CORSON, HIRAM. Educador e autor americano, n. em Filadélfia, Pa., 6 de novembro de 1828; m. em Ithaca, N. Y., 15 de junho de 1911. . . . É em Ithaca que H.P.B. começou a escrever Isis Unveiled (Ísis Sem Véu) a sério, embora o início dele possa já ter sido feito antes de ela deixar Nova York. Ela escrevia cerca de vinte e cinco páginas de papel almaço por dia, sem acesso a nenhum livro, exceto os da extensa biblioteca dos Corsons, que não tinham nenhuma relação com seu assunto de todo modo.

CORSON, HIRAM. Educador e autor americano, n. em Filadélfia, Pa., 6 de novembro de 1828; m. em Ithaca, N. Y., 15 de junho de 1911. Recebeu sua primeira educação na casa dos pais, Joseph Dickinson e Ann Hagey Corson. Seu pai, um matemático de habilidades excepcionais, treinou-o em pensamento matemático; e senão quando Hiram tinha 15 anos que foi enviado para o Seminário Treemount em Norristown, Pa., onde, na escola clássica e de matemática do reverendo Dr. Samuel Aaron, e mais tarde na escola clássica do reverendo Dr. Anspach, em Barren Hill, Pa., ele passou cinco anos estudando, distinguindo-se tanto em matemática quanto em latim e grego.

No outono de 1849, Hiram foi para Washington, D.C., onde utilizou seu conhecimento de estenografia ligando-se ao corpo de reportagem do Senado dos Estados Unidos, servindo por algum tempo também como secretário particular do senador Lewis Cass. No verão de 1850 ele se ligou à biblioteca da Instituição Smithsonian, então sob a direção vigorosa do distinto bibliógrafo, prof. Charles Coffin Jewett. Sob a direção deste, Hiram recebeu treinamento minucioso em bibliografia e gestão de bibliotecas; ele também participou de alguns dos cursos literários e científicos realizados por destacados homens da ciência. Estimulado por isso, ele dedicou todo o seu lazer ao estudo de literatura – inglês, francês e alemão. Seu casamento, em setembro de 1854, com Caroline Rollin, uma senhora de nascimento francês e educação europeia, profundamente interessada em literatura, estimulou fortemente suas tendências literárias.

Em 1859, mudando-se a família para sua cidade natal, tornou-se professor público de literatura inglesa, atraindo como alunos muitas pessoas educadas. Ele tornou-se amplamente conhecido e querido. Em 1864 Princeton conferiu a ele o mestrado em Artes; e no ano seguinte o Girard College da Filadélfia elegeu-o para a cátedra de ciência moral, história e retórica. Logo depois ele aceitou a função mais agradável de dar aulas de retórica e literatura inglesa no St. John’s College, na Universidade de Cornell, onde lecionou até 1903, quando se tornou professor emérito, depois de uma longa e muito frutífera carreira.

Biblioteca de Hiram Corson

“É com seu trabalho como professor de literatura inglesa que o prof. Corson é mais familiarmente associado, e por isso ele talvez seja lembrado por mais tempo. Possuindo não apenas uma grande cultura e de um raro discernimento, mas também, de uma voz de alcance excepcional e simpatia singular, ele tem sido um intérprete e inspirador de incomum . . . Por mais de uma geração de vida ele esteve acima de tudo entre seus colegas como um porta-voz dos interesses mais elevados da alma; e em todas as classes que saíram de Cornell ele acendeu algo de seu próprio amor nobre pela literatura, de sua sensibilidade ao ideal, de seu desprezo pelo meramente material em atos e na vida. . . Por mais que apreciasse o antigo, ninguém foi mais impaciente com a mera convenção . . . Nenhuma impostura escapou de seu desprezo; nenhuma heresia de recebeu dele boas-vindas”. (W. T. Hewett, Cornell University, A History (Universidade de Cornell, Uma História), 1905, Vol. II, pp. 39-40.)

Nos muitos livros que o prof. Hiram Corson escreveu ou editou, ele lidou com a maioria das grandes fases das letras inglesas. Entre suas obras, devem ser mencionados como sendo, cada uma delas, exemplos de profunda erudição e nobre objetivo: Handbook of Anglo-Saxon and Early English (Manual de Anglo-Saxão e Inglês Primitivo, 1871); The University of the Future (Universidade do Futuro, 1875); An Introduction to the Study of Robert Browning’s Poetry (Introdução ao Estudo da Poesia de Robert Browning, 1886); An Introduction to the Study of Shakespeare (Introdução ao Estudo de Shakespeare, 1889); A Primer of English Verse (Um Primeiro Verso Inglês etc., 1892); The Aims of Literary Study (Os Objetivos do Estudo Literário,1895).

