Glossário Teosófico

Consulte um termo

Verbetes: Q

Qabbalah (Hebr,)

À antiga Doutrina secreta caldéia, compendiada na Cabala, É um sistema oculto transmitido até nós por si mesmo, composto de ensinamentos pura- mente orais. Muito embora sendo transmitida oralmente, aceitando a tradição, e tendo sido, em outros tempos, uma ciência fundamental, atualmente encontra-se muito desfi- gurada pelas adições feitas durante séculos e pelas interpretações das Escrituras hebrai- cas e ensina diversos métodos de interpretação das alegorias bfblicas, No princípio, tais doutrinas eram transmitidas apenas “da boca ao ouvido”, diz o dr. W. Wynn Wescott, “oralmente do mestre ao discípulo, que as recebia; daí o nome de Kabbalah, Qabbalah ou Cabbala, da raiz hebraica OBL, receber, Além dessa Kabbalah teórica, criou-se um ramo prático relacionado com as letras hebraicas, estas, por sua vez, como representa- ções, números e idéias”, (Ver) Gematria, Notaricon, Temura.) No que se refere ao livro original da Qabbalah — o Zohar — ver mais adiante. Porém o Zohar, que possuímos atualmente, não é o Zohar que Simeão Ben Jochai legou, como herança, a seu filho e se- cretário. O autor da presente aproximação foi um tal Moisés de Leon, judeu do século XIIL (Ver! Cabala e Zohar. [Ver também Simeão Ben Jochai.]

Qadmon, áÁdão ou Adão Kadmon (Hebr,)

O Homem celeste; o Microcosmo (ver esta palavra). É o Logos manifestado; o terceiro Logos, segundo o Ocultismo ou o Paradigma da Humanidade, [Ver, Adão Kadmon.] Qai-vin (Hebr.) — O mesmo que Caim, Qaniratha [ou Hvyaniratha] (Masd.) — Segundo as Escrituras zoroastrianas, é à nossa Terra, que, como ensina a Doutrina Secreta, situa-se no meio de seis outros karsh- wars ou globos da cadeia terrestre, (Ver, Doutrina Secreta, 11, p. 802, nova edição.) Qedoshim (Hebr.) — Santos, anjos, (P. Houlk) Qeh (Eg.) - O machado. (Ver Machado.)

Qippoth ou Klippoth (Hebr,)

O mundo dos demônios ou cascas; o mesmo que o Mundo aseeyático [ou assiáhtico], chamado também Olam Klippoth. É a residência de Samuel, príncipe das trevas nas alegorias cabalísticas, Porém é preciso levar em conta o que lemos no Zohar (II, 43 a): “Para o serviço do Mundo angélico, o Santo... criou Sa- mãel e suas legiões, isto é, o mundo de ação, que são, por assim dizer, as nuvens que se- rão utilizadas (pelos Espíritos superiores ou mais elevados, nossos Egos) para, montados nelas, descerem à Terra e servir, digamos assim, como cavalos”. Isso, unido ao fato de que Q'lippoth contém a matéria de que são feitos os astros, planetas e até os homens, demonstra que Samael, com suas legiões, é simplesmente matéria caótica, turbulenta, que, em seu estado mais sutil, é utilizada pelos espíritos como revestimento, Porque, fa- lando da “vestimenta” ou forma (rápa) dos Egos que se encarnam, diz-se, no Catecismo Oculto, que eles, o5 Mânasaoutras ou Filhos da Sabedoria, para consolidação de suas formas, a fim de descer a esferas inferiores, utilizam as escórias de Swabhávat ou à ma- téria plástica que há em todo o Espaço ou, em outras palavras, o ilus [barro] primordial, E estas escórias constituem o que os egípcios denominaram de Tifon e os europeus mo- demos de Satã, Samael etc. etc. Deus est Daemon inversus: o Demônio é a capa de Deus, (Ver Mundos, Os Quatro.) 535

