ÉLIPHAS LÉVI ZAHED. Pseudônimo de Alphonse-Louis Constant, renomado ocultista e escritor francês. Ele nasceu em 8 de fevereiro de 1810, em uma família pobre; seu pai era Jean-Joseph Constant, um sapateiro, e a mãe, uma mulher muito piedosa de considerável inteligência, era Jeanne-Agnès Beaucourt. A vida de Éliphas Lévi – o qual é muito mais conhecido por esse pseudônimo literário – pode definitivamente ser dividida em três épocas distintas. Durante a primeira delas, suas associações eram religiosas e clericais. Ele recebeu sua educação inicial em uma escola para meninos estabelecida pelo abade J. B. Hubault Malmaison em Paris, e participou de sua primeira comunhão aos 12 anos. Em parte por causa de sua própria inclinação, e em parte como resultado das influências a que foi submetido na época, ele recebeu um "empurrão" na direção de uma profissão clerical.

LÉVI ZAHED, ÉLIPHAS. Pseudônimo de Alphonse-Louis Constant, renomado ocultista e escritor francês. Ele nasceu em 8 de fevereiro de 1810, em uma família pobre; seu pai era Jean-Joseph Constant, um sapateiro, e a mãe, uma mulher muito piedosa de considerável inteligência, era Jeanne-Agnès Beaucourt. A vida de Éliphas Lévi – o qual é muito mais conhecido por esse pseudônimo literário – pode definitivamente ser dividida em três épocas distintas. Durante a primeira delas, suas associações eram religiosas e clericais. Ele recebeu sua educação inicial em uma escola para meninos estabelecida pelo abade J. B. Hubault Malmaison em Paris, e participou de sua primeira comunhão aos 12 anos. Em parte por causa de sua própria inclinação, e em parte como resultado das influências a que foi submetido na época, ele recebeu um “empurrão” na direção de uma profissão clerical. Em outubro de 1825, ele entrou no seminário de São Nicolau du Chardonnet, para concluir seus estudos clássicos e se familiarizar com o hebraico. Graduou-se em 1830 e foi para a faculdade de Issy, para estudar literatura; de lá ele se mudou para o seminário de Saint-Sulpice onde demonstrou considerável talento para a poesia, um talento que ele usou ao longo da vida. Em dezembro de 1835, tornou-se assistente de diácono, recebeu sua tonsura e fez votos muito estritos, que incluíam o celibato. Isso deve ter sido o resultado do entusiasmo juvenil em uma idade em que, como ele mesmo disse, ele não tinha consciência das experiências da vida. Enquanto dava lições para jovens, ele se apaixonou por uma delas, Adele Allenbach. Finalmente, teve que confessar isso ao seu superior, e o resultado foi que ele nunca foi ordenado e deixou o seminário em junho de 1836. Seu pai já tinha morrido, e a pobre mãe profundamente chocada com o que o filho havia feito, cometeu suicídio.

Seguiram-se anos durante os quais, Alphonse-Louis ganhava o sustento desenhando, pintando e com trabalho literário, para todos os quais ele tinha muito talento. Seus amigos mais próximos eram Flora Tristan e Alphonse Esquiros, escritores conhecidos da época. Dentro dele havia uma luta constante as tendências iniciais de sua vida de recolhimento e meditação, e inclinações mais mundanas que tiravam sua paz de espírito frustravam seus planos. Em julho de 1839, cedendo a estas tendências precoces, ele foi para o mosteiro beneditino de Solemnes, planejando permanecer lá permanentemente. Ele ficou totalmente decepcionado com o modo de vida que encontrou lá, embora sua estadia tenha produzido alguns bons resultados, uma vez que ele escreveu lá seu Le Rosier de Mai (A Rosa de Maio, Paris: Gaume, 1839) um livro de cânticos e lendas. Ele teve a oportunidade de mergulhar nos escritos dos gnósticos, dos primeiros Padres da Igreja, Cassien, e até mesmo madame Guyon, todos os quais influenciaram consideravelmente sua mente. Ele deixou Solemnes com pouco, senão recomendações, e voltou para Paris sem nenhum plano definido em vista.

É aproximadamente neste momento que começa a segunda época de sua vida, parcialmente sobrepondo-se à primeira. Após breves períodos durante os quais ele conseguiu alguns trabalhos supervisionando estudos em escolas religiosas, ele conheceu Le Gallois, um editor, que com entusiasmo decidiu publicar seu manuscrito intitulado La Bible de la Liberté (A Bíblia da Liberdade), uma obra que ele havia escrito em um espírito de grande rebeldia e em sua busca pela liberdade da opressão. Como esta obra era perigosa para a Igreja, os clérigos procuraram suborná-lo com dinheiro, para que consentisse em impedir a publicação do livro. Eles não tiveram sucesso, no entanto, e a obra foi colocada à venda em Versalhes, em 13 de fevereiro de 1841. Uma hora depois, a maioria das cópias foram confiscadas pelas autoridades e o próprio Alphone-Louis foi preso no início de abril de 1841, acusado no tribunal de atacar a moral pública e religiosa, e condenado a oito meses de prisão e uma multa de 300 francos. Na prisão, ele descobriu os escritos de Swedenborg, outro místico que exerceu uma influência muito marcante em sua mente. Ele foi ajudado na prisão pela amiga Flora Tristan que lhe levava comida adicional.

