Glossário Teosófico

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Verbetes: P

P

Décima sexta letra dos alfabetos grego e inglês e décima sétima do hebraico, no qual é designado pelo nome de pe e é simbolizada pela boca, correspondendo também, como no alfabeto grego, ao número 80, Os pitagóricos tornavam-no também equivalente a 100 e, com um traço horizontal sobre a mesma (P), representa 400.000. Os cabalistas associavam esta letra ao nome sagrado de Phodeh (Redentor), embora para isso não exista qualquer razão válida. [Em sânscrito, é a trigésima quinta letra e a primeira con- soante labial e soa como em nosso alfabeto; porém há também uma P aspirada, como nas palavras phla, phena elc., que se escreve ph, mas que não deve ser confundida com o signo ph de várias línguas antigas e modernas (como nas palavras philosophic, philhar- monisch, phosphoros etc., nas quais tem som de /), uma vez que ph em sânscrito soa co- mo a nossa p acompanhada de leve aspiração.)

P e Cruz

Geralmente chamado de Lábaro de Constantino. Contudo é um dos mais antigos emblemas da Etrúria, antes do Império Romano. Era também o signo de Osíris. Tanto a cruz larga latina como a peitoral grega são egípcias, pois vemos muitas vezes a primeira na mão de Hórus. “A cruz e o Calvário, tão comuns na Europa, são encontra- dos no peito das múmias” (Bonwick). [Ver Crismon é Monograma de Cristo.) Pa ou Pam -— Ver Touro da Paz.

Pá (Gr)

O deus da Natureza, do qual deriva a palavra Panteísmo;, o deus dos pastores, caçadores, lavradores e habitantes das campinas. Segundo Homero, é filho de Hermes e Dríope. Seu nome significa “Todo”, Foi inventor da chamada flauta do deus Pã e uma ninfa que ouvisse o som deste instrumento não resistia ao fascínio do grande Pã, apesar de sua figura grotesca. Pã tem certa relação com o bode de Mendes, no que este representa, como um talismã de grande potência oculta, a força criadora da Nature- za. Toda a filosofia hermética baseia-se nos segredos ocultos da Natureza e assim como Baphomet era inegavelmente um talismã cabalístico, o nome de Pã era de grande virtude mágica naquilo que Eliphas chamava de “Conjuração dos Elementais”, Há uma lenda piedosa muito conhecida e que se tornou popular no mundo cristão desde o tempo de Ti- bério e que significa que “o grande Pã morreu”. Porém o povo equivoca-se muito nisso, pois nem à Natureza nem qualquer de suas forças pode morrer. Algumas podem ficar sem uso e esquecidas, podem ficar como que adormecidas durante longos séculos. Po- rém, assim que se apresentam as condições apropriadas para seu despertar, entram no- vamente em atividade, com uma potência dez vezes maior do que anteriormente.

Pachacamac (Peru)

Nome dado pelos peruanos ao Criador do Universo, repre- sentado como uma hoste de criadores. Em seu altar as pessoas piedosas depositavam apenas os primeiros frutos e flores. [Este nome que os peruanos davam ao Ser Supremo significa: “aquele que anima o mundo” e o tinham em tal veneração que não se atreviam a proferi-lo e, quando se viam obrigados a isso, faziam-no com grandes demonstrações de submissão e respeito. Os mais sensatos, embora fervorosos adoradores do Sol, pro- fessavam um respeito ainda maior por Pachacamac, que consideravam como primeiro princípio da vida e alma do Universo. Para eles, o Sol era o deus visível e presente, assim como Pachacamac era seu Deus invisível, a quem invocavam em todos os seus trabalhos.)

