HENRY STEEL OLCOTT. Presidente-Fundador da Sociedade Teosófica. Natural de Orange, N. J., 2 de agosto de 1832. . . . Certo dia, em julho de 1874, enquanto trabalhava em seu escritório de advocacia de Nova York, Olcott teve um desejo repentino de investigar o espiritismo contemporâneo. Ele comprou uma cópia do Banner of Light de Boston e leu o relato dos curiosos fenômenos que estavam então acontecendo na fazenda dos Eddy no município de Chittenden, Vt., e decidiu ir lá para ver por si mesmo. Ele conseguiu um contrato como repórter especial do Sun de New York, para este propósito e partiu para Chittenden. Depois de uma breve estadia lá, ele escreveu artigos que geraram sensação e foram publicados também por outros jornais do país.
HENRY STEEL OLCOTT. Presidente-Fundador da Sociedade Teosófica. Natural de Orange, N. J., 2 de agosto de 1832. Filho mais velho de Henry Wyckoff Olcott e Emily Steel, que se casaram em 19 de outubro de 1831, etiveram filhos. Henry Steel casou-se com Mary Epplee Morgan, em 26 de abril de 1860, seu pai sendo o reverendo Richard U. Morgan, reitor da paróquia Trinity, New Rochelle, N. Y. Tiveram três filhos e uma filha; o filho mais novo e a filha morreram na infância.* Os dois filhos sobreviventes de Olcott, mantiveram contato com ele mesmo após seu divórcio e sua identificação com a Sociedade Teosófica. Sua irmã, Isabella (Belle) Buloid (casada em 1860 com William Hinckley Mitchell, de Nova York) permaneceu sua amiga fiel durante toda a vida.
Por volta de 1630, várias famílias puritanas abastadas migraram para a Nova Inglaterra de sua terra natal. Dois homens com o nome de Thomas Olcott se estabeleceram no Novo Mundo nesta época. Um era um fazendeiro próspero, mas que vivia em Boston. O registro mais antigo dele data de 1630. Do outro, que o coronel Olcottacreditava ser provavelmente seu ancestral americano, se ouviu falar pela primeira vez em 1635. Ele então vivia em Newtown (agora Cambridge, Mass.). Em junho daquele ano, ele partiu para Hartford, Conn., onde se tornou um próspero comerciante. Ele fundou um centro de comércio para a Colônia de Connecticut.
O coronel Olcott era muito interessado em genealogia e fez uma boa dose de pesquisas, particularmente em relação aos seus próprios ancestrais. Ele encontrou um livro de Nathaniel Goodwin (1782-1855) intitulado The Descendants of Thomas Olcott (Descendentes de Thomas Olcott) etc., publicado em Hartford, Conn., em 1845, que continha informações biográficas detalhadas sobre os puritanos e os primeiros colonos. O coronel Olcott editou e publicou uma nova edição deste livro em Albany, N. Y. em 1874, no qual ele incluiu várias informações pertinentes que ele mesmo havia reunido. Ele também investigou os progenitores ingleses de sua família, mas não encontrou nenhuma prova absoluta de que nenhuma das seis famílias que ele rastreou eram seus antepassados. Havia nomes diferentes que, sem dúvida, indicavam uma relação próxima, como Alcock, Alcocks, Alcocke, Allcocks, Allcox, Alcot, Alcott, Ollcot, Olcot e Olcott. A heráldica consistia em um galo em pé sobre uma coroa, um globo ou uma única barra, em alguns casos cantando e em outros em silêncio.†
Um desses possíveis ancestrais era Nathan Alcock, que se formou em medicina em 1737 e tornou-se médico em 1741 no Jesus College,
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* Os quatro filhos eram: Morgan, n. 20 de janeiro de 1861; William Topping, n. 11 de junho de 1862; Henry Steel, n. 20 de março de 1864; e Bessie, n. 21 de junho de 1868.
† Consulte também a obra de Mary Louisa Beatrice Olcott intitulada The Olcotts and their Kindred from Anglo-Saxon times through Roncésvalles to Gettysburg and after. 2a ed., Nova York: National American Publications, 1956; 315 pp., ilustrada, bibliografia.
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Cambridge. O homem que o próprio Olcott acreditava ser seu ancestral mais provável era o Dr. John Alcock que nasceu em Beverley, Yorkshire, por volta de 1430, e morreu em 1o de outubro de 1500. Ele era reitor de Westminster, bispo de Rochester e Worcester, e em 1486 sucedeu o célebre Morton como bispo de Ely. Ele fundou em 1486 uma escola em Kingston-upon-Hull, e em 1496, o Jesus College em Cambridge, que ele estabeleceu no local do antigo convento de St. Radigund.
O nome da família era uma corrupção de duas palavras saxãs: eald (alemão ald, alt) que significa velho (old), e coc, um pássaro macho. O brasão de armas usado por Thomas Olcott consistia na cabeça de três galos, mostrando semelhança com o da família von Hahn da qual H.P.B. era descendente. Olcott mais tarde colocou um baixo-relevo na Biblioteca Ocidental em Adyar combinando os dois símbolos.