Deixando a prisão de Sainte-Pélagie em abril de 1842, Alphonse-Louis iniciou outros dois anos de perambulações e incerteza mental. Envolveu-se em pintura de murais, e tentou por algum tempo se reintegrar ao clero. Com o nome de Beaucourt, ele esteve em Choisy e Évreux, vivendo no Seminário e distinguindo-se por sua eloquência. A publicidade desfavorável nos jornais, provavelmente devida aos seus inimigos entre o clero, arruinou sua estadia lá e ele foi embora. Nessa época, ele estava estudando os escritos de Lully, Agripa e Postel, e escreveu outra obra intitulada La Mère de Dieu (A Mãe de Deus, Paris: Gosselin, 1844).

No outono de 1844 Alphonse-Louis abandonou suas vestimentas clericais, e aparentemente renunciou aos votos que tinha feito.

O lado emocional de sua vida, que negava toda a expressão mediante anos de disciplina religiosa extenuante, estava em um tumulto. Ele teve um caso com a Srta. Eugénie C. que resultou em um filho nascido três meses depois que ele se casou em uma cerimônia civil com a Srta. Naomi Cadiot, em 13 de julho de 1846, uma moça consideravelmente mais jovem do que ele. Este casamento durou cerca de sete anos durante os quais sua esposa foi muito útil para ele em várias circunstâncias difíceis. Ele parece não ter prestado atenção ao destino de seu filho natural até muitos anos depois.

Em 1846, publicou La Voix de la famine (A Voz da Fome, Paris: Ballay ainé, 1846. 8vo), uma obra que foi interpretada como instigante da luta de classes, e que o levou à prisão novamente; conquanto sentenciado a um ano e uma multa de mil francos, ele conseguiu sair após seis meses, principalmente devido aos esforços da esposa.

Em 1848, ele fundou um jornal intitulado La Tribune du peuple, e escreveu uma série de panfletos, a maioria dos quais continha ideias muito radicais, o que, naturalmente, não o ajudou em suas circunstânciasbastante tensas. Embora de natureza política, esses panfletos refletiam um alto idealismo e uma revolta interior contra as injustiças da época. Paralelamente, ele fazia trabalhos de decoração de interior de natureza artística, restaurava móveis e reformava vasos antigos. Em 1850, ele conheceu o renomado abade Migne, e foi encarregado por ele de preparar sua enorme Série Patrológica, o Dictionnaire de litterature chrétienne(Dicionário de literatura cristã, Migne, 1851, 4to), que forma o Vol. VII de sua Nouvelle enciclopédia théologique (Nova enciclopédia teológica).

No decorrer de sua vida de casado, ele teve quatro filhos, todos os quais morreram na infância. Em 1853, sua esposa, apaixonada por outro homem, fugiu – uma circunstância que deixou uma profunda ferida nocoração de Alphonse-Louis que nunca foi totalmente curada.

Na primavera de 1854 ele foi para London, conheceu Bulwer-Lytton e o envolveu-se com em algumas evocações mágicas, como a de Apolônio de Tyana, sobre o qual H.P.B. escreve no presente volume. Em 1855 ele fundou com Charles Fauvety La Revue philosophique et religieuse, um mensário que durou cerca de três anos ou mais. É nessa época de sua vida que Éliphas Lévi – como ele agora assinava seu nome – começou a publicar em fascículos seriais seu Dogme et Rituel de la haute magie (Dogma e Ritual de Alta Magia), que apareceu em forma de livro em1856 (Paris, Germer-Baillière). Outra peça de literatura “subversiva”, um poema desta vez, o levou para a prisão mais uma vez, mas foi perdoado por Napoleão III.

Em 1859 e 1861, respectivamente, apareceram na mesma editora duas outras obras de Éliphas Lévi, ou seja, l’Histoire de la magie (A História da Magia) e La Clef des grands mystères (A Chave dos Grandes Mistérios) – obras que lhe trouxeram considerável prestígio, reputação e estima; este foi um período bastantepacífico de sua vida durante o qual um número crescente de discípulos e seguidores, entre pessoas de poder e riqueza em Paris, ajudou-o financeiramente também.

Por pouco tempo, em 1861, ele se tornou maçom na Loja chamada Rose du parfait silence, mas se afastou enojado com o que encontrou nela.