Pacht

Ver Pasht. Pacis Bull (Sânsc.) — Nome da letra P em sânscrito, É símbolo de Vâyu-tattva, por ser a primeira letra da palavra pavana, sinônimo de váyu, ar ou vento. (Râma Prasãd) 448

Padam

Ver Pada. Pâdamôla (Sánsc.) — Planta do pé; calcanhar. Padârtha bhâvâna (Sânsc.) — O estado de consciência em que se concebe a verda- de. (P. Hoult)

Padârthas (Sânsc,)

Predicamento das coisas existentes, assim chamados no siste- ma de filosofia vaizechika ou “atômico”, fundado por Kanâda. Esta escola constitui um dos seis Darzanas (ver). [Padâáriha significa: objeto, matéria, pessoa; categoria, atributo ou predicado, ou sejam, as categorias ou classes a que se reduzem as coisas ou entidades físicas. No sistema de Kanâda há sete padârthas: substância (dravya), qualidade (guna), ação (Karma), generalidade (sâmánya), particularidade (vizecha), conexão ou relação mn- tima (samaváva) e negação ou privação (abháva). Este último padártha foi acrescentado pelos autores que seguiram Kanâda,) Padavi ou Padaví (Sánsc.) — Rota, senda, via, caminho, Padavritta (Sánsc.) — Elemento constitutivo dos versos, ou seja, a quantidade das sílabas. Paddhati (Sânsc.) — Ritual; compêndio; caminho trilhado; fileira, série. Padma (Sânsc.) — Sinônimo de Kamala, Lótus. Um dos tesouros de Kuvera; o séti- mo inferno gelado; certa atitude do corpo durante a meditação religiosa. [Dá-se também o nome de padmas aos diversos plexos (chakras ou lótus formados por nervos e gânglios e várias partes do corpo). Em geral acredita-se que sejam em número de sete e são de- nominados de: ádhára (situado no ânus), adhisthâna (entre o umbigo e o membro viril), manipúra (no umbigo), anáhata (no coração), vichuddhi (na garganta), ájná (entre as so- brancelhas) e sahasrára (na glândula pineal) (9). (Ver M. Dvivedi, Comentários dos Afo- rismos de Patarijali, p. 53.) (Ver também Manipúra e Nâbhichakra))

Padma-garbha

Ver Padmaja, Padmaja (Sâánsc.) — Significado idêntico ao de Padma-bhava. Padma-kalpa (Sânsc.) — Nome do último Kalpa ou o manvantara precedente, que era um ano de Brahmã, [O Padma-kalpa € também chamado de “Kalpa do Lótus de ou- ro” e representa uma metade da vida de Brahmã,) Padma-nâbha (Sâánsc.) — Epíteto de Vishnu, de cujo umbigo brota um lótus. Padma-pâni (Sânsc.) — Literalmente, “que tem um lótus na mão”. Padmapâni ou A valokitezvara é o Chenresi tibetano, É o grande Logos em seu aspecto superior e nas regiões divinas. Porém, nos planos manifestados, é como Dakcha, o progenitor (no senti- do espiritual) dos homens. Padmapâni-À valokitezvara é chamado esotericamente de Bo- dhisattva (ou Dhyân Chohan) Chenresi Vanchung, “o poderoso e onividente”, É consi- derado como o maior protetor da Ásia em geral e do Tibet em particular. 4 fim de guiar os tibetanos e os Lamas no caminho da santidade e proteger os grandes Arhats no mun- do, acredita-se que este divino Ser manifesta-se de idade em idade sob forma humana. Diz uma lenda popular que, sempre que a fé começa a se extinguir no mundo, Padmapãâ- ni-Chenres) emite um brilhante raio de luz e se encarna imediatamente em um dos gran- des Lamas: o Dalai e o Teschu. Acredita-se, finalmente, que se encarnará como o Bud- dha mais perfeito no Tibet, Padmapâni é a síntese de todas as raças precedentes e o pro- genitor de todas as raças humanas, depois da terceira, a primeira completa, É represen- tado com quatro braços (alusão às quatro raças), dois dos quais estão dobrados; na mão do terceiro tem um lótus (flor que simboliza a geração) e na do quarto segura uma ser- pente, emblema da Sabedoria que está em seu poder. No pescoço tem um rosário e, sobre a cabeça, algumas linhas onduladas, signo da água (matéria, dilúvio), enquanto que na fronte encontra-se o Terceiro Olho, o Olho de Shiva, aquele da visão espiritual, Seu no- me é “Protetor” (do Tibet), “Salvador da Humanidade”. Esotericamente, Padmapâni significa Sustentador dos Kalpas, o último dos quais é chamado de Pádma e representa uma metade da vida de Brahmã, a idade em que este surgiu do lótus, (Doutrina Secre- ta, 11, 188-189) Porém quem é, na realidade, Padmapâni? Cada um de nós há de o reco- nhecer por si mesmo, quando estiver disposto a isso. Cada um de nós tem em seu interior a “Jóia no Lótus”, quer se chame Padmapâni, Krishna, Buddha, Cristo ou qualquer ou- tro nome dado ao nosso Eu divino. (Doutrina Secreta, 111, 438) Padmapâni é igualmente um epíteto de Brahmãâ e o Sol. (Ver Avalokitezvara e Chenresi.) Padma-patra (Sânsc.) — Folha do lótus. Padma-puchpa (Sáânsc.) — Flor do lótus. Padma-purâna ou Pâdma-purâna (Sânsc.) — O segundo dos Purânas, assim chamado porque contém um relato do período em que o mundo era um lótus (padma) de ouro e de todos os acontecimentos de tal perfodo, Padmarekhãâ (Sânsc.) — Assim se chama uma linha da palma da mão que pressagia prosperidade. 450