Finanças limitadas restringiram a educação de Olcott. Os negócios de seu pai falharam em 1851, obrigando Henry a assumir a agricultura. Ele estudou no College of the City de Nova York e mais tarde na Columbia University. Nessa época ele trabalhou numa pequena fazenda em uma base compartilhada por dois anos, depois voltou para Nova York, onde ele se dedicou ao estudo científico da agricultura. Quando a maioria dos jovens está começando sua carreira, Olcott já havia conquistado, aos 23 anos, o reconhecimento internacional como um excelente cientista da agricultura por seu trabalho na Fazenda Modelo da Agricultura Científica em Newark, N. J. Tornou-seco-fundador, com Henry C. Vail, da Westchester Farm School, perto de Mt. Vernon, N. Y., que foi pioneiro no atual sistema de educação agrícola nos E.U.A. baseado no modelo suíço, e foi a única escola privada dedicada exclusivamente à agricultura. Seu trabalho atraiu a atenção do governo grego que lhe ofereceu a diretoria da Universidade de Agricultura de Atenas, uma honra que ele declinou. Sua pesquisa com sorgo, recém importada então para os E.U.A., e seu reconhecimento de sua importância econômica, resultou napublicação de seu primeiro livro, Sorgho and Imphee, the Chinese and African Sugar-Cane (Sorgo e Impi, a Cana-de-açúcar dos Chineses e Africanos (Nova York: A. O. More, 1858), que teve sete edições, foi enviado a todas as bibliotecas do Estado de Illinois e prescrito como texto escolar. O governo dos Estados Unidosofereceu a Olcott a pasta da Agricultura, e dois proprietários privados ofereceram-lhe a administração de duas propriedades imensas; Olcott recusou estas ofertas, pois preferiu continuar independentemente.
Em 1858, Olcott fez sua primeira visita à Europa, objetivando a melhoria da agricultura, e seu Relatório do que ele viu foi publicado na edição de 1858-64 da New American Ciclopaedia*, de Appleton. Reconhecido como um especialista, ele se tornou correspondente americano da conhecida Mark Lane Express e editor de Agricultura do famoso Tribune de Nova York. Sua fase da vida de Olcott encerrou-se com eclosão da Guerra CivilAmericana.
Em 2 de dezembro de 1859, Olcott estava presente no enforcamento de John Brow em Charlestown, Va. Este homem havia sido um fervoroso defensor da abolição da escravidão, mas tinha feito justiça com as próprias mãos ocupando uma pequena cidade com um bando de seus seguidores. Ele foi preso e sentenciado à forca. Os virginianos estavam determinados a que nenhum nortista testemunhasse o enforcamento, mas o Tribune de Nova York queria alguém no local. Olcott se ofereceu para ir. Quando chegou a Charlestown,percebeu que tinha esquecido de pegar seu baú onde ele tinha uma etiqueta de Nova York com suas iniciais. A bagagem tinha que ser examinada pelo chefe-de-polícia. A situação era desesperadora, mas felizmente um jovem oficial que como irmão maçom reconheceu um sinal secreto que Olcott fez, e pegou o baú do palácio de justiça. Cerca de quatorze anos depois, Olcott escreveu um relato espirituoso do que havia testemunhado, que é uma obra-prima de reportagem.†
A paixão de Olcott pela liberdade levou-o a se alistar no Exército do Norte; ele passou por toda a campanha da Carolina do Norte sob o comando do general Burnside, e foi inválido para Nova York, tendo contraído disenteria, que periodicamente o atormentou mais tarde na vida. Assim que se recuperou, ele se preparou para partir novamente para o front, mas o governo, observando sua grande habilidade e coragem, escolheu-o
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* Editado por George Ripley e Charles A. Dana. O artigo de Olcott é intitulado “Escolas Agrícolas”; pode ser encontrado em Vol. I desta Ciclopaedia, e dá um relato bastante abrangente da história dessas escolas na Europa e na América.
Olcott também escreveu Outlines of the first Course of Yale Agricultural Lectures (Contornos do primeiro Curso de Agricultura de Yale), com uma Introdução de John A. Porter. Nova York: C. M. Saxton, Barker & Co., 1860; 186 pp.
† A descrição do coronel Olcott é intitulada “Como enforcamos John Brown”. Foi publicada na revista semanal New India, Nova Série, em 17 de novembro de 1928. É evidente pelo próprio texto que o relato foi escrito quatorze anos após o acontecimento. Apesar de uma pesquisa considerável, não foi possível verificar qual jornal ou revista americana publicou em primeiro lugar, ou qual foi a fonte da qual a New India a republicou.
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para conduzir um inquérito sobre fraude, corrupção e suborno no Departamento de Verificações e Desembolsos de Nova York. Ele foi nomeado Comissário Especial do Departamento de Guerra. Todos os meios foram tentados para interromper sua investigação resoluta, mas nem subornos nem ameaças poderiam impedir o jovem oficial determinado em sua conduta em uma campanha mais perigosa do que o combate. Ele lutou por quatro anos com oposição e calúnias, e descobriu todos os criminosos, enviando o pior para Sing Sing por dez anos. O Governo expressou seu apreço nesta ocasião escrevendo que o “a condenação era tão importante para o Governo quanto a vitória de uma grande batalha”, e recompensou Olcott promovendo-o ao posto de coronel.