Quadratus

Sobrenome de Mercúrio. Quadrivium (Lat.) — Termo empregado pelos escolásticos, durante a Idade Média, para designar os quatro últimos sendeiros da sabedoria, dos quais antigamente existiam sete. Assim, a gramática, a retórica e a lógica eram denominadas de trivizmn; a aritmética, a geometria, a música e a astronomia (as ciências obrigatórias dos pitagóricos) eram de- signadas pelo nome de quadrivium,. Quakers -— “Tremedores” — Nome dado aos indivíduos de uma seita religiosa fun- dada, na Inglaterra, por George Fox, em 1647, também denominada “Sociedade de Amigos”, O quaker distingue-se pela simplicidade e severidade de seus costumes. De sua religião exclui-se completamente todo tipo de cerimônias e todo culto exterior, bem co- mo toda hierarquia eclesiástica, Vários de seus seguidores, abstraídos em profunda me- ditação, entravam numa espécie de êxtase acompanhado de convulsões e de um violento tremor de todos os membros do corpo. Os quakers olhavam-se de maneira respeitosa, como templos vivos do Espírito Santo. Seu zelo excessivo acarretou-lhes castigos e perseguições violentos, que suportavam com resignação. O fundador da seita foi qualifi- cado de impostor, lunático, o que costuma acontecer com todos aqueles que se posicio- nam contra a corrente vigente, Vejamos, pois, quais eram as doutrinas pregadas por Fox. “Qual é - dizia — o culto que os cristãos devem tributar a Deus? É um culto espiritual e interno, baseado na prática das virtudes e não em cerimônias vãs. Qual é o verdadeiro espírito do cristianismo? Reprimir as paixões, amar a seus irmãos e preferir a morte ao pecado. Em que sociedade, pois, encontramos esta religião pura e interna? Será na Igreja Romana? Será nas Igrejas reformadas? Todas elas renovaram o judaísmo: suas liturgias, seus sacramentos, seus ritos são restos das cerimônias judaicas, expressamente abolidas por Jesus Cristo. De tais formalidades exteriores elas fazem depender a justiça € a salva- ção, Rechaçam de seu seio aqueles que não observam esses ritos, sem examinar se, por outro lado, são virtuosos e, pelo contrário, recebem com honra os maiores malfeitores, contanto que se mantenham fiéis a essas práticas externas. Numa dessas sociedades é, pois, a verdadeira Igreja de Jesus Cristo, e aqueles que desejam sinceramente sua salva- ção devem separar-se delas, para constituir uma nova sociedade de homens sóbrios, pa- cientes, caritativos, austeros, castos e desinteressados, Uma tal associação será a verda- deira e única Igreja de Jesus Cristo.” Barclay escreveu uma apologia dos quakers, que é, sem dúvida alguma, a melhor obra composta em favor dessa seita, (Ver, para maiores detalhes, o Dicionário Histórico dos Cultos Religiosos.) Quanti (Alg.) — Chumbo, Quadris (Alg.) — Fel de pedra. Quarta dimensão -— Até hoje só se conhecem três dimensões da matéria, que são: o comprimento, a largura e a espessura. Em relação à quarta, os Ocultistas afirmam que não apenas é um fato, mas uma das categorias de observação no plano astral. “É total- mente correto que os avanços da evolução podem nos fazer conhecer novas qualidades características da matéria. Aquelas a que estamos familiarizados são, na realidade, mais numerosas do que as que correspondem às três dimensões, As qualidades características da matéria devem, evidentemente, ter uma relação direta com os sentidos do homem... Assim, quando alguns pensadores atrevidos suspiravam por uma quarta dimensão, para explicar a passagem da matéria através da matéria, a formação de nós numa corda sem fim, o que notavam era a falta de uma sexta qualidade característica da matéria.” (Dou- tina Secreta, 1, 271, 272) 536

Quarta Raça (Atlântica)

Foi engendrada pela terceira Raça há cerca de oito mi- lhões de anos, em cujo final o Manu da quarta Raça escolheu entre os tipos da anterior os tipos mais adequados, aos quais conduziu à Sagrada Terra imortal, para livrá-los do ca- taclismo lemuriano. À quarta Raça nasceu sob a influência de Soma (a Lua) e de Zani (Saturno); à influência deste último astro deveu-se em parte o grande desenvolvimento da inteligência concreta, que caracteriza a sub-raça tolteca, À linguagem era aglutinante; porém, com o tempo, adquirid flexão e nessa modalidade foi transmitida para a quinta 546

Quaternário

O Quaternário, também chamado de Quaternário Inferior, é cons- tituído pelos quatro “princípios” inferiores do homem, que formam sua personalidade, a saber: o corpo denso ou físico (sthúla sharíra), o duplo etéreo ou corpo astral (linga-sha- rira), a vida ou princípio vital (prâna) e o centro dos desejos ou paixões animais (kâma- rúpa). Em outras classificações inclui-se, entre os princípios do Quaternário, o Manas inferior, ou seja, a inteligência cerebral, a mente que tende para baixo, para o centro dos desejos e paixões animais. Todos esses princípios devem ser distinguidos do Ternário ou Tríade superior imperecível, que constitui a individualidade e que são: o Manas superior, o Buddhi e o Átman (ou Eu supremo).

