Comentário sobre “Gemas do Oriente” de Blavatsky:

“O homem que não hesita em projetar sua imagem no espaço e a chama de Criador, não tem escrúpulo em atribuir a Deus os próprios vícios.”

Helena Blavatsky, em “Gemas do Oriente”, aborda nesta citação a tendência humana de antropomorfizar o divino, projetando características e imperfeições humanas em Deus. Esta reflexão é uma crítica à maneira como os seres humanos, muitas vezes, moldam suas concepções de Deus de acordo com suas próprias limitações e fraquezas.

Projeção da Imagem Humana

Blavatsky critica a prática de projetar a imagem humana no conceito de Criador. Quando os seres humanos fazem isso, eles tendem a atribuir ao divino as características humanas, incluindo suas fraquezas e vícios. Essa projeção não só limita a compreensão do divino, mas também distorce a verdadeira natureza de Deus, que deveria transcender as imperfeições humanas.

Atribuição de Vícios a Deus

Ao projetar suas próprias imperfeições e vícios em Deus, o homem acaba criando um conceito de divindade que é uma mera reflexão de si mesmo, em vez de uma compreensão mais elevada e transcendente. Isso pode levar à justificação de comportamentos e atitudes negativas sob a desculpa de que eles são de alguma forma sancionados ou exemplificados pelo divino.

Falta de Escrúpulos

Blavatsky aponta que essa falta de discernimento e reverência é indicativa de uma falta de escrúpulos. Ao não hesitar em atribuir suas próprias falhas a Deus, o homem demonstra uma falta de integridade espiritual e moral. Esta atitude reflete uma profunda incompreensão do divino e uma disposição para justificar os próprios vícios, distorcendo a pureza e a santidade que deveriam ser atribuídas a Deus.

Interpretação e Aplicação Contemporânea

Na prática contemporânea, esta citação pode ser interpretada como uma advertência contra a tendência de antropomorfizar o divino e de usar essa distorção como justificativa para comportamentos inadequados. Blavatsky nos encoraja a buscar uma compreensão mais elevada e pura do divino, que transcenda nossas próprias limitações humanas.

  1. Elevação do Entendimento Espiritual: É importante buscar um entendimento do divino que vá além das limitações humanas. Isso significa reconhecer que Deus ou o Criador está além das nossas falhas e vícios e que a verdadeira natureza do divino é uma de pureza e transcendência.
  2. Autoconsciência e Autocrítica: Esta citação nos incita a sermos mais autoconscientes e críticos de nossas próprias imperfeições. Em vez de projetar nossos vícios no divino, devemos reconhecê-los como nossos e trabalhar para superá-los.
  3. Integridade Espiritual: Manter a integridade espiritual significa reconhecer a santidade e a pureza do divino e não usar a religião ou a espiritualidade como uma desculpa para justificar comportamentos negativos. Devemos aspirar a um padrão mais elevado de moralidade e espiritualidade.

Este comentário sobre a citação de “Gemas do Oriente” de Blavatsky nos oferece uma visão sobre a importância de manter a pureza e a integridade na nossa compreensão do divino. Blavatsky nos adverte contra a prática de projetar nossas próprias falhas e vícios em Deus, encorajando-nos a buscar uma compreensão mais elevada e transcendental do Criador.