Logo o Departamento da Marinha solicitou os serviços de Olcott para erradicar abusos nos estaleiros da Marinha. Com zelo resoluto e inflexível, ele fez uma limpa no Departamento, e reformou o sistema de contas. A extensão da apreciação do Governo por seu trabalho é vista na carta que o coronel Olcott recebeu do Secretário da Marinha, onde ele escreve:
“Gostaria de dizer que nunca encontrei um cavalheiro encarregado de deveres importantes, com mais capacidade, rapidez e confiabilidade do que foram exibidos pelo senhor durante todo o tempo. Mais do que tudo, desejo testemunhar toda a sua retidão e integridade de caráter, que tenho certeza de que caracterizou toda a sua carreira, que, pelo que sei, nunca foi atacada. Que o senhor tenha escapado, portanto, sem nenhuma mancha em sua reputação, quando consideramos a corrupção, a audácia e o poder dos muitos vilões em alta posição que o senhor tem perseguido e punido, é um tributo do qual o senhor pode muito bem se orgulhar, e que nenhum outro homem ocupando uma posição semelhante e realizando serviços semelhantes neste país jamais conseguiu”.
O coronel Olcott recebeu reconhecimentos semelhantes do juiz advogado-geral do exército e de outros oficiais.
Renunciando ao encargo em 1865, Olcott dedicou-se ao estudo de direito. A Associação de Advogados de Nova York confirmou em uma carta recente que ele foi admitido na ordem em maio de 1868. Por outro lado, a Universidade de Nova York, em uma carta datada de 16 de abril de 1964, afirmou que não há registro de onde Olcott estudou Direito. Eles sugeriram que ele provavelmente estudou em algum escritório de advocacia e foi admitido no Tribunal por conta de seu trabalho e experiência. Com sua energia habitual, Olcott lutou com os meandros da lei de seguros mal formulada, codificando suas práticas anárquicas. Tornou-se especialista em casos de Alfândega, Receita Pública e Seguros, e logo conseguiu uma boa e próspera clientela. O Tesouro da Cidade de Nova York o contratou como advogado para lidar com grandes processos contra a cidade. Como secretário da primeira Convenção Nacional de Seguros, ele preparou Notas que foram publicadas em dois volumes. Elas serviram como um trabalho padrão sobre seguros e a opinião do Insurance Journal foi que “nenhuma adição à literatura de seguros mais valiosa do que este livro compacto jamais foi publicado”. Ele elaborou um estatuto de seguros que foi aceito por dez Estados da União e promulgado em lei. A Companhia de Seguro de Vida de Nova York também o contratou para representar a profissão de seguros na Legislatura Estadual.
Apesar de sua preocupação com agricultura, os deveres governamentais e o trabalho legal, Olcott sentia um profundo fascínio pelo oculto e místico. Ele tinha acompanhado com grande interesse vários fenômenos psíquicos, como aqueles ligados com as Irmãs Steel, a partir de 1851; ele estudou todos os livros disponíveis sobre os temas do mesmerismo, hipnotismo e pesquisas congêneres, e descobriu que tinha uma certa quantidade de poder mesmérico que ele experimentou certa vez com sucesso na filha de um amigo que estava prestes a ser submetida a uma operação odontológica. Mas seu interesse em tais assuntos ocupava apenas uma posição subordinada aos seus deveres profissionais até que, em 1874, sua atenção foi atraída para alguns fenômenos espíritas extraordinários.
Certo dia, em julho de 1874, enquanto trabalhava em seu escritório de advocacia de Nova York, Olcott teve um desejo repentino de investigar o espiritismo contemporâneo. Ele comprou uma cópia do Banner of Light de Boston e leu o relato dos curiosos fenômenos que estavam então acontecendo na fazenda dos Eddy no município de Chittenden, Vt., e decidiu ir lá para ver por si mesmo. Ele conseguiu um contrato como repórterespecial do Sun de New York, para este propósito e partiu para Chittenden. Depois de uma breve estadia lá, eleescreveu artigos que geraram sensação e foram publicados também por outros jornais do país.
Após seu retorno a Nova York, Olcott foi persuadido pelo Daily Graphic de Nova York a retornar a Chittenden e escrever uma série de artigos para aquele jornal, com esboços a serem feitos por um artista. Olcott voltou para a herdade dos Eddys em 17 de setembro; seus artigos apareceram duas vezes por semana durante doze semanas, e os jornais que continham suas histórias eram vendidos por até um dólar por cópia. Vários editores competiram pelo direito de colocar esses relatos na forma livro e finalmente eles foram publicados em março de 1875, sob o título de *People from the Other World (Gente de Outro Mundo) pela American Publishing Company de Hartford, Conn., ilustrado por Alfred Kappes e T.Williams.