Padma, Criação

Ver Criação pâdma. Padmã (Sânsc.) — Terminação feminina de Padma. Sobrenome de Lakchmi, a Vê- nus hindu, que é a esposa ou aspecto feminino de Vishnu, 449

Pafichakleza

Ver. Pafichakacháya, Palicha-Kosha (Sânsc.) — Os cinco “envoltórios” ou “invólucros” [em que se en- contra encerrada a Mônada divinal. Segundo a filosofia vedantina, o vijiânameaya-Ko- sha, o quarto invóluero, é composto de Buddhi ou é o Buddhi, Já se disse que os cinco invólucros pertencem aos dois princípios superiores: Jívârma e Zákchi, que representam respectivamente o divino Espírito uphahita [condicionado (?7)) e anuphahita não condi- cionado (?)). À divisão estabelecida na doutrina esotérica difere desta, pois divide o as- pecto físico-metafísico do homem em sete princípios, [A divisão quinária ou vedantina está intimamente relacionada com os cinco fartvas ou formas vibratórias do Éter, que dão origem às cinco sensações que conhecemos através de nossos sentidos físicos: audição, tato, visão, paladar e olfato.) Pafcha-Krishtaya (Sânsc.) — As cinco raças. Panicha-krita ou Pafichakritam (Sánsc.) — Um elemento combinado com peque- nas porções dos outros quatro elementos, Pafichâla (Sânsc.) — Nome de um país situado no norte da Índia, Paúchâlá (Sâánsc.) — Sobrenome de Draupadi. Pafichalakchana (Sânsc.) — Os cinco caracteres distintivos ou pontos capitais de um Purâna, (Ver Purâna.) Pafichama (Sánsc.) — Uma das cinco qualidades do som musical, o quinto; o Nichã- da e o Daivata completam os sete; a nota sol (G) da escola diatônica. Panichamahkâyajãa (Sânsc.) — No plural (pânchamahâáyajfiás), 08 cinco grandes sa- crifícios (mahâyajãs) (ver). Panchamukha (Sáânsc.) — Literalmente: “de cinco faces”. Epíteto de Shiva, (Ver. Pafichânana.) Panchamdla (Sânsc.) — Termo de medicina que significa: as cinco raízes. Pafichânana [Pancha-ânana] (Sánsc.) — Que tem cinco faces”. Sobrenome de Shiva. Alusão às cinco Raças (desde o princípio da quinta), que ele representa, como o Kumãra que sempre se reencarna de um extremo a outro do manvantara, Na sexta Raça- mãe será chamada de “seis faces",

Pafichaprâna (Sânse,)

No plural (pancha-prânàs), os cinco ares, alentos ou espf- ritos vitais. (Ver Ares vitais e Prâna ) Paficharátras (Sânsc.) — Nome dos indivíduos de uma seita dos vaishnavas ou adoradores de Vishnu, também denominados de bhágavatas, porque identificam Vâsu- deva (Vishnu) com o Ser Supremo (Bhágavata), dele fazendo a única causa do Universo, 454

Pafichavâna (Sánsc,)