Quatro Animais (Os)

Os animais simbólicos da visão de Ezequiel (o Mercabah). “Entre os primeiros cristãos, a celebração dos Mistérios da Fé era acompanhada do acendimento de sete luzes, com incenso, o Trishagion, e da leitura do livro dos Evange- lhos, em cuja capa e páginas estavam gravados o Homem alado, o Leão, o Touro e a Águia.” (QGabbalah, por Isaac Myer.) Até hoje, tais animais são representados junto aos quatro evangelistas e encabeçando seus respectivos Evangelhos, nas edições da lgreja grega. Cada um representa uma das quatro classes inferiores de mundos ou planos, do mesmo modo como cada personalidade é moldada. Assim, a Águia (associada a São João) representa o Eter ou Espírito Cósmico, o olho onipresente do Vidente; o Touro, de São Lucas, simboliza as águas da Vida, o elemento que tudo engendra e a força cósmica; o Leão, de São Marcos, a energia impetuosa, o intrépido valor e o fogo cósmico; en- quanto que a Cabeça humana ou o Anjo, que se encontra junto a São Marcos, é a síntese dos três, combinados no intelecto superior do homem e na Espiritualidade cósmica. To- dos esses símbolos são egípcios, caldeus e hindus, Os deuses com cabeça de águia, touro e leão são numerosos e todos representam a mesma idéia, tanto nas religiões egípcia, cla- déia e hindu como na hebraica, porém, começando pelo corpo astral, não passaram além do Espírito cósmico ou Manas superior, visto que Ámma- Buddhi, ou seja, o Espírito Ab- soluto e a Alma espiritual, que é seu veículo, não podem ser simbolizados por imagens concretas, Quatro Mahárájas (Os) (Sânsc.) — Entre os budistas do Norte, são as quatro gran- des divindades Kármicas, situadas nos quatro pontos cardeais, para vigiar a humanidade.

Quatro nobres verdades (As)

Com este nome designam-se, no Budismo: 1º) as dores da existência evolucionária, cujos resultados são nascimentos e mortes, vida após vida; 2º) a causa da dor, que é o desejo de satisfazer-se a si próprio, desejo sempre reno- vado e nunca satisfeito; 3º) a destruição ou extirpação de tal desejo; 4º) os meios de conseguir a destruição do desejo. (Olcott, Catecismo búdhico)

Querubins (Cherubim, em hebreu)

Segundo os cabalistas, são um grupo de anjos que eles associam especialmente com o Sephira Jesod, Segundo os ensinamentos cristãos, constituem uma ordem de anjos “vigilantes”. O Gênesis coloca querubins para guardar o Eden perdido e o Antigo Testamento refere-se a eles muitas vezes como guardiães da glória divina. Sobre a Arca da Aliança, havia duas figuras de ouro aladas; no Sanctum Santorum do Templo de Salomão, viam-se imagens colossais do mesmo tipo de anjos. Ezequiel os descreve de maneira poética. Cada querubim parece ter sido uma figura composta de quatro faces (de homem, de águia, de leão e de touro) e, sem dúvida algu- ma, era alada. Parkhust, in Voce Cherub, indica que tal palavra deriva de K, partícula de semelhança, e RB ou RUB, grandeza, majestade, senhor e, do mesmo modo, é uma 537

Quicunque ou Symbolum Quicunque (Lar)

Assim se designa o Credo atribuído a Santo Anastácio, patriarca da Alexandria, devido às suas primeiras palavras: Quicun- que vult. Quies (Lat.) — À deusa do repouso, adorada em Roma. Aparentemente era uma deusa dos mortos, Seus sacerdotes eram chamados de silenciosos. Quiescência —- O primeiro aspecto do Eterno. (Doutrina Secreta, 11, 512) Estado natural de perfeição. (Ibid,, 514) Quietalis (Lar.) — Sobrenome de Plutão. Esta palavra deriva de guies, repouso, des- canso, porque à morte nos faz gozar de um repouso profundo.