Olcott ficou em Chittenden até o início de novembro de 1874, e, como é bem conhecido, conheceu H.P.B. que havia ido para lá em 14 de outubro acompanhada por uma senhora franco-canadense.*
Tal foi o pano de fundo do futuro Presidente-Fundador da Sociedade Teosófica. Olcott levou para sua tarefa teosófica uma ficha imaculada de serviço público, uma percepção aguçada, uma grande capacidade de trabalho; e um altruísmo que H.P.B. declarou em uma data posterior que jamais tinha visto igual fora do Âsrama dos Mestres.
A vida do coronel Olcott de 1874 em diante é quase idêntica à própria história da S.T., desde sua fundação até sua morte em 1907. Suas muitas viagens e os principais acontecimentos de sua carreira teosófica, de 1874 até a morte de H.P.B., em maio de 1891, e depois, estão cronologicamente listados (com referências de fonte) nas Pesquisas Cronológicas especiais apensas a cada um dos Volumes dos Escritos Compilados, e, portanto, não serão repetidas aqui. Alguns pontos especiais, no entanto, requerem elucidação, pois não podem ser claramente delineados em uma breve Pesquisa Cronológica.
O papel desempenhado pelo coronel Olcott na produção de Isis Unveiled (Ísis Sem Véu) é explicado totalmente na parte introdutória da edição desta obra, que faz parte da presente Série de Escritos Compilados.As Letters from the Masters of the Wisdom (Cartas dos Mestres da Sabedoria), Primeira e Segunda Séries, transcritas e anotadas por C. Jinarâjadâsa, também devem ser consultadas para várias novas luzes no início do trabalho teosófico nos E.U.A.
Durante esse período, o coronel Olcott teve muitos problemas para resolver outros que não os de natureza teosófica. Sua esposa não aprovava suas novas atividades, pois elas interferiam obviamente com o trabalho profissional como provedor da família. Na véspera de sua partida para a Índia, ele evidentemente perdeu a quantia de dez mil dólares por um trabalho jurídico, que ele poderia ter ganho se tivesse permanecido na América.
Quando o coronel Olcott estava prestes a partir para Índia, ele recebeu do Presidente dos E.U.A. uma carta assinada e endereçada a todos os embaixadores e cônsules americanos, ao passo que o Secretário de Estado deu a ele um passaporte diplomático especial, encarregando-o de
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* Olcott, Old Diary Leaves, I, 1-5, 10.
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promover relações culturais e outras entre os E.U.A. e outros países do mundo.
Em solo indiano, o coronel Olcott encontrou pobreza, doenças e ignorância, e mergulhou desde logo em atividades de cunho extenso destinadas a uma regeneração global da Índia. Ele viajou – tanto sozinho quanto com H.P.B. – largamente e por toda parte, dando palestras para milhares de pessoas; ele organizou a primeira Exposição Swadeshi* de artes e artesanato indiano, instando o povo a proteger suas artes e indústrias nacionais; ele fundou uma escola para os panchamas, os intocáveis, o primeiro do tipo na Índia; ele deu um grande impulso ao renascimento do sânscrito, estabeleceu uma biblioteca única em Adyar e começou a coletar manuscritos de folhas de palmeira que hoje somam 15.000 ou mais. Ele pleiteou pela reforma da vida social que se tornou decadente com o tempo e despertou o patriotismo do povo, que resultou na formação da Indian National Union (União Nacional Indiana) em 1884, mudou no ano seguinte para Indian National Congress(Congresso Nacional Indiano) em que A. O. Hume foi tão ativo. Um número considerável de suas palestras sobre as grandes religiões e temas congêneres foi publicado como A Collection of Lectures on Theosophy and Archaic Religions (Uma Coleção de Palestras sobre Teosofia e Religiões Arcaicas, publ. por A. Theyaga, Rajier, M.S.T., Madras, 1883. 218. pp.); uma ed. revisada e ampliada com o título de Theosophy, Religion and Occult Science (Teosofia, Religiões e Ciência Oculta) foi publicada por Geo. Redway em Londres em 1885.†
A contribuição de Olcott para o renascimento do budismo no Ceilão é um dos subprodutos mais insignificantes de sua atividade teosófica, repercussões das quais são ouvidas até hoje em várias partes do mundo budista.
Devemos ter em mente que na segunda metade do século XIX, os britânicos, seguindo a dominação portuguesa e holandesa, tinham se estabelecido firmemente no Ceilão e sua
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*Uso exclusivo de produtos e manufaturas indianos (N. da T.)
†A atividade literária do coronel Olcott foi muito considerável. A maioria de suas contribuições foram na natureza de artigos e ensaios sobre uma grande variedade de assuntos ocultos e teosóficos, publicados nos primeiros dias no Cientista Espiritual de Boston, Mass., e no Espiritualist de Londres, e a partir de outubro de 1879, nas páginas de The Theosophist. Alguns artigos e comentários dispersos apareceram em outros periódicos não teosóficos. Olcott também se traduziu para a famosa obra de Adolphe d’Assier, sob otítulo de Humanidade Póstuma. Um estudo de Fantasmas (Londres: Geo Redway, 1887), ao qual ele adicionou um apêndice mostrando as crenças populares atuais na Índia respeitando as vicissitudes pós-morte da entidade humana.