Ele fez outra viagem a Londres e provavelmente teve uma influência considerável nos estudos de Bulwer-Lytton, como a obra deste último, A Strange Story (Uma Estranha História), definitivamente reflete.

Em 1865, Éliphas Levi publicou La Science des esprits (A Ciência dos Espíritos).

Sua esposa, após alguns anos de ausência, subitamente o processou, e em janeiro de 1865, um Tribunal Civil anulou seu casamento, como tendo sido contratado por um clérigo, sendo isso contra as leis da terra. Este fato, se nada mais, mostra que Éliphas Lévi nunca foi “excomungado”, como foi erroneamente dito por vários escritores.

O período de 1869-70 foi de esforço criativo, mas também de saúde debilitada. Éliphas Lévi tinha um coração que cada vez o incomodava mais.

Em 1870, sua sorte sofreu outro golpe por causa da Guerra Franco-prussiana. A maior parte de sua renda foi interrompida e ele passou momentos difíceis. Após o Comuna, em julho de 1871, ele foi convidado a visitar sua grande amiga, Madame Mary Gebhard, em Elberfeld, Alemanha, e ficou lá cerca de dois meses. Isso, claro, foi antes de Mary Gebhard conhecer H.P.B., e em um momento em que ela tinha encontrado nas obras de Éliphas Lévi o que ela estava procurando. Ela permaneceu sua fiel discípula até a morte, e costumava viajar para Paris uma vez por ano para vê-lo.* Ela recebeu dele o manuscrito original de Les Paradoxes de la Haute Science (Os Paradoxos da Alta Ciência). Ao consultor o Vol. VI, pp. 257-63. da presente série, o leitor encontrará uma exposição abrangente da história deste manuscrito, e como ele foi finalmente publicado com comentários do Mestre

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* Vide Vol. VI. de Collected Writings (Escritos Compilados) de H.P.B. onde, nas pp. 434-36, será encontrado um relato abrangente da Família Gebhard. Mary Gebhard nasceu em Dublin em 1832, e por algum tempo foi educada no convento de Sacré Coeur, em Paris.

 

  1. H. Madame Gebhard contribuiu para as páginas de The Theosophist (Vol. VIII, jan., 1886, pp. 241-42) algumas breves “Lembranças Pessoais de Éliphas Lévi”, que, infelizmente fornece uma imagem imprecisa deste homem notável.

Com o passar dos anos, Éliphas Lévi continuou a escrever e alguns de seus manuscritos inéditos foram copiados por alguns seus alunos mais próximos. Alguns desses fragmentos foram parar nas mãos de teosofistas, provavelmente através do barão Spedalieri, um de seus alunos, e foram publicados com tradução para o inglês em vários momentos nos primeiros volumes de The Theosophist.

O problema cardíaco de Éliphas Lévi finalmente causou-lhe hidropisia, e ele morreu calmamente em 31 de maio de 1875. O clero católico divulgou uma história de que ele havia se retratado e recebido comunhão antes de sua morte – uma história que foi negada por seus amigos mais próximos que conheciam as circunstâncias. Ele foi enterrado no Cemitério de Ivry, mas em 1881 foi colocado em uma cova comum, cujo local não é conhecido.

Outras três obras da pena de Éliphas Lévi foram publicadas postumamente. São eles: Le Livre des Splendeurs (O Livro dos Esplendores); Le Grand Arcane (O Grande Arcano, Paris: Chamuel, 1896; 2a ed., 1921); e Le Livre des Sages (O Livro dos Sábios, Paris: Chacornac, 1913)

A maioria das obras principais mencionadas acima foram traduzidas em vários momentos para línguas estrangeiras, e receberam distribuição mundial, de modo que os escritos de Éliphas Lévi se tornaram muito conhecidos em todo o mundo.

H.P.B. tinha um considerável respeito por Éliphas Lévi e sua erudição, mas advertia seus alunos contra aceitar literalmente alguns de seus ensinamentos. Segundo ela, ele expunha “a verdadeira Filosofia Hermética na linguagem bastante grosseira dos Videntes Judeus e para o benefício de um público cristão”; para ela ele era“sem dúvida um grande ocultista”, mas “sendo um escritor charmoso e espirituoso”, tem “mais mistificado do que ensinado em seus muitos volumes sobre magia”. Em nenhuma circunstância ela olhou para ele como umocultista prático.

Para um relato bastante abrangente e detalhado da obra e da vida de Éliphas Lévi, consulte Paul Chacornac, Éliphas Lévi: 1810-1875. Rénovateur de l’occultismo en France. Paris: Chacornac Frères, 1926, xviii, 300 pp., ilustrado.

Tradução: Marly Winckler

FONTE: Escritos Compilados de H. P. Blavatsky, Volume I – disponível na Amazon