Quietismo

Também chamado de Molinosismo, do nome do fundador desta dou- trina, o sacerdote espanhol Miguel de Molinos. É um estado de repouso perfeito e pas- sividade mental, alcançado pela unificação com Deus através da contemplação profunda. Tem vérios pontos de semelhança com o Yoga hindu, “O molinosismo — diz D, Rafael Urbano, em sua introdução ao Guia Espiritual — é um ascetismo transcendente e, como tal, um remédio único para o grande mal do espírito. À religião da época era demasiado fria, inanimada e mecânica, O ideal ético do cristianismo havia degenerado até o catoli- cismo romano, interessando-se demasiadamente na esfera material de atividade, entra- vando a livre indagação do espírito. Ao invés de apoiar-se no amor ao próximo, a Iareja aspirava à dominação do mundo. À Igreja estendia sua mão, não para abençoar os povos e levantar os pobres caídos nas trevas terríveis, mas para empunhar armas, arrebatar ce- tros e acender fogueiras. Molinos, sem propósito deliberado, sem ousadia de qualquer gênero, atreve-se a manifestar a salvação verdadeira do espírito humano dentro da de- gradação religiosa de sua época. É um homem que diz a verdade num desses momentos terríveis em que, nas palavras de Coleridge, € terrível dizê-la” O insigne autor do Guia, após gozar a reputação de diretor espiritual douto e exemplar e após ter sido um protegi- do do Papa e seu hóspede, foi perseguido e vilmente caluniado, ocorrendo o mesmo com seus discípulos, que foram qualificados de “hereges, os mais obcenos, impuros e deso- nestos”, Molinos, vítima de odiosa intolerância e cego fanatismo, pôde escapar quase S38

Quietistas

Seita religiosa fundada por um sacerdote espanhol chamado Molinos, Sua doutrina princípal era que a contemplação (um estado interno de completo repouso e passividade) era a única prática religiosa possível e constitufa a totalidade das práticas religiosas. Os quietistas eram os hatha-yogis ocidentais e empregavam o tempo tratando de afastar a mente dos objetos dos sentidos. Esta prática generalizou-se na França e também na Rússia, durante a primeira parte do século XIX. (Ver Quietismo.) Quietorium (Las.) — Nome dado à urna onde repousavam as cinzas do defunto.

Quilla (Peru)

No Peru, nome com que se designa a Lua. Os habitantes do Peru, têm sobre este astro as mesmas idéias supersticiosas dos gregos e romanos, Quando co- meça a eclipsar-se, a Lua está doente; se o eclipse é total, encontra-se moribunda ou morta e, então, temem que, ao cair, mate toda a humanidade.

Quimera

Monstro fabuloso, nascido na Lícia, de Tífon e Equidna. Tinha à cabeça de leão, o corpo de cabra e a cauda de dragão. Sua boca, sempre aberta, vomitava cha- mas, Acredita-se que se tratava da representação de um vulcão. (Ver Querubins.)

Química oculta

Título de uma obra notável e curiosíssima, baseada em observa- ções feitas, mercê de sua faculdade de clarividência, por À. Besant e C., W. Leadbeater. Os autores publicam o resultado de suas observações e o oferecem à consideração dos experimentadores de laboratório, com à segurança de que, graças aos novos descobri- mentos da química, os sábios oficiais corroborarão, cedo ou tarde, a divisibilidade da partícula da matéria, à qual, por acreditarem indivisível, deram o nome de átomo e se convenceram, por experiência direta e observação pessoal, de que o tal átomo é um sis- tema complexo dos verdadeiros átomos físicos, em maior ou menor número, e em di- versa porém harmônica disposição, segundo a natureza do corpo constituído. Assim, o átomo químico deveria chamar-se, com mais propriedade, de elemento químico ou molé- cula elementar. À sua estrutura atômica, à peculiar ordenação dos átomos, os diversos corpos químicos devem suas respectivas propriedades. À ciência acadêmica vislumbra a verdade das observações clarividentes expostas na citada obra, sendo, por exemplo, que os químicos Ramsey e Travers descobriram analiticamente o metargon, em 1898, três anos após ter sido observado por Besant e Leadbeater, e recentemente o químico norte- americano Irving Langmuir apresentou, à Academia de Ciências de Washington, uma Memória onde, afirma ter descoberto um átomo menor do que aquele que até então havia sido considerado como tal. À este átomo deu o nome de quantum,

Quinanes

Antiqúíssima raça de gigantes, sobre os quais há inúmeras tradições não só entre o povo, mas também na história da América Central, À ciência oculta ensina que à raça que precedeu nossa própria raça humana era de gigantes, cuja estatura foi gradualmente decrescendo até chegar à atual, após terem quase sido arrebatados da face da Terra pelas águas do dilávio atlântico. 539

Círculo de leitura

Receba novos textos e percursos de estudo.