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linguagem, religião e costumes tinham criado raízes firmes. O povo usava o inglês para o trabalho de rotina e achava que degradante usar o cingalês ou o tamil. As escolas missionárias eram voltadas para a produção de funcionários para empresas mercantes governamentais e britânicas. As indústrias locais de habitações e o cultivo de arroz – a principal economia anterior – eram consideradas ocupações inferiores.
Os antigos dagobas e viharas* estavam em ruínas. Para obter um cargo a serviço do governo, era preciso abraçar o cristianismo. Exceto por duas ou três pirivenas†, havia apenas duas escolas budistas. Os costumes ocidentais prevaleceram sobre os cingaleses, e os modos ocidentais de vestimenta eram considerados um sinal de respeitabilidade. Os costumes e tradições nativas foram eclipsados e seu valor ignorado.
Após a chegada de H.P.B. e Olcott no Ceilão, em 1880, e a formação do primeiro ramo da S.T., as coisas começaram a mudar de uma maneira muito extraordinária. Logo após o início de seu trabalho, ocorreu uma transformação marcante na vida nacional do país, na forma do surgimento do amor pela religião, língua e cultura nativas. Isso se deveu principalmente ao movimento escolar budista, ao jornal cingalês Sarasavi Sandaresa e ao jornal inglês The Buddhist que havia sido iniciado. Em suas três viagens sucessivas ao Ceilão, Olcott organizou instituições educacionais onde crianças budistas não eram forçadas a estudar o cristianismo e a frequentar os cultos da capela. Ananda College para meninos e Musaeus College para meninas são o resultado de sua inspiração, e ele convidou homens e mulheres educados da América e da Europa para trabalharem nessas instituições. A partir deste pequeno começo cresceu um vasto movimento educacional dirigido pelos próprios budistas. Por iniciativa de Olcott, eles obtiveram subsídios do governo, como eram dados a escolas de outras crenças. Hoje há mais de 400 escolas budistas no Ceilão, e fotografias do coronel Olcott estão penduradas em cada uma delas. Em 1962, o governo cingalês introduziu uma legislação para nacionalizar as escolas, e a maioria delas agora são operadas pelo Estado.
Muitos anos depois é difícil imaginar o tremendo vigor e persistência do coronel Olcott neste trabalho. Acompanhado por um intérprete, geralmente D. B. Jayatileke (mais tarde, Sir e Ministro-Chefe do governo do Ceilão), e o jovem Hewavitarne Dharmapâla, ele percorria estradas na selva de carro de boi à noite e durante o dia dava palestras aos aldeões, arrecadava fundos para as escolas e despertava o espírito do povo para um renascimento nacional ao longo de várias linhas.
Seu trabalho mais notável pela causa do budismo foi ter escrito um Catecismo Budista que foi primeiro publicado em
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* Templos (N. da T.)
† Faculdade monástica para a educação de monges no Ceilão (N. da T.)
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cingalês, em 24 de julho de 1881. Era aceitável para seitas de várias religiões e tornou-se um texto padrão para ensinar o budismo para crianças em linhas aprovadas – um livro que já passou por mais de cinquenta edições em inglês e possivelmente um número igual em vários idiomas dos países budistas da Ásia.
Em defesa dos budistas em Ceilão, Olcott estabeleceu relações amigáveis com o governador britânico, Sir Arthur Gordon, mais tarde Lorde Stanmore, que se solidarizou e ajudou a corrigir várias queixas que foram trazidas à sua atenção. Mais tarde, o coronel Olcott, representando os budistas cingaleses, foi a Londres para obter várias reformas do Secretário de Estado para as Colônias no que foi extremamente bem sucedido. A declaração de Vesâkha, o Dia da Lua Cheia de Maio, como feriado no Ceilão, deve-se diretamente aos esforços do cel. Olcott.
Outro grande serviço ao budismo foi prestado pelas duas visitas muito bem sucedidas do coronel Olcott ao Japão, durante as quais ele se dirigiu a milhares de pessoas. Como resultado dessas viagens, ele formulou quatorze Proposições Fundamentais como base de união entre todas as escolas do budismo – um Código de Conduta que foi aprovado por unanimidade, em um Congresso Budista em Adyar, em 1891.
Outra conquista muito valiosa foi o desenho de uma bandeira para os budistas com as cores tradicionalmente conhecidas como aquelas na aura de Gautama buda. No devido tempo esta bandeira passou a simbolizar a unidade de todo o mundo budista. Foi adotada como a bandeira comum do budismo pelaSociedade Mundial de Budistas, que se reuniu pela primeira vez no Ceilão em 1950, e sua aceitação foi confirmada pela reunião da Associação no Japão, em 1952. Agora é usada em cerca de sessenta países durante festividades de vários tipos.
Não admira que o povo de Ceilão deva honrar o dia da morte do coronel Olcott todos os anos como um feriado, e que durante sua vida sete Sacerdotes Budistas proeminentes do Ceilão tenham dado a ele uma Carta de Autorização para admitir as pessoas ao budismo, uma honra nunca antes ou desde então conferida a um ocidental!
