Foi ele que originou a palavra "Teosofia", como nome da nova sociedade, e foi ele quem apresentou a Madame Blavatsky a acadêmicos cujos nomes são mencionados em relação com Isis Unveiled (Ísis Sem Véu). Ele foi o defensor mais influente que Madame Blavatsky possuía enquanto vivia em Nova York, e um amigo ideal – realmente verdadeiro e invariavelmente útil. Ele estava ansioso para que ela fosse identificada com o círculo de pessoas do mundo literário, pois ele sentia uma verdadeira admiração por sua grande habilidade mental, e desejava que a apreciassem também. Ele  percebeu nela um espírito de autodepreciação que diminuía sua influência, e tentou ajudá-la a superar isso. Essa tendência a subestimar sua habilidade, era um defeito em seu caráter e ele a estimulava a combatê-lo. Ele teve pouco sucesso neste esforço, pois ela não se importava nem um pouco com suas realizações e só buscava reconhecimento de seu trabalho oculto.

CHARLES SOTHERAN. Autor, bibliógrafo e erudito, n. em Newington, Surrey, Inglaterra, July 8, 1847; m. em Nova York, em 1902. Filho de Charles e Frances Elise (Hirst) Sotheran, e parente dos famosos livreiros de Londres de mesmo nome. Educado na Inglaterra em escolas particulares e St. Marie’s College, Rugby. Casou-se com a Sra. Alice (Hyneman) Reno, em 17 de outubro de 1893. Veio para os E.U.A. em 1874, e começou o trabalho de jornalista no World de Nova York. Foi editor literário do Recorder e do Star de Nova York, e editor do Echo de Nova York, um jornal de curta duração que ele publicou por algum tempo. Foi ligado a Sabin and Sons, livreiros de Nova York, na edição de seu jornal, The American Bibliopolist. Mais tarde, ele se ligou editorialmente com vários outros periódicos, tanto nos E.U.A. quanto na Inglaterra. Sotheran foi um proeminente maçom e representante nos E.U.A. do Rito de Swedenborg. Foi autor das seguintes obras: Alessandro di Cagliostro, Impostor or Martyr? (Alessandro de Cagliostro, Impostor ou Mártir?), 1875; Percy Bysshe Shelley as a Philosopher and Reformer (Percy Bysshe Shelley como Filósofo e Reformador), Nova York, 1876; Horace Greeley, and Other Pioneers of American Socialism (Horace Greeley, e Outros Pioneiros do Socialismo Americano), N. Y., 1892 e 1915; The Theatres of New York (Os Teatros de Nova York),1893. Também numerosas bibliografias separadas.

Seu temperamento bastante ardente o mantinha e a seus amigos em constante tumulto. Ele participou ativamente da fundação da Sociedade Teosófica, mas apenas três meses depois fez alguns discursos inflamatórios em uma reunião de rua política, aos quais H.P.B. objetou fortemente. Sotheran se demitiu da S.T magoado, mas seis meses depois se desculpou dos vários comentários críticos e hostis que tinha feito e foi reintegrado. Este episódio, no entanto, não deve imbuir o leitor com preconceitos contra Sotheran. Ele era um homem extraordinário em mais de uma maneira, e seu papel no trabalho da Sociedade em seus estágios iniciais de desenvolvimento não deve ser julgado pelo episódio infeliz acima mencionado. Temos uma fonte de informações interessantes sobre Sotheran como homem e pensador na Sra. Laura C. Langford-Holloway intitulado “Helena Petrovna Blavatsky: a Reminiscence”, publicado em The Word, Nova York, Vol. XXII, dezembro, 1915, pp. 136-153, onde ela escreve o seguinte:

“. . . Sabendo como eu sabia da amizade existente entre ela [H.P.B.] e o Sr. Charles Sotheran, um dos mais hábeis jornalistas de Nova York, um homem de ampla cultura e um raro e nobre caráter, eu tenho às vezes me perguntado por que seus biógrafos não manifestaram mais interesse no homem e seus serviços a ela. O Sr. Sotheran era membro da Sociedade  Rosacruz, maçom de grau elevado e um autor versado na história de todos os sistemas orientais e do pensamento religioso. Foi ele que originou a palavra “Teosofia”, como nome da nova sociedade, e foi ele quem apresentou a Madame Blavatsky a acadêmicos cujos nomes são mencionados em relação com Isis Unveiled (Ísis Sem Véu). Ele foi o defensor mais influente que Madame Blavatsky possuía enquanto vivia em Nova York, e um amigo ideal – realmente verdadeiro e invariavelmente útil. Ele estava ansioso para que ela fosse identificada com o círculo de pessoas do mundo literário, pois ele sentia uma verdadeira admiração por sua grande habilidade mental, e desejava que a apreciassem também. Ele  percebeu nela um espírito de autodepreciação que diminuía sua influência, e tentou ajudá-la a superar isso. Essa tendência a subestimar sua habilidade, era um defeito em seu caráter e ele a estimulava a combatê-lo. Ele teve pouco sucesso neste esforço, pois ela não se importava nem um pouco com suas realizações e só buscava reconhecimento de seu trabalho oculto.

“Com frequência se afirmava – com base em que provas eu nunca soube – que o Sr. Sotheran estava familiarizado com pelo menos um dos Adeptos da Fraternidade, e se identificava, de alguma forma, com seus objetivos amplos para o aperfeiçoamento da raça. E em geral se entendia que ele tinha conhecido Madame Blavatsky no exterior, e sabia da tarefa que ela estava empreendendo neste país. Ele, pelo menos, tinha uma visão exaltada de sua genialidade e a estimulava a escrever; e preteria seu interesse em “modismos” religiosos como ele caracterizava o espiritismo. Ele se opunha às sessões espíritas públicas de uma forma intransigente epungente. Tão forte era sua hostilidade ao assunto, que ele nunca se envolvia em conversas sobre isso, ou temas semelhantes. Nem sequer concordava com a alegação de que a posição de Madame Blavatsky exigia que ela investigasse o assunto minuciosamente.

“Sua atitude era que de que ela era uma ocultista genuína, com poderes mentais razoáveis, e tinha sido treinada para usá-los. E ele frequentemente afirmava que o ocultismo era um estudo nobre, sobre o qual o Ocidente não sabia nada.

“Os serviços deste homem à Sociedade Teosófica em seus primórdios nunca foram justamente reconhecidos. Ele era um auxiliar, sem o qual o trabalho da organização da sociedade, das pesquisas em relação a Ísis Sem Véu, de conseguir um editor para esta obra, e, em seguida, de colocá-lo devidamente diante do público, não teria sido nem metade tão eficientemente realizado.

“O Sr. Sotheran conhecia Nova York, e tinha uma posição de destaque entre homens que era única. Sua vida era singularmente livre de emaranhados; ele estava muito bem situado para desfrutar de suas vantagens como um homem de grandes habilidades e realizações, de amplos recursos financeiros, solteiro, e parte de um grupo de nova-iorquinos que emprestavam caráter, dignidade e prestígio ao melhor círculo da sociedade.

“Ele era um ocultista confesso, mas se opunha ao destaque dado aos fenômenos ocultos no terreno que poderia tão somente adicionar aos fardos impostos pelos ignorantes sobre aqueles que demonstram leis que não podem dominar. Ele deplorava a tendência de muitos sobre Madame Blavatsky para que ela se tornasse a fazedora de milagres da época. Ele falava de sua habilidade intelectual como de muito mais valor para a nova Sociedade do que qualquer mero poder psíquico que ela possuía, e ele tentou neutralizar a influência daqueles que, apreciando-a menos, a fariam dedicar seu tempo aos fenômenos. Era um amigo sábio e um verdadeiro profeta, pois ele a aconselhava a desencorajar aqueles que esperavam que ela os entretece com sinais e prodígios, e insistisse no estudo sério das forças ocultas da natureza . . .”.

Esta descrição, ao mesmo tempo que mostra ignorância de certos fatos que dizem respeito às ordens recebidas por H.P.B. de seus Superiores para trabalhar por algum tempo com o Movimento Espírita, oferece, no entanto, uma imagem interessante do caráter versátil de Sotheran e deveria ser gravada aqui para a posteridade.

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Tradução: Marly Winckler

FONTE: Escritos Compilados de H. P. Blavatsky, Volume I – disponível na Amazon