Britten deixou a Sociedade Teosófica muito cedo, embora tenha tido algum contato com seus líderes até 1890. Sua reputação ficou algo nebulosa, no entanto, quando ela se juntou ao prof. Coues e outros na disseminação da calúnia de que Ísis Sem Véu havia sido escrito pelo barão de Palm.
HARDINGE-BRITTEN, Sra. EMMA (? -1899). Uma inglesa que, na juventude, tinha ido para Nova York com uma companhia teatral e tinha permanecido lá com a mãe. Sendo estritamente evangélica, ela se sentia fortemente repelida pelo que considerava as visões pouco ortodoxas dos espíritas, e fugiu horrorizada de sua primeira sessão espírita. Em 1856, ela foi novamente colocada em contato com o tema, e recebeu provas que impossibilitaram que ela duvidasse por mais tempo. Ela logo descobriu que ela mesma era uma médium poderosa. Um dos casos mais comprovados no início da história do espiritismo foi aquele em que ela recebeu a notícia de que o navio-correio Pacific tinha afundado no meio do Atlântico com todos a bordo; ela foi ameaçada de processo pelos proprietários do navio por repetir o que havia sido dito a ela por um suposto espírito de alguém da tripulação. A informação, no entanto, provou ser correta, e a embarcação nunca mais foi vista. Finalmente, a jovem tornou-se uma proeminente oradora, escritora e viajante pela a causa do espiritismo. Retornou à Inglaterra em 1866, onde escreveu seu trabalho: Modern American Spiritualism (Espiritismo Modermo Americano, Nova York, 1870). Emma Hardinge casou-se pela segunda vez em 1870 e tornou-se Sra. Britten. O Dr. W. Britten também era espírita. Por muitos anos, a Sra. Britten viajou o para cima e para baixo dos Estados Unidos proclamando as doutrinas do espiritismo em meio a muita oposição, pois ela era militante e anticristã em suas opiniões. Alguns adeptos do Espiritismo a consideraram como a São Paulo feminina desse movimento. Em 1878, ela e o marido foram juntos para a Nova Zelândia como missionários da causa, e ficaram lá vários anos. Durante esse período, a Sra. Britten escreveu suas Faiths, Facts and Frauds of Religious History(Crenças, Fatos e Fraudes da História Religiosa).
Uma das contribuições mais importantes da Sra. Britten para a história do espiritismo moderno é sua grande obra intitulada Nineteenth Century Miracles (Milagres do Século XIX, Manchester, 1883), que é copiosamente documentada e ilustrada com retratos raros. É neste trabalho (pp. 296 e 441) que ocorre um relato da formação da Sociedade Teosófica em que ambos os Brittens participaram desde o início.
Em 1876, enquanto ainda trabalhava na América, a Sra. Britten publicou em Nova York uma obra chamada *Art Magic; or, Mundane, Sub- Mundane and Super-Mundane Spiritism(Arte Mágica; ou, Espiritismo Mundano, Sub-Mundano e Super-Mundano). Ela afirmou que este trabalho tinha sido escrito por um adepto de seu conhecimento que ela viu pela primeira vez na Europa, e para quem ela estava apenas atuando como “Tradutora” e “Secretária”. O nome dele, ela disse, era Chevalier Louis. Este trabalho, seja qual tenha sido sua origem real, trata de alguns dos assuntos delineados mais tarde em maior extensão em Isis Unveiled (Ísis Sem Véu), mas contém também muitos erros e declarações curiosas. Encaminhamos o aluno ao fascinante e importante capítulo XII do Old Diary Leaves (Folhas de Um Velho Diário) do coronel H. S. Olcott, Vol. I, no qual o autor fornece todo o pano de fundo sobre este estranho trabalho. Esta descrição vale a pena uma leitura cuidadosa.
A Sra. Britten publicou também Ghost Land; or Researches on the Mysteries of Occultism (Terra de Fantasmas; ou Pesquisas sobre os Mistérios do Ocultismo, Boston, 1876) e fundou a revista The Two Worlds em Manchester, Inglaterra. Ela deixou uma marca indelével sobre o espiritualismo moderno.
Britten deixou a Sociedade Teosófica muito cedo, embora tenha tido algum contato com seus líderes até 1890. Sua reputação ficou algo nebulosa, no entanto, quando ela se juntou ao prof. Coues e outros na disseminação da calúnia de que Ísis Sem Véu havia sido escrito pelo barão de Palm. Infelizes e desnecessárias como tais circunstâncias são, e por mais que possam ser lamentadas, elas parecem ocorrer de tempos em tempos em muitas vidas de outra forma dedicadas à verdade, tanto quanto pode ser compreendido; e não pode haver dúvida de que a Sra. Britten se esforçou para expressar muitas ideias espirituais e preceitos nobres para o benefício dos outros, mesmo que seu próprio carma pessoal a tenha levado a fazê-lo através de um movimento puramente psíquico onde a verdade e o erro são muitas vezes dolorosamente confundidos.
Tradução: Marly Winckler
FONTE: Escritos Compilados de H. P. Blavatsky, Volume I – disponível na Amazon