Como tem sido frequentemente o caso de muitos alunos proeminentes de ocultismo e trabalhadores ativos da Causa, a personalidade de Olcott exibiu algumas contradições curiosas e marcante dualidade. Ele tinha algumas limitações marcantes, uma delas sendo seu hábito há muito estabelecido de julgar pelas aparências. Ele compartilhava com outros “Yankees” um amor inato para “aparecer” em certas ocasiões, e sua extraordinária habilidade organizativa o fez propenso às vezes a exagerar o aspecto organizacional do Movimento em detrimento do espírito subjacente. Em uma das cartas mais importantes recebidas por ele de K.H., ele é advertido contra permitir suas suspeitas e ressentimento contra algumas das “loucuras” de H.P.B. influenciar sua lealdade intuitiva a ela. Ele é lembrado que “Com assuntos ocultos ela tem tudo a ver . . . . Ela é nossa agente direta . . .”. *
O exame cuidadoso da correspondência entre Olcott e H.P.B. ao longo de um período de anos mostraria a qualquer estudante imparcial que Olcott muitas vezes entendeu mal os motivos e objetivos de H.P.B., em vez de suspender o julgamento quando sua mente estava temporariamente confusa. Quando Olcott permitiu-se ser influenciado por forças sutis emanando de origens insidiosas através de canais bramânicos, ele imaginou que um “culto a Blavatsky” ou algo dessa natureza estava prestes a ser estabelecido dentro do Movimento e começou a contra-atacá-lo. Isso provou-se ser bastante supérfluo. O impacto sobre ele dos problemas dos Coulomb resultou em sua tentativa de minimizar a existência dos Mestres e dos fenômenos ocultos, fato que foi apontado por K.H. em uma mensagem para H.P.B.†
No lado positivo do caráter de Olcott, devemos ter em mente suas muitas qualidades excepcionais e raras. Ninguém sabia mais disso do que a própria H.P.B. Em várias ocasiões distintas, ela saiu com força em defesa de Olcott. “Seria desejável para a causa da teosofia e da verdade”, disse ela, “se todos os críticos do nosso presidente em geral, fossem menos sábios, porém mais perceptivos de sua boa natureza propensa a perdoar, sua total sinceridade e altruísmo”.‡ Ainda no mesmo manuscrito ela diz que
“. . . ‘a verdade não depende de mostrar as mãos’; mas no caso do tão insultado Presidente-Fundador deve depender da demonstração de fatos. Espinhoso e cheio de armadilhas era o caminho íngreme que ele teve que subir sozinho e sem ajuda durante os primeiros anos. Terrível era a oposição fora da Sociedade que ele teve de construir – revoltante e desanimadora a traição que ele frequentemente encontrava dentro da sede da Sociedade. Inimigos rangendo os dentes na sua cara,
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* Carta recebida a bordo do SS Shannon, 22 de agosto de 1888. Cf. Letters from the Masters of the Wisdom (Cartas dos Mestres da Sabedoria), Primeira Série, Carta 19.
† Ibid., Segunda Série, pp. 68-69, citando um trecho de um memorando na caligrafia de H.P.B. nos Arquivos Adyar.
‡ “The Original Programme of The Theosophical Society” (Programa Original da Sociedade Teosófica), um Manuscrito assinado por H.P.B. e datado por ela de Ostende, 3 de outubro de 1886. Cf. Collected Writings (Escritos Compilados), Vol. VII, pp. 135 et seq.
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aqueles que ele considerava como seus amigos e colegas de trabalho traindo-o e à Causa sem a menor provocação. Ainda assim, onde centenas em seu lugar teriam desmoronado e desistido de todo o empreendimento em desespero, ele, implacável e irremovível, continuava subindo e trabalhando como antes, constante e imperturbável, apoiado pelo pensamento e convicção de que estava cumprindo seu dever. Que outro incentivo o fundador já teve, senão seu juramento teosófico e o senso de dever para com aqueles a quem ele havia prometido servir até o fim de sua vida? Havia apenas um farol para ele – a mão que tinha apontado pela primeira vez para ele seu caminho para cima; a mão do MESTRE que ele ama e reverencia tão bem, e serve tão devotamente embora ocasionalmente talvez, imprudentemente. . . . . pois mais inteligentes em capacidades administrativas, mais versados em filosofia, mais sutis em casuística, em metafísica ou política da vida cotidiana, pode haver muitos ao seu redor; mas o globo todo pode ser pesquisado de cima a baixo e ninguém será encontrado mais firme para com os amigos, mais fiel à sua palavra, ou mais dedicado à teosofia real e prática – do que o Presidente-Fundador; e estes são os principais requisitos em um líder de tal movimento – alguém que pretende se tornar uma Fraternidade de Homens.
Coronel Olcott tinha propensões de cura naturais; ele tinha esse dom desde a juventude, e havia estudado o mesmerismo nas obras então disponíveis que eram principalmente de fontes franceses. Quando viajou para cima e para baixo na Índia, ele redescobriu esse poder dentro de si que havia permanecido latente e sem usar por muitos anos. Ele começou a curar os doentes e a aliviar seus sofrimentos. Seu sucesso foi fenomenal, e centenas de pessoas seguiam atrás dele em busca de alívio. Isso, naturalmente, contribuiu substancialmente para o sucesso na publicidade do trabalho e dos ensinamentos da Sociedade. Depois de alguns anos, sua vitalidade começou a declinar devido à imensa tensão sobre seus poderes naturais, e seu instrutor ordenou-lhe cessar de administrá-los.
