosofista.
Espera-se que nossos esforços encontrem a aprovação de todos os amantes do bem e da beleza, e que sejam úteis à causa da VERDADE.

W.R.O. [Walter R. Old]
AGOSTO
“A morte não tem poder para matar tua alma imortal,
Assim, quando teu corpo atual se transformar em barro
Busca um novo lar, e com não menos vigor
Inspira outro corpo com vida e luz.
Eu mesmo (bem, eu me lembro do passado),
Quando os ferozes gregos cercaram as muralhas sagradas de Troia,
Eu era o bravo Euforbo: e em medonho conflito
Derramei meu sangue sob a lança de Átrida.
O escudo que este braço carregou, vi recentemente
No santuário de Juno, um troféu dessa guerra”.
— JOHN DRYDEN, Fables, Ancient and Modern (Fábulas, Antigas e Modernas), do Livro 15o das Metamorfoses de Ovídio, 227-36.
1
O homem que negligencia a verdade que encontra na alma, a fim de seguir sua letra morta, é um servidor do tempo.
2
Aquele que não discerne o pão e o sal é pior que um lobo selvagem.
3
O homem que não hesita em projetar sua imagem no espaço e a chama de Criador, não tem escrúpulo em atribuir a Deus os próprios vícios.
4
Aquele que já foi enganado, teme o mal, e suspeita até mesmo da verdade.
5
Krishna, o deus de cabelos dourados, não respondeu aos insultos do rei de Chedi. O elefante brame ao rugido da tempestade e não ao uivo do chacal.
6
A grama flexível e macia não é arrancada pela tempestade, ao contrário do que acontece com as árvores altas. Os poderosos guerreiam só com poderosos.
7
Na árvore de sândalo habitam cobras; no tanque de lótus, jacarés; na felicidade há inveja. Não há prazeres que sejam puros.
8
Ninguém e nem coisa alguma está livre do mal. A árvore de sândalo tem suas raízes sugadas por cobras, suas flores atacadas por abelhas, seus galhos quebrados por macacos, sua copa comida por ursos. Nenhuma parte está livre do sofrimento.
9
Não sofras com respeito a teu sustento: a natureza vai prover. Quando uma criatura nasce, o peito da mãe provê o leite.
10
Quem deu ao cisne a sua brancura, ao papagaio suas asas verde-douradas, ao pavão seus tons iridescentes? Aquele que deu a eles não proverá também a vós?
11
Tem boa sorte aquele que possui contentamento. Não é a terra toda coberta de couro para aquele que usa sapatos?
12
Este mundo é uma árvore venenosa, carregada de dois frutos doces: a essência divina da poesia e a amizade do nobre de coração.
13
Pela queda de gotas de água o jarro é gradualmente enchido; eis a causa da sabedoria, da virtude e da riqueza.
14
Quem quer viver na memória de seus semelhantes deve tornar frutíferos todos os seus dias, pela generosidade, estudo e artes nobres.

15
Nenhum mergulho em água fria e limpa encanta tanto aquele que sente calor, nenhum colar de pérolas encanta tanto a donzela, quanto aos bons deliciam as palavras bondosas.

16
Os homens bons são variados. Alguns são como cocos, cheios de leite doce; outros, como a fruta jujuba, agradável só por fora.

17
Pessoas más são como vasos de barro, fáceis de quebrar, difíceis de juntar os cacos; os bons são como vasos de ouro, difíceis de quebrar e rapidamente reunidos.

18
Não seja amigo dos perversos – o carvão quando está quente, queima; quando está frio, mancha os dedos.
19
Evita aquele que tece calúnias em segredo e elogia em público; ele é como uma taça de veneno, com nata na superfície.
20
Um carro não pode andar com uma roda só; do mesmo modo o destino falha a menos que as ações dos homens cooperem.
21
O nobre tem prazer com o que é nobre; o vulgar não; a abelha sai da mata e se dirige ao lótus; não é assim com o sapo, embora viva no mesmo lago.
22
Como raios da lua que tremulam na água, realmente tal é a vida dos mortais. Sabendo disso, que o dever seja cumprido.
23
Banha-te no rio da alma, ó homem, pois a alma não é lavada com água.
24
A alma pura é um rio cuja fonte sagrada é o autocontrole, cuja água é a verdade, cujas margens são a retidão e cujas ondas são a compaixão.
25
De um presente a ser recebido ou dado, de uma ação a ser feita, o tempo bebe o sabor, a menos que realizados rapidamente.
26
Quando os fracos são privados de riqueza, suas ações são destruídas, como riachos secos nas estações quentes.
27
Aquele que quer um amigo impecável, deve abster-se de ter amigos.
28
Coma e beba com os amigos, mas não faça negócios com eles.
29
Não se consegue mel sem dificuldade. Ninguém passa a vida sem pesar e tristeza.
30
O vinagre não atrai a mosca, mas o mel. Uma língua doce tira a cobra da toca.
31
De que adianta dar conselhos a um tolo?