“Que tem cinco flechas”, Epfteto de Kâma, deus do amor, (Ver Kâma e Kandarpa.) Panichâvastha (Sâánsc.) — Literalmente, “restituído aos cinco elementos”: o cadáver. Panchavata (Sánsc.) = O cord&o brahmânico. Patfichavyrikcha (Sânsc.) — As cinco árvores do Svarga: Mandára, Párifataka, San- tâna, Kalpavrikcha e Harichandana, (Ver. Dicionário Clássico Hindu de Dowson,) Pancha-vyajhãá (Sánsc.) — Os cinco sacrificados, (Ver Paficha-mahdyammá,)

Pafichikrita-vâvyu (Sânsc)

Ver Vâávu, (P. Houtlt) Pafichopâkhyâna (Paficha-upâkhyâna) (Sânsc.) — Literalmente, “cinco historie- tas ou episódios”, Dá-se este nome também ao Parichatantra. Panda (Sánsc.) — Eunuco. Fandâ (Sánsc.) — Ciência, saber, conhecimentos adquiridos.

Pâhâns (Pahans) (Prácrito)

Sacerdotes de aldeia, Pahlavas (Sânsc.) — Uma raça de Kshatrivas, que degeneraram gradualmente até a condição de súidras. (Leis de Manu, X, 43-44) Segundo os comentaristas, parece que se trata dos antigos persas.

Pahlavi ou pehlevi

Ver Pelvi, , Paísdo&Sol perpétuo À tradição situa-o além das regiões árticas, no Pólo Norte, É “a terra dos deuses, onde o Sol nunca se põe”, Pajas (Sânsc.) — Força, energia, poder. Pakcha (Paksham) (Sánsc.) — Um cálculo astronômico; uma metade do mês lunar de quatorze dias; dois pakchams compõem um mês dos mortais, porém apenas um dia dos Pitar devata ou “deuses dos pais” (pitris). Pakcha significa também: asserção, tese, réplica; partidário, amigo; tribo, classe; asa, pluma; flanco, costado; parte, partido.

Pai-Mãe

Pai e Mãe são os princípios masculino e feminino, respectivamente, na Natureza radical ou original, os polos opostos que se manifestam em todas as coisas de todos os planos do Kosmos, ou Espírito e Substância, num aspecto menos alegórico e cuja resultante é o Universo, ou seja, o Filho, Em linguagem esotérica, Brahmâ é Pai- Mãe-Filho ou Espírito, Alma e Corpo de uma só vez, sendo cada personagem símbolo de um atributo e cada atributo ou qualidade uma emanação gradual do Alento Divino em sua diferenciação cíclica, involucionária e evolucionária. Em seu sentido cósmico-físico, é o Universo, a Cadeia planetária e a Terra; em seu sentido puramente espiritual, é a Di- vindade desconhecida, o Espírito planetário e o Homem, filho dos dois, o produto do Es- pírito e Matéria. (Doutrina Secreta, 1, 12-73). Por Paíi-Mãe entende-se também o Fogo e a Água: o Raio divino e o Caos (Idem, 1, 99); as Á guas primordiais do Espaço, o Espaço, as Trevas etc. (Ver Nu, Obscuridade etc.) Padya (Sânsc.) — Parte de uma palavra; métrica poética. Padyâ (Sânsc.) — Hino; canto com métrica. Paean (Gr.) — Um hino de júbilo e louvor em honra ao deus-Sol Apolo ou Hélios.

Pakchaka (Sánsc)

Lado, flanco; partidário, associado, Pakchânta (Sánsc.) - O último dia da quinzena lunar (pakcha). Pakchapâta (Sânsc.) — Espírito de partido, Pakchin (Sânsc.) — Ser alado, pássaro, ave. O dia da Lua cheia, Pakchisinha (Sânsc.) — Garuda; rei das aves. Pala (Sânsc.) -- Uma medida; um peso que equivale a aproximadamente 38 g. (Râma Prasãd) Segundo o Dicionário de Burnouf é um peso de ouro equivalente a 74 g e 649 miligramas. Este nome significa também carne, Pâla e Pâlaka (Sânsc.) — Guardião, protetor; rei, senhor. Palâda (Sânsc.) — Râkchasa comedor de carne. Pâlana (Sânsc.) — Guarda, proteção, conservação,

Pakchdhara

Ver Pakchaja. Pakchaja (Sânsc.)- À Lua, 451

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