Quando, em 1888, H.P.B. organizou a Secção Esotérica, o cel. Olcott no início se opôs à sua formação porque ele temia que ela se tornasse um império dentro de um império e militasse contra os princípios básicos da Constituição Teosófica. Sua atitude – que teoricamente tinha alguma justificativa, modificou-se quando recebeu uma carta do Mestre K.H. enquanto estava a caminho da Europa, mas suas dúvidas sobre este assunto nunca foram totalmente sanadas. Sua própria relação individual com a S.E. é totalmente esclarecida pela seguinte passagem da Circular da E.S.T. (S.E.T.) de novembro de 1894, intitulada
“Por Determinação do Mestre” onde na página 3 W. Q. Judge escreve:
“. . . . o coronel Olcott é o antigo porta-estandarte, e tem sido o meio para ensinar, ele mesmo tendo Chelas a quem ele instruiu, mas sempre nas linhas estabelecidas pelo Mestre através de H.P.B.Ele foi selecionado pelo Mestre para fazer um certo e valioso trabalho não possível para ninguém mais, e ele nunca prestou juramento na S.E., pois, como eu, ele estava desde o início comprometido diretamente com o Mestre”.
O próprio testemunho do coronel Olcott é bastante explícito. Em 13 de setembro de 1890, ele escreveu de Adyar:
“A Seção Esotérica foi criada por Madame Blavatsky com minha concordância, para reunir sob um vínculo comum de pupilagem todos os nossos colegas que estavam ansiosos para estudar a Filosofia Esotérica com Madame Blavatsky. Cerca de 1.000 pessoas, espalhadas pelo mundo, já se inscreveram em sua lista. Ela é a Chefe dessa Seção – como o Sr. Harte corretamente diz – e sua única diretora; só a ela seus alunos têm que procurar por resultados. Depois de observar os resultados por um ano inteiro e tendo encontrado uma grande satisfação expressa com seus ensinamentos eu concordei no verão passado enquanto estava em Londres,* em ser seu intermediário para os países asiáticos, para encaminhar documentos e correspondência. Esta é toda a minha relação com a Seção, e isso em minha parte privada, não em minha capacidade pública. A Sociedade é bastante neutra em todos esses assuntos”. †
As circunstâncias relacionadas com a tentativa de renúncia de Olcott à Presidência da S.T., algum tempo após a passagem de H.P.B. e as vicissitudes do chamado “Caso Judge” já foram explicadas no esboço biográfico da vida e obra de Judge ao qual o leitor é encaminhado para os principais fatos daquele período.
As atividades de palestras e administrativas de Olcott continuaram praticamente iguais por vários anos depois que H.P.B. partiu. Ele viajou muito, promoveu a causa do budismo e o crescimento da Sociedade Teosófica, e manteve-se em contato constante com uma grande variedade de pessoas de todo o mundo. Sua habilidades executivas
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* Isso é um erro. A nomeação de H.P.B. do coronel Olcott como agente confidencial para a S.E. em países asiáticos é datada de Londres, 25 de dezembro de 1889.
† Madras Times,15 de setembro de 1890. Carta endereçada ao Editor do Indian Daily News.
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continuaram a ser sentidas em todos os lugares, ainda assim a morte de H.P.B. significou uma diminuição de seu contato com os Irmãos Adeptos que por essa época se comunicavam apenas raramente com alguém – uma circunstância que deveria ser considerada como um fechamento natural de um ciclo temporário de contato direto entre eles e seus mais promissores agentes e alunos.
Logo depois da morte de H P.B., Olcott decidiu começar a publicar em The Theosophist – a mais antiga revista teosófica – fascículos mensais de um esboço histórico destinado a descrever a formação da S.T., o início de sua associação com H.P.B. nos E.U.A., e o crescimento gradual do movimento. O primeiro fascículo dessas reminiscências que seriam intituladas Old Diary Leaves (Folhas de um Velho Diário) apareceu em The Theosophist, Vol. XIII, março de 1892, e a Primeira Série foi concluída no Vol. XV, em setembro de 1894, com a descrição da partida dos Fundadores para a Índia.* Uma “Série Oriental” começou, no mês seguinte, e os fascículos consecutivos deste esboço histórico continuou com grande regularidade nos anos do século XX, e foram finalmente publicados na forma de livro, em seis volumes.