O prof. Corson não limitou sua atenção puramente às letras, ele era um zeloso oponente da escravidão, publicamente censurando muitos aspectos da religião organizada, e era profundamente apreensivo com os efeitos sociais da concentração da riqueza.

Em 15 de julho de 1874, a única filha de Corson morreu e o golpe foi devastador. Hiram Corson não encontrou conforto na religião das Igrejas e gradualmente recorreu ao espiritismo para algum sinal e garantia da existência contínua da filha. Mais tarde, ele se convenceu disso e sua crença no espiritismo tornou-se firmemente estabelecida. Ele leu os artigos do coronel Olcott no Daily Graphic de New York sobre as manifestações na casa dos Eddys em Chittenden, Vt., e também os artigos de H.P.B. atacando o Dr. Beard. Ele escreveu a H.P.B. para inteirar-se dos fatos reais e saber mais sobre ela. A partir deste contato casual sua amizade mútua cresceu, e depois de alguma correspondência espirituosa, os Corsons convidaram H.P.B. para visitar sua casa em Ithaca, N. Y. O convite foi aceito e H.P.B. passou algumas semanas com eles no outono de 1875. Os Corsons viviam naquela época na Casa de Richardson, na Rua Heustis, antes da época em que ocuparam Cascadilla Cottage, onde Hiram Corson morreu e onde muitos de seus livros foram escritos.

É em Ithaca que H.P.B. começou a escrever Isis Unveiled (Ísis Sem Véu) a sério, embora o início dele possa já ter sido feito antes de ela deixar Nova York. Ela escrevia cerca de vinte e cinco páginas de papel almaço por dia, sem acesso a nenhum livro, exceto os da extensa biblioteca dos Corsons, que não tinham nenhuma relação com seu assunto de todo modo. Depois que H.P.B. voltou para Nova York, algumas cartas adicionais foram trocadas com os Corsons, mas aparentemente, por uma razão ou outra, sua amizade esfriou. Alguma luz é lançada sobre este assunto por Eugene Rollin Corson, seu filho.

Caroline Rollin Corson, esposa do prof. Corson, era preeminentemente social por natureza; ela adotou com todo o coração o país de seu marido, e trouxe a ele não apenas uma rara simpatia intelectual, mas para o pequeno mundo de seus colegas e alunos uma amplitude de experiência em viagens, um refinamento e graça de modos, um conhecimento de livros e homens, e um charme de conversação que fez de sua casa um centro de cultura. Ela também se interessou pelo espiritismo, mas apenas moderadamente; ele nunca a dominou como fez com Hiram Corson. Ela aceitou a perda da filha com compostura e resignação, e seu interesse em H.P.B. era mais na própria mulher do que em suas doutrinas e missão. Ela não estava interessada no ocultismo; pelo contrário, era muito contra isso. Finalmente, entrou na Igreja Católica, onde aparentemente encontrou conforto, e faleceu em 21 de maio de 1901, em um convento em Rochester que frequentava de vez em quando para descansar e recolher-se.

Parece que o prof. Corson, sendo então um crente completo no espiritismo, não aceitava as restrições de H.P.B. com este movimento nem suas explicações sobre os fenômenos das sessões espíritas; ele tampouco estava satisfeito com certas declarações do coronel Olcott em suas palestras. Corson ficou do lado dos espíritas e publicou no Banner of Light de Boston, Mass., algumas acusações contra a boa fé de H.P.B. De acordo com seu filho, o prof. Corson “foi muito precipitado em sua repulsa de sentimentos; mais tarde ele percebeu isso e estava bastante disposto a admiti-lo. Sua tristeza e seu estado mental na época podem muito bem explicar o erro em que ele tinha caído… Meu pai acompanhou a história futura da Sociedade Teosófica com grande interesse; ele comprava os livros de H.P.B, bem como uma série de obras que foram o resultado direto da Sociedade na Índia”.

A última carta preservada entre H.P.B. e os Corsons foi escrita à Sra. Corson e datada de Nova York, 28 de agosto de 1878. Não há mais evidências de qualquer contato direto entre eles. As opiniões espíritas do prof. Corson foram expressas por ele em um livro intitulado Spirit Messages (Mensagens de Espíritos) publicado postumamente em 1911.

Fontes: H. Corson, Corson Family (Família Corson, 1906); N.Y. Times, 16 de junho de 17 de 1911; Murray E. Poole, A Story Historical of Cornell University (Uma História Histórica da Universidade de Cornell, etc., 1916); W. T. Hewett, Cornell University (Universidade de Cornell, etc., 1905); Eugene Rollin Corson, Some Unpublished Letters of Helena Petrovna Blavatsky (Algumas Cartas Inéditas de Helena Petrovna Blavatsky).Introd. e Comentários (1929).

Tradução: Marly Winckler

FONTE: Escritos Compilados de H. P. Blavatsky, Volume I – disponível na Amazon