Com ou sem razão, Olcott sentiu que uma forte tendência ao endeusamento estava se instalando com relação a H.P.B., e um dos principais objetivos de seu relato era neutralizar isso. Ao fazê-lo, ele se permitiu lidar de forma leviana com certas fases e aspectos da vida e caráter de H.P.B.; e se abriu para críticas severas por ter “menosprezado” sua antiga colega e amiga. Certas passagens da Primeira Série foram interpretadas por alguns de seus colegas de trabalho como irreverentes, os quais ficaram ressentidos por isso a tal ponto que quandoOlcott pediu à condessa Wachtmeister para publicar a Primeira Série na forma de livro pela H.P.B. Press de Londres, ela se recusou a menos que ele expurgasse porções que não lhe agradavam. Isso ele declinou em fazer, e o volume foi publicado em 1895 pela G. Putnam’s Sons, Londres e Nova York.†
Old Diary Leaves, apesar de muitas deficiências e erros, deve ser considerada a magnum opus do coronelOlcott. Sem esta obra, pouco se saberia da história da Sociedade Teosófica. A maior parte do texto foi escrita vários anos após os acontecimentos descritos, mas com base em seus Diários pessoais, agora nos
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*Uma segunda edição do Vol. I apareceu em 1941, publicado desta vez, como foi o caso de todos os volumes posteriores, pela The Theosophical Publishing House, Adyar, Madras, Índia.
† J. Ransom, Short History of The Theosophical Society (História Concisa da Sociedade Teosófica), p. 294.
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Arquivos de Adyar, Volume I, no entanto, foi em grande parte escrito de memória uma vez que seus Diários do período de 1874-78 haviam desaparecido misteriosamente. No entanto, o primeiro volume continua sendo o mais importante e bem escrito de todos eles.
Quando em 1906 o coronel Olcott visitou a América pela última vez, ele escreveu a um amigo, provavelmente William Mitchell, marido de Belle Mitchell, irmã de Olcott, que faleceu em 1896, sugerindo uma visita há muito postergada. Olcott estava bastante triste e deprimido quando se encontraram. Ele sentia muito intensamente a ausência de H.P.B. e, percebendo suas próprias enfermidades e idade avançada, sentiusolidão e saudades. No decorrer da conversa, surgiu o assunto de William Quan Judge e o amigo de Olcott perguntou-lhe se ele não lamentava sua morte. Para citar a narrativa:
” Sim, sim’, ele interrompeu, ‘Eu sei como você se sente sobre ele e sempre se sentiu’. Então, pegando minha mão, olhou bem para mim, antes de responder, de uma maneira desanimada e muito impressionante:
“‘Aprendemos muito e superamos muito, e eu vivi muito e aprendi mais, particularmente no que diz respeito ao Judge’. . .
“’Eu sei agora, e vai confortá-lo ouvir; que eu errei com Judge, não intencionalmente ou com malícia; no entanto, eu fiz isso e eu me arrependo’. . . “.*
Em 25 de setembro, Olcott embarcou para a Índia. Quando o navio estava fora de Gênova, na Itália, ele teve uma queda que machucou o joelho direito e causou contusões graves. Ele foi levado para terra e levado para um hospital onde ficou por 28 dias. Ele continuou sua viagem para a Índia em 7 de novembro, indo primeiro para Colombo, Ceilão, e mais tarde, em 3 de dezembro, para Adyar.
Os médicos declararam-no gravemente enfermo, com problemas cardíacos e evidentemente sem muita esperança de recuperação. Ele retomou suas tarefas mais importantes, mas no início de fevereiro de 1907, teve que ficar de cama. Ele faleceu em 17 de fevereiro, às 7:17h da manhã.
Alguns dos que o atenderam pouco antes de sua morte testemunharam a aparição de três dos Irmãos Adeptos em seu leito de morte, o que, como de costume, é algo que não pode ser provado nem refutado. É, no entanto, seguro dizer que a passagem do
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* The Path, Nova York, Vol. XXII, outubro de 1915, pp. 7-19, onde uma descrição anônima foi publicada sob o título de “Coronel Olcott: A Reminiscence”.
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velho guerreiro não poderia ter passado despercebida por seus superiores a quem ele serviu tão bem.
Como um excelente organizador, dedicado aos seus instrutores e aos interesses da Sociedade que deixou para trás, o coronel Olcott é sem dúvida o homem a quem devemos a estrutura mundial do movimento organizado. Sem suas atividades dinâmicas, o trabalho esotérico de H.P.B., a Mensageira direta dos Irmãos Adeptos, não teria sido tão potente quanto provou ser. A figura do coronel Olcott é mais conhecida no mundo budista do que no Ocidente, embora o tempo ajude a dar-lhe uma perspectiva histórica correta mesmo no Ocidente.
Em 17 de fevereiro de 1962, no 55o aniversário da morte do coronel Olcott, foi prestado um tributo a ele na sede das Nações Unidas por P. Malalasekera, representante permanente do Ceilão nas Nações Unidas, que acendeu uma lâmpada do tipo que é acesa em milhares de casas em todo o Ceilão, quando anualmente ele e seu trabalho são homenageados com cerimônias religiosas por toda a Ilha. A chama da lâmpada permanece como um símbolo do amor e gratidão que o povo budista sente pelo homem que restaurou seus privilégios e seu direito a uma educação budista, e renovou sua consciência nacional que hoje criou uma nova e independente nação.*
Oferecendo flores e queimando incenso, milhares de cingaleses meditam nesta ocasião anual e rezam:
“Que o mérito que ganhamos com essas boas ações passe para o coronel Olcott, e que ele obtenha felicidade e paz”.
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Tradução: Marly Winckler
FONTE: Escritos Compilados de H. P. Blavatsky, Volume I – disponível na Amazon








